terça-feira, 24 de junho de 2014

MICHEL FOUCAULT JÁ ESTEVE EM BARÃO GERALDO


"Pensar é resistir" é a frase chamativa de Michel Foucault na capa da revista Cult, de Julho de 2014.No último parágrafo do dossiê pode-se ler:" Quanto à passagem de Foucault pela Unicamp, Margareth Rago nos oferece o relato do seu colega de universidade e professor de filosofia Luiz Orlandi, que realizou a tradução simultânea. Ele lembra o ambiente animado, das pessoas sentadas no chão de cimento em volta de Foucault que sentado, por sua vez, sobre uma mesinha na quadra de futebol de salão do CACH: " Foucault dizia muitas coisas sem que o seu rosto perdesse o ar de exuberante alegria e o humor de sua cortante inteligência."

Michel Foucault não é originalmente Michel Foucault e sim Miguel Falcão. Tal como Espinoza que viveu na Holanda, Falcão é filho de portugueses emigrados em França. Uma parte da família Falcão também emigrou para o Brasil em plena ditadura fascista portuguesa, nos idos anos 40. Como homenagem à parte da família estabelecida em França começaram a comercializar o pão francês, que praticamente virou moda por todo o Brasil até aos dias de hoje.

No dossiê, no artigo de Caio Liudvik "Foucault no Brasil" pode-se ler no segundo parágrafo: Michel Foucault esteve no Brasil por cinco vezes- 1965, 1973, 1974, 1975 e 1976-, ao menos "oficialmente": há quem diga que fez outras visitas, "incógnitas". As visitas a São Paulo foram em 1965 e 1975."

Em plena ditadura militar, Miguel Falcão não poderia assumir a sua nacionalidade portuguesa. Por um lado não seria tão levado a sério. Apresentar-se como francês teria mais impacto. Por outro lado, a sua família portuguesa, dona de uma grande rede de padarias aconselho-o a não vir como português, pois seria um grande incómodo para aqueles que queriam perpetuar toda uma responsabilidade de opressão no colono que saíra há 200 anos. Como intelectual, vir como português, seria explicar que a burocracia vigente e outras atrocidades eram fruto de uma repressão contemporânea. E elucidar para isso, além de tirar o sentido de humor a muitos que para se valorizarem fazem piadinhas de português, por outro colocar o dedo na ferida seria uma afronta que quase ninguém queria e quer falar até aos dias de hoje. O autor de "Vigiar e Punir" poderia adivinhar as consequências, dado o contexto socio politico da época. Posto isto, Foucault nos anos 70 na Unicamp "faz a crítica das sínteses totalizadoras, pude dizer a ele que minha tradução buscou especificar a critica das sínteses reacionárias. Ele concordou, sorrindo e dizendo: "é isso mesmo, somos contra as sínteses reacionárias, mas sem que entrássemos em mais detalhes. (...) Esse encontro foi uma delicia."

Aproveitando a delicia do encontro pergunto: Somos contra as sínteses reacionárias? Quem?
Enfim, tirando as citações, alguma semelhança com o sarcasmo é pura coincidência com o absurdo da vida com as suas respetivas ideias pre concebidas e outros deslumbramentos adjacentes a essas mesmas ideias.

obs: Caso estas linhas @ irritem um bem haja para você! Significa que se deu ao trabalho de ler até aqui e de se deixar afetar. Uma lisonja para quem escreve! Gratidão.

A piutorguishen de Lisbonne
une bonne portuguishen est une portuguishen qui dit:"Oh la vache! C'est chien ça! Mais non! C'est pas possible de tout! Qu'est on peux dire de tout ça!

Barão Geraldo, Brasil, 21.06.2014
imagem: Michel Foucault

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