segunda-feira, 19 de junho de 2017

PERGUNTAS QUESTIONÁVEIS


Quem não se pergunta o que anda aqui a fazer, veio para ver os barcos passarem? Quem diz barcos, diz bicicletas e outros.
Quem se acha mais que demais não anda um pouco perdido? Esse achar de aparente beleza, inteligência, gostozice que acha que o mundo inteiro cai a seus pés não padece de falta de auto estima, focando-se meramente numa aparência de talha dourada facilmente rachável?
Quem não tem consciência de classe de que vale tanta espiritualidade? É moda? É giro? Tem style? Amacia a consciência? Quem se acha mais iluminad@ que os demais não andará aos tropeços na escuridão?
Quem tem consciência de classe e "até defende", supostamente, os trabalhadores mas depois é déspota mas reza muito. Onde está a sua consciência expandida?
Cada um de nós tem um caminho a calcorrear, pode ser que estas perguntas sejam questionáveis. Mas também vir aqui só para ver os barcos, as bikes e outros passarem não é assim tão energeticamente vital. Ou é?
A Piu
Br, 19/06/2017

Foto de Ana Piu.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O HOMEM ESTRANHAMENTE CHARMOSO




Deambulou durante algumas horas sem que ninguém desse por ele. Os seus passos ora eram compassados, ora cambaleantes. Atrás dos seus óculos escuros o globo ocular direito rodopiava a 100 km por hora, ao passo que o globo ocular esquerdo estava quase parado e uma película verde alga embaciava a pupila dilatada. Já o terceiro olho, que se encontrava bem acima das lentes escuras, pestanejava sem parar embora não houvesse pálpebra.
Era o aniversário do homem estranhamente charmoso. Retirara-se do salão no exato momento em que iam cantar os parabéns. Tudo uma questão de charme aliado à carência dum abraço. Foram-no buscar, já ele tinha acendido um cigarro de chá de cidreira. Deu um trago antes de entrar na sala e respirou fundo.
O grande charme do homem estranhamente charmoso é que este tinha a capacidade de se preencher e esvaziar, de acolher e deixar ir. Esse era o grande charme do homem estranhamente charmoso.
A Piu
Br, 14/06/2017


domingo, 4 de junho de 2017

AS PERIGUETES E OS PERIPAUS- dialéticas estéticas de éticas histéricas


Hoje, tudo vira mercado. A própria revolução virou mercado! A revolução sexual, a espiritual, de classes. E por aí vai. Claro, o mercado serve para tirar a força da profundidade. Em torno disso giram vários equívocos, em que o que temos na base é o moralismo. Pode-se definir moralismo, para a circunstância, como algo que nos é apelativo mas que ao limite renegamos e até desprezamos. Permitirmos-nos ser periguetes, aparentemente, é uma escolha super para a frentex. Mas esquecemos que não saímos nunca do lugar da futilidade em que o Ser e o Estar inteira é descurado para sublinhar os apetites do macho alfa. Já o macho alfa, que vou aqui chamar de peripau pois muitos só pensam com a cabecita debaixo, dá igualmente o seu contributo à futilidade. Ser periguete e peripau é aquela cacofonia que todos fingem estar super divertidos, sedentos de momentos ardentes e admirantes e mais que demais, mas há um desprezo mútuo onde subjugar e se subjugar é prato principal dessa comezaina fantasiosa em que de revolução erótica espiritual tem muito pouco ou quase nada ou mesmo nada de ardente vindo das entranhas.
Ao nos permitirmos entrar na vibração do periguetismo e do peripau é perpetuar a machanice alfa em que a mulher acha que ganha sobre as outras, porque foi a eleita :P mas o principio já é de perder. Porque um peripau vai olhar para uma periguete como periguete que ela é. E nesse lugar de moralismo, o peripau até gosta das insinuações das periguetes mas não se entrega. Porquê? Porque se despreza a si mesmo. Óbvio ou quase óbvio. Tem alguma dificuldade em se ver num outro lugar que não o de peripau. Mas um peripau antes de ser um peripau é um ser vivente, pulsante. Como as periguetes. Só que a oportunidade de voltarem à tranquilidade de Ser e Estar sem cacofonia é um longo caminho. Como o de todos nós. Mas não querer estar no lugar de periguete e peripau já nos permite dançar com Vénus e Afrodite, assim como com Dionisio e Baco. Até podemos ser ateus. Isso não vem ao caso! Dançar com os deuses do amor e do prazer é muito prazeroso!!! Relaxa-nos o corpo e eleva-nos o espírito.
A Piu
Br, 04/06/2017


SEMPRE A (RE)APRENDER O QUE AMAR


Há uns dias foi-me apresentada a existência duma palavra: SORORIDADE. Logo me lembrei da Soror Mariana, a freira alentejana que rebentou com as regras ao se envolver ardentemente com um cavaleiro francês. Definhou, a pobrezita. Coisas da vida patriarcal castrante, acrescido à vida eclesiástica. O patriarcado castra. Silencia a voz, naturaliza a violência. O patriarcado, machismo, misoginia estão aí. Umas vezes escancarado, outras camuflado. Temos que estar vigilantes em relação a isso. Muitas vezes temos comportamentos machistas sem perceber, porque naturalizados. Chamar a atenção uns e umas às outr@s não é uma ofensa e sim um dever e direito civico.
Sororidade é o companheirismo entre mulheres. É respeitarem-se enquanto fonte inesgotável de criação, criatividade e realização. Quem se compara , compete e boicota a outra mulher castra esse fluxo querendo manter hierarquias vãs para não se permitir AMAR. Por mais que seja "boa" a intenção. É abalante saber que nós mulheres muitas vezes não praticamos sororidade. Já é tempo de Amar e não nos permitirmos viver a vida pela metade. Quanto aos homens que estão igualmente nessa busca, BORA JUNTO! Os que acham que é areia demais para a sua camioneta... Paciência. Podemos sempre propor : " Vai p'ra casa da mamã. Pode ser que ela esteja com a sua emancipação em curso! E seja generosa em educar os filhos a tal. " :) <3
A Piu
Br, 04/06/2017

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O GRANDE SEGREDO DOS SONHOS

tudo o que pulsa tem alma
a terra guarda segredos que são sonhados pelos seres viventes
o grande sopro dá vida
enchendo os sonhos de vazio
o vazio fertiliza a terra
a terra é generosa quando se cuida dela
todos os segredos contém uma alma tão profunda como a singeleza duma flor cor de fogo,
que brilha orvalhada quando se deita e se aconchega com a lua cheia e a lua nova
em quarta minguante ela dança com suavidade para ter a certeza que está viva e enraizada
a alma profunda da terra lembra que nada nem ninguém é de ninguém
A Piu
BR, 1.5.2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

POR FALAR EM VIAGEM


No centro de São Paulo há um prédio do arquitecto João Artacho* que por acaso (existem acasos?) tive a oportunidade de ser recebida por uma amiga. Um flat cosy ;) com uma banheira que hoje é uma afronta para o racionamento de água que se vive na grande São Paulo.
Estes dois singelos sabonetinhos, de confecção e design retrô made in Portugal, decoram esse banheiro que remonta à mesma época que foi arquitectado. Por outro lado remonta igualmente às minhas origens. Do lado direito pode-se ver o palácio de Sintra, que durante a minha infância fazia parte da paisagem vista das janelas da minha casa, onde os prados ainda estavam intactos da invasão imobiliária. Oh doce nostalgia. :)
Mas o que eu achei mais interessante foi o sabonete da esquerda. A menina com uma mascarilha e com o ilustre nome: Mistério confiança. Filosófico! De verdade! Esse é o grande paradigma da vida. A vida é um mistério, pois não sabemos o que vem a seguir. Embora haja momentos em que achamos que tudo está adquirido, como por exemplo a liberdade e autonomia. Mas o mistério está aí para nos dizer que há que ter confiança em lidar com toda e qualquer circunstância da vida. Por exemplo! Viajar, migrar, ou até mesmo viver no mesmo lugar desde sempre também é necessário acolher o mistério do desconhecido e ter confiança e esquivarmos-nos das lavagens cerebrais e outros oportunismos de ocasião. Essa é a grande confiança! Caminhar leve com o sabonete para nos lavar o rosto, mas sem o deixar cair para não escorregarmos só porque sim.
A Piu
Brasil, 17/05/2017
João Artacho Jurado (1907 - 1983) foi um empresário paulista, proprietário da Construtora e Imobiliária Monções S.A., Foi responsável pela construção de diversos edifícios residenciais na cidade de São Paulo. (...) Sua arquitetura reflete os sonhos hollywoodianos do pós-guerra em uma mistura de estilos e linguagens: o moderno, o nouveau, o déco e o clássico. (...) Artacho Jurado dificilmente obedecia à imposição, aumentando a ira de alguns arquitetos, que consideravam ultrajante sua atuação profissional, visto que ele não era arquiteto formado.
O reconhecimento de suas obras foi tardio, uma vez que nunca lhe foi permitido assiná-las. [in wikipedia]



terça-feira, 2 de maio de 2017

OH DEAR! OH DOG! ( desabafos em jeito de curiosidade facebookiana)


Aquele textaço da autoria de myself sobre o sagrado da comicidade feminina recebeu esta resposta da revista: Dear Ana The journal is in English so please translate and submit.
Bora lá! Bora lá traduzir as reflexões desta palhaça portuguesa 
( olha a redundância da piadola!) a viver no Braziu! Let's go baby! Viram que usei a expressão "sagrado" tão em voga nos dias que escorrem? Sempre na onda, na wave!
Outra observação: enviei um e mail a perguntar se precisava de traduzir e em 2 minutos recebi a resposta. THAT'S IT! Assim I love trabalhar!
A Piu
Br, -02/05/2017
foto: Estúdios Carbono em Festival Palhaças do Mundo Brasília 2017

Foto de Ana Piu.