sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

RES PEITA


 

Existem muitas. inúmeras, incontáveis e infinitas formas de peitarmos o que já deu, mas ainda se dá. Embora com esperança do mais profundo do nosso ser cá de dentro escondidinho que nem sempre se vê a olho nu, que deixe de se dar e ocorrer.

 O olho nu é assim como quem passa de relance de bicicleta por outro ciclista com a sua máscara anti corona que cantarola: 'Ouvi dizer que você gosta de cilada". Talvez tenha dito salada.... Vai que... Aquele cabelito não é estranho, lembra um sujeito até simpático conhecido de vista da época que saímos à rua para o convívio. Bom, deve ser uma música lá dele para ele. O mundo não gira em torno do nosso umbigo e se por algum motivo aquilo que ouvimos nos faz parar e pensar se também nos pertence já agradecemos namasteticamente - agradecer é libertador e muito estético - termos escutado um cantarolar que nos serve ou não como um agasalho que encolheu na máquina de lavar e agora prende-nos os movimentos. 

Ninguém traz uma bula na testa ou até mesmo no bolso da sua aparente nudez nos íntimos da intimidade. Quem gosta de ciladas? Há gostos para tudo. Para saladas naturais, naturebas, cheias "da" molho  como as do Porco Toneladas que só comia saladas bem temperadas e bem regadas. Sim, essa era uma música que eu escutava na minha infância dum tal José Barata Moura. Na infância nunca conheci a Xuxa mas delirava com o Barata Moura. Um homem barbudo que cantava músicas democráticas para as crianças portuguesas, tinha as suas convicções ideológicas  radicais num país que aprendia os primeiros passos do que é viver em democracia e suposta liberdade de expressão e escolha,  mais tarde virou reitor da universidade de Coimbra, uma das universidades mais antigas da Europa Ocidental com todos os contornos tradicionalistas, logo conservadores, que uma universidade ainda perpetua. Dessa universidade faz ou fazia também parte o sociólogo Boaventura Sousa Santos que fez trabalho de campo no Brasil e participou do Fórum Social em Portalegre. Aqui temos dois exemplos, poderia dar mais, de dois homens portugueses, igualmente académicos ( isso não os faz mais que ninguém mas dá aquele respiro num meio tão rígido e em muitos casos patriarcal, onde o homem branco hetero com oportunidade de ascender no status social está se pouco borrifando para os demais na prática, embora na teoria possa tecer conjecturas, conceitos, dissertações sobre a justiça social e todas as dinâmicas subjacentes latentes adjacentes. Em uma palavra com o seu sinónimo: oportunismo - apropriação do conhecimento para o seu beneficio individual.) Conhecer Portugal e os portugueses é também conhecer as suas lutas anti fascistas. Eu substituiria também por principalmente, mas como democrática nada imponho.... Portugal não é feito só de malvados colonos. Vamos combinar.... É um país canininho, um tanto provinciano, com a mania das grandezas, mas tem gente muito cinco estrelas. Xim? :)

As mulheres, tenham estas filh@s ou não, quando decidem viver num outro país já teceram uma trajetória mesmo que aparentemente estejam a começar do zero. Logo. uma mulher seja esta brasileira. portuguesa ou de outra nacionalidade qualquer pode já ter vivido, visto, estudado, trabalhado em lugares que a pessoa que por achar que está no seu território, com se dum jogo de futebol se tratasse, acha que essa pessoa emigrante, no caso mulher, não é nada ou é muito pouco. Ai o provincianismo que pode residir também em capitais e cidades centralizadas! Uma mulher por ser mulher já é vista por alguns como uma cilada quando ela simplesmente está a viver a sua vida e acarretar com as suas escolhas. Logo uma mulher estrangeira, mãe ou não, que escolhe viver a sua vida sabendo que não é a perfeita e correta o tempo todo mas não vislumbrou ciladas para a sua vida e sim trocas, sejam estas ao nível privado como público, pessoal como profissional, quando se vê numa cilada tanto com alguém que desconhece, que acabou de conhecer ou até mesmo com um ex companheiro pai das suas crias precisa de PEITAR AINDA MAIS A  VIDA com olho vivo e pé ligeiro. Por isso é que eu pedalo desde os meus 8 anos. Cai, levanta, desbrava caminhos, vai ter a lugares desconhecidos e pedala. Porque pedalar relembra-nos o nosso equilíbrio. "Sai uma salada de vida vivida aqui para mim de mim e de quem curte saladas e não ciladas, embora muitas vezes elas venham sem que a gente peça. Daí RE PEITA e torna a pedalar até à próxima salada compartilhada de boinha."


A Piu, uma portuguesa no Brasil

Campinas SP 24/02/2021 texto dedicado ao projeto da Carol Bampa, uma brasileira em Portugal,  @respeita.pt


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

SEM MAS NEM SES

 E eu diria: todas as mulheres teem potencia, potencial, potencialidade. Brasileiras, portuguesas, libanesas, russas, argentinas, do Cazaquistão, Irão, Iraque, Polinésia, Alemanha, Marrocos, Zimbábue, etc etc etc etc. Muitas frases, textos, livros, palestras, encontros, práticas poderão ser só em em torno da potência da mulher. E também dos homens que dispostos estão a reflectir e colocar em prática esses entendimentos. Muitos, muitas e muites já estão a fazer a sua parte, individual e coletivamente. Há que nos informar ao invés de reclamar sem conhecimento de causa. 

Conheci, em Campinas SP, Brasil, a Carol Bampa através dum muito querido amigo: Cabeto Paschoal. Um homem  carismático, mobilizador de causas, no caso quando o conheci teve a ver com a minha caminhada de produção artística  e cultural que se encontrou com a causa vegana e tudo o que isso envolve: direitos dos animais. O Cabeto era um  produtor cultural, músico e rocker das antigas ( recentes vá... o rock tem umas 3 ou 4 décadas  a mais que o Cabeto).  Quando ele partiu, naquele dia de Agosto de 2019 ironicamente no dia em que a fumaça do incêndio colossal de vários dias chegava ao Estado de São Paulo vindo da Amazônia. A sua despedida teve esse fundo melancólico e fumacento, mas a vida continuou e continua com memórias de sorrisos utópicos, sabendo intimamente que a mudança está antes de tudo dentro de nós e como a praticamos e o Cabeto fez até onde pôde. ( Esta última frase tem especial dedicação à Maria, companheira e mãe da filha com o Cabeto). 

"Carol Bampa! Você tem que conhecer e apresentar o seu trabalho de formas animadas no Festival Paisagens!!!" E assim foi uma um dos inícios do meu retorno ao namoro entre artes cênicas e artes visuais. Na verdade a primeira vez que eu apresentei  teatro de miniatura foi no restaurante da Maria e do Cabeto: ' Como vegano'. Este é só um exemplo, muito resumido  de bem acolher e valorizar nós pessoas e o nosso trabalho como potência, livre de estereótipos e preconceitos com o olhar no bem estar de boa "sem mas nem ses". Eu sei que a Maria e o Cabeto viveram fora do Brasil, talvez essa empatia de acolher "estrangeiros" e sair da caixinha dos discursos oficias faça a diferença.

Seguimos :)

A Piu

Campinas SP 22 . 02.2021

visite a página @respeita.pt




sábado, 20 de fevereiro de 2021

ESCREVA! ESCREVA COMO SE AINDA HOUVESSE O AMANHÃ!

 Qualquer ficção com a realidade é suposta coincidência. 

E a mulher disse e escreveu: " Sim, escrevo como tantas e tantos de nós escrevemos. Se alguns se incomodam ou porque leem. GOOOOL! Ler requer um tempo pra lá do insta, do selfie, do filtro. Não! Espera! Filtro é bom! Saber o que distingue ruído do que é essencial. Porém, que é é essencial para mim não é para ti Ó(P)TIMO!!! Não sermos iguazinhos é 'bão' demais!"

Não sei se amanhã estarei aqui... Espero que sim... E a mulher continuou: " Depois da primeira partida, que foi a da minha mãe aos 11 anos, sucedida por tantas outras principalmente desde 2012 eu honro cada dia e cada encontro como se fosse o último com a salvaguarda de dispensar curiosidade mórbida e hackarismo machista que se confunde com faxixismos ao perseguir e declarar infantilmente nas redes sociais que a guerra acabou por duas vezes, no espaço dum ano entre o natal e o carnaval, não se sabe ao certo se a sua guerra era com ele mesmo, com o seu mundo,  com uma mulher que de tanto admirar o irrita ao ponto der apresentar para o irmão ou se a guerra é declarada a um irmão que fica meio perdido (?)  na historia e vai seguindo a sua vida e relacionando-se com outras pessoas talvez sem acreditar que aquele irmão esteja a repetir algum comportamento dum qualquer familiar que não é lá muito ético. Chavalo, ame o seu irmão  e subverta a história de Caim e Abel que já cheira a mofo. Todo o mundo já te sacou ou você ainda acha que os próximos não sacaram esse emaranhado mental? Essas infantilidades sombrias e comprometedoras já deram. Num? Precisa de ajuda, pede. Não quer ajuda? Só quer chamar  a atenção? Existem outras formas... Mas bacanas legais....  Repensa se realmente os outros são burros e desprezíveis e elege o auto cuidado como uma celebração só sua. Não há publicação, lattes,status e bambanice que nos valha... Adornos duma Babilónia decadente. 

Hugs with a such, oh yeah, distance from a wild friend 

Belele, bró!

A Piu

Campinas SP 20/02/2021




NÃO SE PREOCUPE! ESTOU A FAZER MINHA PARTE!

 Quando falamos sempre falamos por nós, em que outr@s podem se sentir parcial ou inteiramente identificados. " Ai ela escreve muito, né?". "Porque ela escreve tanto? P'ra quê...", comenta um sujeito para uma tia que me iniciou à leitura, escuta, reflexão e escrita mesmo que ela não saiba inteiramente , parceiro de oficio profissional supostamente amigo sem nenhum perfil utópico para além desses dois requisitos que extrapolem esse panorama. Por miúdos, nem namorado tampouco amante, mas com a esperança duma parceria leal. O sabichão é recebido no outro lado do oceano por familiares e amigos e  é a velha prova de fogo do " agora ou vai ou racha" ou" a hora do vamos ver no que toca a empatia e solidariedade". A "estrangeira" convidou um agora "estrangeiro tropical" ( de facto os episódios machista que tenho, infelizmente, vivido são maioritariamente com brasileiros pois  os portuguese com quem me relaciono nunca agiram assim comigo , não sei com uma brasileira... espero que tenham  mantido  a sua postura ética para nos mantermos amigos, pelo menos. Ser ético e respeitoso é o requisito para o vinculo se manter)  para visitar o seu contexto e o sujeito não se despiu da sua capa, fantasia carnavalesca de macho alpha oba oba. Um panorama que daria e dá pano para mangas mas que resumidamente podemos pensar:" Onde fui amarrar o meu bode...." ( ouvi esta no Matogrosso há uns 20 anos vindo duma artesã e viajante companheira do machão bicho grilo machista como a maioria dos tais " malucos beleza toca Rau"; Umas farsas de Jah que oprimem as mulheres que acreditam neles e os amam, como alguns outros homens. Não todos, claro.  Sim, os homens dispostos a re escrever a história também são alvo dessas equivocalhadas. Homens dispostos a  aprender a aprender. É NOIS!

Nós não nascemos esclarecid@s, iluminad@s, a saber de tudo. Tampouco desconstruido@s. Esse é o grande desafio contemporâneo: duvidar das nossas (in)certezas e confiar na vida, agradecendo cada oportunidade de aprender com humildade.

Ao aprofundar o estudo sobre feminismo vegano muitas questões são levantadas. " Pegar o touro pelos cornos", " Onde fui amarrar o meu bode" são expressões que algumas feministas veganas chamarão a atenção sobre o trato com os animais. Sim,  a primeira expressão remete a uma prática da qual eu não concordo em absoluto: tourada. Eu sou da terra da tourada, mas nem por isso, por usar esta expressão idiomática que significa ter um ato de coragem eu subscreva a exploração animal. assim como a expressão " onde fui amarrar o meu bode". Esta última remete-me sempre par ao bode da vovó Donalda que comia tudo o que lhe aparecia à frente, para azar da vovó.

Nós termos calma com nós mesmos e com os outros dispostos a esse re escrever de comportamentos é um grande passo. Independentemente de nacionalidades, ideologias, crenças e credos somos todos gente de carne e osso e alma. Como se diz no xamanismo: tudo contém alma. Ai as  cruzadas que desalmaram povos nativos com tanta alma e  ainda se apropriaram dos seus saberes e culturas para beneficio e status próprio. Onde o seu bode foi amarrado... A consciência é um touro que ora vem de mansinho ou brabo que nem Lampião!


A Piu

Campinas SP 20/02/2021

visite a página no instagram da querida Carol Bampa: respeita.pt



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

AI AS BIRRAS MILENARES E SUAS CEGUEIRAS!

É claro que que há uma crise de valores fruto duma descrença que é fruto ainda dum distorção espiritual em prole do poder com todos os seus mecanismos de poder. A partir de 1974 foi o vê se te avias. Falo de Portugal com a sua desbeatização em curso.  Muitos deram um demorado manguito -  o tal do fuck off à portuguesa-  aquele tão esperado manguito aos  padres, padres cura, beatas, bispos e toda a equipe castrólica após cólica roi a mana - e o mano também. Imaginem após tantos séculos de beatice e suas opressões um povo poder rir sem medo, falar sem medo do que trazia atravessado na garganta. preso no coração e profundamente ferido na memória. O que os oportunismos duma religião, que em prole disto e daquilo aniquilou com o seu projeto de evangelização aquém e além mar, criou num povo!!!

O último século do milénio anterior foi tenso e intenso. Em quem acreditar se não acreditamos em nós mesmos, pensou uma grande parte dos ocidentais depois das massas e suas massadas esturricarem. Cá  para mim não existe um só caminho e insistir em converter as pessoas a uma só verdade e quem não concordar há que perseguir, castigar é obtuso. Além de estúpido, objetivamente falando. O trabalho está do outro lado da lógica do abuso de poder e do lucro, mas isso mexe com os hábitos de consumo. E isso cada um@ terá de fazer a sua parte. Ah poizé!

Se acreditamos no nosso Eu Superior ou num Deus omnipotente ou em várias entidades só e somente a nós nos diz respeito.  Se precisamos de ir a um templo ou fazer uma peregrinação ou entendermos que nós mesm@s somos o nosso próprio templo e o auto conhecimento é uma peregrinação não é uma imposição e sim uma escolha. Algo óbvio, mas não óbvio. Se assim fossem não andávamos coletivamente deste jeito maneira  com birrinhas pseudo transcendentais  em que se  se amua e se se irrita pela  outra pessoa ser ateia ou a ateia zombar de quem não é das suas...Já não falando das guerrinhas e  guerronas. Oh my dog!  Dá-lhe Nina Hagen, Elis Regina, Violeta Parra e outras que falam com o Deus delas e questionam instituições com a força da sua arte. 


A Piu
Campinas SP 18/02/2021






PEGAR O TOURO PELOS CORNOS*

 * expressão idiomática que significa: olhar de frente e lidar.

Eu sou neta de migrantes. Aqui dão o nome de retirantes. Pronto, é isso. Como muito orgulho. Orgulho-me dos meus avós, que foram explorados e fizeram o que estava ao seu alcance para que as suas duas filhas pudessem estudar para serem secretárias ( não tem aquele status bambambam mas é emancipatório dadas as circunstâncias) do que alguém que explora e acha isso normal, repleto de mérito. Sou também dum país de muitos emigrantes. Que saíram de Portugal para outros destinos. Assim como Portugal recebe muitos imigrantes. Curioso, não? Uns vão, outros chegam. 

Desde criança nunca entendi porque algum povo emigrante não recebe, acolhe imigrantes com dignidade. Ingenuidades minhas... O preconceito, a segregação, a desvalorização ainda pautam o dia a dia das dinâmicas sócio politicas a partir do momento que se passa uma fronteira, seja esta explicita ou não.

Sim, para muitos os ismos são chatos ( para mim também é um cadinho, mas incontornáveis) " Eh pá! Sempre a falar da mesma coisa, pá!" Pois, mas quando sentimos na pele subtil ou escancaradamente nós precisamos de olhar de frente e posicionarmos a modos que assim: " Alto e para o baile!" Talvez em alguns casos é preciso sentir na pele o quanto é bom ser acolhid@ e respeitad@ para que passemos a olhar a outra pessoa como alguém que também nós somos. Nem sempre isso acontece... Depende do grau de sensibilidade e das tais das circunstâncias. 

A  minha querida amiga, não é uma amiga de longa data nem intima mas é amiga e fica aqui registrado publicamente que ela pode contar comigo, Carol Bampa que é artista visual e produtora brasileira que vive desde 2017 em Portugal, ao passo que eu vivo desde 2012 no Brasil, sendo que já morara no Brasil temporariamente tendo uma filha dessa nacionalidade. Voltando, ela lançou uma coleção de T-Shirts ( camisetas) Respeita. Pt pra empoderar as mulheres brasileiras imigrantes em Portugal e no mundo. Iniciativa potente!

Sim, ser mulher no mundo ainda é um desafio e em muitos lugares não é nada fácil. Mas o que me traz aqui é dar inicio, eu acho até que já dei, de várias reflexões acerca desse trânsito Portugal/ Brasil e vice versa, principalmente enquanto mulher. 

Infelizmente, a mulher brasileira não só em Portugal mas em muitos lugares do mundo, nomeadamente na esclarecida e civilizada Europa, é vista e tratada algumas vezes como objeto sexual, já não falando da desvalorização da força criativa, reflexiva e produtiva numa outra lógica que não a patriarcal que a maioria de nós mulheres, de qualquer nacionalidade vivemos. Parabéns aos países que se consideram emancipados ( mas ainda estou a conhecer o sotão e a cave dessas belezuras. Sim, não é tão descarado... Mais asséptico vá... Sei lá! Principalmente quando se trata de imigrantes. ) Enfim, a proposta é destrinchar essa relação  'eu' e @ outr@ e sermos mais gente de verdade com o respeito e a ética na base. 


A Piu 

Campinas SP 18/02/2021







 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

NÓS, OS DA GERAÇÃO X


O doidão lá, todo tatuado foi finalmente com os Jeovás que todo o santo domingo lhe batiam à porta enquanto a avó assistia no canal 1à Eucaristia Dominical. Entre uma hóstia e outra na tv o doidão já estava a fazer das suas até chegar à hora da fórmula 1. Tivera uma namorada do tantra, mas com tantra doideira na cabeçorra não deu conta do recado. Conheceu-a no festival super bock rock e passaram o resto do Verão na praia. Conheceram um pessoal que era de esquerda apartidária e que fazia nudismo, quando os mirones iam almoçar, jantar e dormir ou meterem-se com as miúdas veraneante no centro da vila, e assim eles ficavam mais de boa na praia. Mas caso precisassem libertar os fígados, despiam-se assim que viam um mirone para o injuriar logo de seguida e assim irem mais leves tomar o seu banho de mar e beber a sua gasosa de seguida, envoltos na toalha até ao próximo mirone.
O doidão agora era jeová. Tentara ser budista, mas era demais ficar calado muito tempo para ele, muito menos perceber que todas as maleitas que ele via fora estavam dentro e que só ele mesmo se poderia salvar a ele próprio. Já a sua madrinha lia um livro sagrado muito antigo escrito e re escrito milhares de vezes e ela falava como se tudo tivesse acontecido ontem tal e qual à beira do rio Jordão. E era assim mesmo e pronto.
Os amigos do doidão, os que ainda andavam por cá, zombavam do doidão por este ter traído a sua tribo.... Mas o que era facto é que hoje o doidão conseguira se atinar e até já tinha um emprego e levantava-se cedo!!!! Teve uma outra namorada que dizia ela que a nova era estava a chegar. Ele não entendia muito bem o que era isso porque não vinha nas revistas que ele agora também distribuía aos domingos de manhã e assim nem uma folguinha por semana ele agora tinha.
Já o pessoal nudista de esquerda apartidária quando farejava um careta ao longe esfregava as mãos e quando ouviam falar em almas achavam tudo aquilo uma caretice e fugiam a sete pés com medo de serem contaminados por alguma seita. Eram filhos da pós modernidade, mesmo que se dissessem contra o sistema eram filhos deste.
O velho siouxie em cima dum arranha céus em Manhattan soprou o seu sagrado cachimbo ao som de Siouxie and the Banshees. Suspirou profundamente com tranquilidade olhando as luzes da cidade como se fossem espíritos da floresta. Mas isso era uma coisa só dele para ele em cima do arranha céus, mais perto das estrelas. Sem alaridos longe das apropriações o velho siouxie preservava a sua intimidade e os segredos do seu espirito. Imóvel, soltando a fumaça do seu cachimbo ancestral que se misturava com as nuvens.
A Piu
Campinas SP 17/02/2021
dedicado ao meus amigos de adolescência e juventude e vida atual no momento presente do agora mesmo que à distância



sábado, 13 de fevereiro de 2021

POR FALAR NISSO!

 Não é só dizer, falar, afirmar para uma ou várias pessoas ou somente para si mesm@: " Eu não sou machista!" ou " Eu não sou racista" ou " Eu até gosto de estrangeiros e tolero os trans, mesmo que quando para afirmar a minha virilidade digo publicamente: " Se aquela mulher ( estrangeira ou não, porque eu até sou curioso com o meu exotismo mental) não me quer eu vou virar gay!"

Sair do lugar de fala e entrar no lugar de escuta para depois voltar ao lugar de fala é um caminho que requer muita disponibilidade, abertura e humildade. Sim, nós não nascemos desconstruídos, mesmo aqueles que nasceram e cresceram num ambiente com certas e determinadas desconstruções em curso. Enraizado no nosso inconsciente coletivo estão muitos padrões de comportamento, muitos vícios que precisamos de arregaçar as mangas e honestamente olhar de frente com gentileza, libertando-nos da culpa.

A História que nos é contada e ensinada também nas escolas é muito violenta. É uma História pautada por invasões, batalhas, conquistas, saques e subjugações, nomeadamente estupros, escravizações, assassinatos e violências várias. 

Como afirmar que não somos fruto de todos esses processos históricos, pelos menos nos últimos milénios em que o patriarcado se dá? Patriarcado esse que se pauta na lei da força, controle, competição, linearidade em que os ciclos da vida, a subtileza, a vida como algo sagrado e celebrativo é relegado para segundo e até quinto plano.

Hoje temos mais acesso à informação. BEM DITAS TECNOLOGIAS!!! Há uns que se escondem atrás destas para atormentar os outros, divertem-se (?!) com a vida alheia de terceiros que desconhecem os seus desafios diários e acham que podem invadir contas, perseguir, mentir, difamar, boicotar, omitir e até  fazer dos próprios irmãos bobinhos da sorte. Acham que a vida é um vídeo game, um entretenimento de play staion. Ainda nãos lhes caiu a ficha que a vida não é só um passeio. Não viemos aqui a passeio para que os outros sirvam os nossos obscuros caprichos. É fundamental entender isso.  Com sorte ainda poderemos assistir à sua recuperação honesta que nem passa por postagens  politicamente corretas em redes socais. E sim por parar e pensar que importunar uma mulher, homem ou outro género sem sequer conhecer a vida da pessoa se esta está a passar perigo de vida, se tem como sustentar os seus filhos com o seu trabalho e o fulano vai lá e boicota porque se equivocou ao não entender que um encontro físico requer um encontro de almas, onde confiança de não sermos bonequinhas insufláveis está assegurado. TODAS AS MULHERES DE QUALQUER IDADE, ESTEJAM AMADURECIDAS OU NÃO MERECEM RESPEITO E A MAIORIA SACA AS MANIPULAÇÕES. SÓ QUE HÁ UMAS QUE FINGEM NÃO VER, POR CARÊNCIA.


Quanto a um homem que escolhe ser vegano por conta do sofrimento dos animais, ou uma mulher e outro género, primeiro precisa de rever se se auto cuida o suficiente para trazer alegria dentro de si e levar alegria aqueles com quem se relaciona. Algo básico, mas nem sempre evidente. Principalmente quando a imagem que fazemos de nós mesm@s não está clara por conta da lacuna na auto observação. Errar faz parte do caminho, fazer do erro uma forma de estar na vida é uma escolha como outra qualquer que tem o seu preço, como tudo. Então a jogada é sermos vitoriosos para nós mesm@s e assim tornamo-nos muito atraentes; O auto cuidado é muito sedutor afasta-nos das inseguranças e dos ciúmes, assim como nos aproxima da clareza das escolhas onde estar com alguém para cobrir os nossos vazios internos ou usa outro ser humano para fazer ciúmes a quem nós queremos bem ou achamos que queremos bem é ruído...  Querer bem é tratar bem e cuidar, principalmente ser transparente. Se as nossas intenções não são claras, recolhemo-nos ao invés de alimentar, dúvidas, expectativas, mal entendidos e até projeções. O ciúme não é amor, é (auto) desamor, ou não? Para enganos e equivocos  já nos chegam os governantes... Ah! E não projetar nos outros as nossas inseguranças e padrões. Saber o que nos pertence e não pertence é fundamental e escolher o que é saudável para ambas as partes. Isso é a base do igualitarismo e também do bem viver com notas de amor e sabedoria.


Também convenço-me que um homem que nasce e cresce entre outros homens num ambiente machista, onde serem caçadores ( de mulheres) é estimulado seja um desafio ainda maior sair dessa matrix.  Mas estamos viv@s para nos darmos as mãos e nos protegermos dos que gostam de passar a perna, dar rasteiras ( como se fala na minha terra) não vale. 

A Piu

Campinas, 13/02/2021



Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas.

https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

PROSAS POÉTICAS NÃO MUITO DIPLOMÁTICAS, PORÉM UTÓPICAS

 E a moradora de rua com um bebé nos braços e uma menina de quatros disse, bem na frente do banco; "Vocês excitam-se com as mudanças de governo. É chique sair a  rua pelos direitos dos trabalhadores e de todos e todes. Ser da oposição é mais que demais demais.Entre um lugar comum e uma vulgaridade e banalização. Chego a acreditar que essa verdade  rapidamente passa a ser um carnaval onde só os machos são promíscuos e punem as fêmeas de serem aquilo que elas apenas são- MULHERES-em  que algumas  alienadas aderem ao síndrome oficial da gostosice global e vão em histórias nada a ver, da menininha boazinha independente mas só um pouco, da mulher livre dentro dos padrões de não virar a mesa porque isso não é iluminado, tampouco sociável e aceitável,e quem não é iluminado é desprezível e quem grita e tem fome é um coitado que ' desculpe não posso dar.... Não tenho aqui!' Porque dar e  doar transporta-me ao medo, porque não posso..., convenço-me..  Mas quando é para partilhar a panela não chega, pois só há espaço para os melhores ou para alguns os politicamente interessantes, com status, pseudo status e bajuladores. Porém, minha bela esquerda gourmet abaronada, quando vocês nasceram muitos outros já tinham nascido, morrido, renascido, ido e vindo e voltando ao lugar onde vocês ainda queriam chegar, uns nem voltaram. Torturados e mortos defenderam direitos de justiça, liberdade e igualdade que para que hoje se reduz-se a uma selfie e um estado de rede social.  Outros ainda, muitos conscientes, rezam, oram, conectam-se em silencio com o O TODO, mas a merda do egocentrismo meritocratico galerico panelistico de salão de arte de há dois séculos ainda está impregnado. Grata pelo seu sorriso paternalista de' não tenho nada a ver com isso e boa sorte!' ou nariz em pé por achar que é merecedor dum campeonato desleal, algum olhar vai-se cruzar com o meu.' Falou a mulher com um bebé na mão e uma menina de quatro anos numa rua qualquer da sua cidade.

TOCA RAÚ!!!!!!


A Piu

Campinas SP 10022021


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

ESTERÓTIPOS QUASE VERDADE MAS TAMBÉM VERDADE

 

Dedico estas singelas letras amontadas em palavras que se amontoam em frases e parágrafos à minha querida amiga de longa data Susana, Piupi, Suhi, Susi. Há 31 anos a rir juntas sempre das mesmas baboseiras! 

Nós portuguesas somos muito sensuais quando o bi gode se eriça! Em chegando a mostarda ao nariz uma das lentes cai e continuamos impávidas e serenas sem dar por nada. Já me aconteceu sair de casa, pegar o elétrico/ bonde, ir à secretaria da escola, pegar a filha e só depois de uma hora ela avisar-me que faltava uma lente nos meus óculos escuros!!! Isto sim é verídico!!!

Pessoal, galerada, malta amiga e afins! Estereótipos são estereótipos, podem ou não representar-nos! Existem tiques coletivos que se tornam estereótipos. Eu já me peguei várias vezes a reproduzir esses tiques. Solução: auto observarmo-nos, mesmo que falte uma lente, e rir de nós mesmos! 

Essa é uma das grandes caraterísticas de uma grande parte dos portugueses! Gostar de rir do seu próprio absurdo. É liberta dor!!! Outra característica boa. ótima, excelente: quando falamos para alguém 'Amo-te' é porque estamos mesmo a sentir. Raramente o dizemos, mas quando dizemos é a valer. O ' ti amo' nós substituímos por 'curto-te bués' ou ' amig@ do peito' - isso está no combo da amizade leal. 

Também não usamos a expressão: ' Ai que ódio! Vontade de te matar!" As palavras têm força e energia e relembram-nos uma realidade que infelizmente é banalizada no Brasil: tirar a vida a outra pessoa com uma facilidade estonteante. Defender o porte de arma também não faz parte da realidade da maioria dos portugueses. Somos generosos em muitos e variados casos. Por vezes até chega a ser chato. Como temos uma das melhores gastronomias da Europa ocidental, para mim isso é um facto, empanturramos as visitas de comida e bebida e ficarmos ofendidos se não aceitam. Quem não é assim não tem que se sentir ofendido e quem é e gosta de ser exageradamente generoso deixa-lo ser. Normalmente cumprimos com a nossa palavra embora muitos tenham uma grande dificuldade na pontualidade. Isso a mim deixa-me com o bigode em pé, mas o meu yoga já me disse: 'Piu, a vida é curta e bela demais para querer mudar os outros mudares-te que já é um grande passo'. E eu, naturalmente, escuto o meu yoga e desequilibro-me de quando em vez mas sempre mantendo o estilo como  dá para ver na foto. 

Ah também somos um povo de poetas e sonhadores!


A Piu

Campinas SP 08/02/2021


domingo, 7 de fevereiro de 2021

ESTERÓTIPOS QUASE VERDADE MAS TAMBÉM VERDADE

Cá para mim nós somos um povo chato. Sim, somos chatos. Cheios de ais e uis. Nunca nada está bem, mas deixa estar como está. Isso além de chato é frustrante. A chamada revolução de café. Sempre a choramingar e a reclamar.Algumas vezes de barriga cheia.. ( por conta do consumismo fruto do trabalho seja este precário ou não. Só para os vias das dúvidas fica esta ressalva) Nada agradeceremos, nem que seja o simples facto de estarmos vivos e revelamos-nos  ( extremamente) irratadiços quando as coisas não correm como gostaríamos.  arrogância provinciana.... Chegamos ser mal educados com alguém que nos atende num balcão ou nos seve a uma mesa. Sim, isso são características dos nós portugueses, quando não estamos atentos! Acrescido a isso  os empregados de mesa portugueses, principalmente das cervejarias e restaurantes mais antigos. são estúpidos. Literalmente estúpidos. . Acham que estão a fazer um favor aos clientes e que o seu posto de trabalho é vitalício sem clientes. Daí chegam os trabalhadores brasileiros e ganham aos quilômetros na gentileza e no profissionalismo. Como os brasileiros seguram a onda ao viver em Portugal.... Fora de brincadeiras!!! Eu não estou mais para isso. De verdade. Adoece a alma. Pelo menos a minha que fui uma criança asmática.

Como somos chatos, também somos leais. Um amigo que é amigo é PARA TODA A VIDA. Não fazemos  o favor de seremos falsamente simpáticos quando não estamos para isso ou a coisa cheira a esturro

Somos oriundos dum enclave peninsular entre o o oceano e o resto do continente europeu. Auto nos denominamos de cu da Europa, o que isso quererá dizer para cada um de vós outros é de vossa única e  exclusiva responsabilidade. Rimos quando descobrimos que  os brasileiros glamourizam Portugal por estar na Europa. E COM RAZÃO ! Sofremos do síndrome do patinho feio em relação ao resto da Europa ocidental e o síndrome da cafonice, do complexo de superioridade, em relação aos países do sul, principalmente  as ex colónias africanas e também Brasil. No caso do Brasil ainda estou em fase de entendimento... Pois em muitos aspectos o Brasil está muito mas muito mais avançado que Portugal, mas tenho amigos portugueses que não curtem muito brasileiros.... Cada um com a sua experiência... Acham-nos 'armados ao cucos' ( se achando os maiorais querendo levar vantagem. Sim, se chegam achando que os portugueses são burros ou que os mesmos lhes devem alguma coisa é no que dá . Eu também não curto isso. Quem curte...). Sim... Eu já conheci uns assim... Mas também já conheci pessoas brasileiras infinitamente generosas como nunca conheci em Portugal! Infinitamente grata a essas.  Eu sinto muito carinho pelo meu povo português com as suas merdinhas que precisa de rever. Mas o povo brasileiro também! Assim como os países que se acham muito avançados é pura arrogância em relação aos outros. Todos os povos do mundo inteirinho precisam de se reverem , no que se trata ao machismo, racismo, xenofobia, classicismos, transfobia, consumismo etc etc mas por agora falemos desses dois.


A Piu 

Campinas SP 07.02.2021








MEUS CAROS AMIGOS - série povo português

Lá por 2000 conheci a revista " Caros amigos". Durante um dos meus on the road ( pé na estrada) por esse imenso Brasil com destino ao Matogrosso, descendo o litoral nordestino, passando por Minas e Rio. Foi através desta que conheci o MST e o Lula. A revista mais  à esquerda do Brasil. 'Tá! Belele! Belezura! Vamu ki vamu! Tinha umas matérias interessantes e contextualizava o território onde eu pisava. Para mim é importante conhecer os vários lados da história e suas resistências e re existências. Sair do manual oficial, instituído mediaticamente só por uns, os lá de cima o que lá querem chegar dentro duma lógica desigualitária. E também entender e confirmar a complexidade que faz um Estado,  país, um continente.

Em 2011, um ano antes de emigrar para o Brasil não porque me tenham mandado embora e sim por um desejo antigo e que quase de pirraça me fez querer ficar em Portugal para não fazer a vontadinha aos governantes da época, ocorreram vários protestos e acampadas em Portugal e na vizinha Espanha. Muito antes do Wall Street Center.

Eram concentrações politizadas porém sem nenhum partido a representar as mesmas. O pessoal estava cansado de partidecos, incluindo eu. Perto de minha casa, no centro de Lisboa, durante meses dezenas de pessoas montaram pernoitaram no local acontecendo várias assembleias populares e inciativas de organização e ações nas comunidades. Porto, Coimbra  e outras cidades também aderiram à iniciativa. Uma tentativa de não sermos engolidos por um sistema implacável de precarização e especulação neo liberal.

Em 2012 aqui estava eu no Brasil num governo ao qual o Lula pertencia. O resto dessa historia acredito que já sabem. Teve os seus lados positivos e também outros que deixaram muito a desejar e foram pretexto para que as coisas se dessem do jeito maneira que se deram. Uma delas que me saltou à vista foi a democratização do cartão de crédito, possibilitando muitos a terem acesso a bens que antes não tinham mas também a se endividarem. Também me saltou à vista um desconhecimento acentuado do que se passava no sul da Europa. Muitos ainda glamourizam a Europa entre um sentimento de deslumbre e ódio. E bastante equivocada quanto ao sistema de segurança social. Acham que vivemos todos de ajuda do Estado... Ah! Una ainda acham que esse sistema é fruto do saque colonial.  My dog! Uma coisa pouco saudável, diria porque equivocada e com uma empatia pela classe trabalhadora dessas bandas quase nula.

Nesse ano reencontrei a revista. Deixa-a de ler quando esta colocou uma grande mentirinha tendenciosidade num assunto que eu estava por dentro. Dizia ela que os protestos eram promovidos pelo partido comunista português. Xina man agora ferrou! Poderia até ser verdade, mas não era! Perdeu a credibilidade. Deixei de a ler... para pena minha.... tinha assuntos que me interessavam, mas  se mentem com algo conheço como será com assuntos que não estou tanto por dentro mas quero conhecer....

Estarmos informad@s de várias fontes, principalmente de pessoas de carne e osso que viveram uma ou mais situações, sabendo de ante mão que as suas verdades não são absolutas mas existem factos, além de atraente é fundamental. 

Aqui fica mais um testemunho da resistência do meu povo antes e depois da gourmetização que é como um canto da sereia da Disney. 

Ah! Hoje muitos levantam-se para dizer não ao regresso do fascismo. Um assunto, infelizmente, em voga por toda a Europa e também Américas.

A Piu

Campinas SP 07. 02.2021




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

QUIS SABER QUEM SOU E O QUE FAÇO AQUI - série povo português

 E foram limpando as cidades. Há muito que as aldeias, conhecidas por santas terrinhas, já eram fantasmas. Migra que migra e torna a migrar o vira do migra ainda dá que falar! Uns migraram há muito nos navios atravessando mares, atrás duma vida melhor. Uns utópicos, muitos outros  miseráveis e trabalhadores obstinados viraram gananciosos, como tantos outros emigrantes de outras partes. Alguns oprimidos almejam serem opressores. Uns saíram com passaporte de coelho em pleno fascismo, isto é sem passaporte, sem documentos concedidos pelo governo do Sal Azar, calcorrearam montanhas e valados a pé expostos à guarda civil espanhola que batia pala a Franco. Muitos ficaram pelo caminho no enclave do Pirineus, traídos pelos que recebiam dinheiro para os passar. Portugueses e portuguesas, nos idos anos 60, fugindo da guerra e antes e depois fugindo da pobreza e precariedade.

 Esse é o povo da terra onde nasci e cresci. Uns em França, Inglaterra, Suíça, Alemanha fazendo o que os da terra não querem fazer. Outros partiram igualmente com uma mão á frente outra atrás para o outro lado do oceano. Venezuela, Brasil, EUA. Há portugueses por toda a parte do mundo. Assim como brasileiros. Muitos são estreitos das ideias. Reacionários. Defendem governante com um discurso de ódio contra os seus próprios eleitores, veja-se os emigrantes portugueses que defendiam o Le Pen em França. Mas nem por isso merecem desrespeito. São pessoas que lutaram e lutam pela sua felicidade, mesmo que não concordemos com as suas escolhas de acumulo, ostentação e aparência. O Brasil é constituído por emigrantes, além dos povos originários que ainda são desconsiderados por muitos e pelos afro descendentes de escravos que ainda são segregados e criminalizados.

Nos últimos anos das grandes cidades do meu pequenito país foram banindo a sua população. Uma higienização. Quem não conhece essa estratégia lucrativa para a especulação imobiliária e contratos de trabalho  precário, isto é prestação de serviços? Os pequenos comerciantes, com as suas lojas e pequenos restaurantes foram fechando ali por 2010/ 2017 sensivelmente.  Agora a cidade está mais limpa e gourmetizável dando uma de castiça. Nos entretantos os governantes mandaram os qualificados embora. AGORA SIM ESTAVA BOM DEMAIS VIVER EM PORTUGAL DESDE QUE VIESSES COM CAPITAL PARA INVESTIR, COM UMA APOSENTADORIA DO TEU PAÍS, UMA BOLSA DE ESTUDO OU A TUA MÃO DE OBRA BARATA!


ETERNO RESPEITO AOS MEU CONTERERÂNEOS PORTUGUESES, MESMO QUANDO SE CANSARAM E DESISTIRAM DE LUTAR. MAS CONTINUAMOS VIVOS. MUITO AMOR GENUINO PARA NÓS TODES SEM MENTIRINHAS GOURMET!

A Piu

Campinas SP  05/02/2021



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O AMOR CURA

" Portuguesa... Colonialista... Imperialista.... Agora venho aqui no teu país para fazer o mesmo que vocês fizeram no meu! (...) E agora o que você está fazendo no meu país? Volta para o teu país! Ai se eu te pego!"

Pois, pois pois pois pois... Esta é uma fala que eu escutei algumas vezes ao longo de anos, vindo dum ex companheiro, pai da nossa filha... Um cidadão brasileiro que reproduzia uma narrativa oficial que só mais tarde, agora há coisa de poucos anos, vá digamos assim a modos que " vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre perdendo nem sempre ganhando, mas aprendendo a jogar".

A primeira vez que escutei fiquei lívida, todo o bronzeado das partes expostas ao sol derreteram como um toco duma vela. Já as partes que normalmente estão cobertas também ficaram dum transparente opaco sem descrição. Pensei: " Como alguém que eu amei tanto ao ponto de ter uma cria e que eu achei que me amava pelos mesmos motivos e que viu qual o meu oficio, o que eu pensava, escutava de música, lia e conheceu a minha família poderia trazer aquilo no coração em relação a mim, a nós? Há aqui qualquer coisa que não bate certo? Como alguém pode se envolver com outra pessoa se traz isso dentro do coração? Estive com alguém que nunca me enxergou, nunca me sentiu... Eu entendo que por ser indígena a sua dor seja profunda, serei incondicionalmente solidária com isso mas não posso permitir que nos trate mal ainda por cima com base em equívocos. "

Depois entendi que é uma narrativa oficial... Por isso pergunto-me como os brasileiros que  decidem morar em Portugal conhecem e sentem em relação a esse território e suas gentes. Principalmente agora que virou um parque temático, uma imitação de si mesmo com a temática saudosista dos navegadores "que deram novos mundos ao mundo" para vender pasteis de nata, vinhos, rotas turísticas e tudo o que é lucrável para um país que se vendeu ao turismo neo liberal. 

Obviamente existem outros Portugais e portugueses dentro desse panorama, assim como brasileiros e brasileiras. Mas fica a cutucação para sairmos do engodo dos equívocos e das violências várias e suas boçalidades como não enxergar uma mulher portuguesa, mãe sola, artista, pensadora como uma trabalhadora em terras brasileiras.

Se o silêncio não nos protege, como diz Audri Lorde, o dessilenciamento é vertiginoso. Relembra-nos algo que queremos esquecer, mas se não for olhado e compartilhado será sempre um varrer para debaixo do tapete. Há quem sinta aquela coceirinha das mulheres que escrevem e se expressam através de diferentes manifestações artísticas, intelectuais e outras áreas que para elas fazem sentido. Daí escarnecem, diminuem, relevam. Mas se formos olhar de longe e de perto quem o faz pauta-se pela lógica da mediocridade quer ganhe ou não benefícios com isso. 


Um grande agradecimento cheio de axé e haux haux a todes os seres que me tenho cruzado e criado vínculos aqui e além mar. Um agradecimento muito especial à querida Geni Viegas ( uma das pioneiras da palhaçaria feminina no Brasil que propôs fazer um espetáculo sobre relaçães abusivas) , ao Leo Tonon que topou nos dirigir a convite da mesma, à Adelvane Neia ( outra pioneira na palhaçaria feminina que me deu a oportunidade de entrar em sala de trabalho e subir a palcos em momentos de resiliência para me lembrar que posso estudar antropologia, arterapia e tudo mais mas primeiramente sou atriz palhaça). Quanto ao pai da minha filha, agradeço o aprendizado e segue o teu caminho em paz desejando que re encontres as tuas raízes ancestrais com as medicinas espirituais. O AMOR CURA!


A Piu

Campinas SP 04/02/2021

Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

SENHORES, SOU MULHER DE TRABALHO

Em 1976 os cineastas norte americanos Philip Spinelli e Robert Kramer testemunhavam os anos quentes da revolução dos cravos, luta trabalhista, anti fascista e anti imperialista portuguesa. O filme tem o nome de ' Cenas da Luta de Classes em Portugal' - Scenes from the Class Struggle in Portugal. Dá para ver que ambos estão do lado dessa luta que foi sendo refreada com o 25 de Novembro de 1975 - ano em que os países africanos, ex colónias portuguesas tornam-se independentes desse jugo. Alguns desses países viveriam mais umas mãos cheias de anos de guerra civil. Angola, por exemplo.

Em 1976, no Brasil vivia-se o auge da ditadura militar. Três anos já volvidos no Chile com uma ditadura igualmente tenebrosa, depois dum golpe duma democracia que prometia mais justiça e igualdade para os camponeses, operários e trabalhadores no geral. 

Do Brasil chegava a Portugal a MPB sem censura. O que até 1974 era passado muitas vezes clandestinamente. Quem era e é anti fascista admirava e admira todo esse movimento artístico e cultural produzido no Brasil. Porém, até hoje o que é contado no Brasil oficialmente na escola e outros espaços de suposta troca de conhecimento acerca 'dos portugueses' é redutor, creio que por conveniências várias. Primeiramente, os portugueses colonos fazem parte duma oligarquia, e todos os benefícios tirados desse saque nunca foi para melhorar a vida do povo português que viveu na pobreza e miséria num país oprimido pela monarquia e depois pelo fascismo e posteriormente pequeno aburguesou-se com a chegada do neo colonialismo, promovido pelas multinacionais europeias ocidentais e norte americanas e mais tarde pelo neo liberalismo protagonizado pela China.

Creio que existem inúmeras razões para se contarem histórias reduzidas e redutoras no Brasil e até se omitirem histórias várias. As histórias várias que se omitem redondamente são as dos povos originários deste território ameríndio. E muitas vezes quando é contada é pela voz do branco, mesmo que haja um paternalismo e assistencialismo. Outras vezes, é a apropriação pela apropriação. A pessoa de pigmentação clara estuda, segue a sua carreira duma forma promissora mas não se envolve com o povo e  tampouco o beneficia. As histórias de identidade cultural dos afro descentes também vão pelo cano. Quem aprende na escola as diferentes culturas africanas e ameríndias com profundidade dando dignidade aos seus descendentes Falar dos 'portugueses' como invasores, exploradores e saqueadores é  uma verdade, mas é uma parte da História de uma dada época, mas que até se pode perpetuar no tempo. Quem sabe que durante a ditadura militar houve uma revolução em Portugal com todos os contornos acima enunciados  Talvez não convenha saber que a maioria dos portugueses são trabalhadores, muitos deles explorados. Talvez não convenha lembrar que se mataram mais indígenas e população da periferia que nos restantes 500 anos. Sem, obviamente, tirar a responsabilidade dos portugueses e espanhóis num dos maiores genocídios da Humanidade cometido neste continente.

Esta é uma foto minha, com o meu mano Pedro lá atrás - nos idos anos 70 qualquer menina tinha um irmão Pedro, como a Heidi ihihih. Estamos perto do Datsun vermelho vinho do meu tio. É 1976 ou 77 e estamos na rua só de passeio. Talvez quando voltarmos para casa eu vou pedir para ouvir o Fungagá da Bicharada ou o cão Dom Pantaleão do José Barata Moura. Esse ícone da criançada filha da democracia.

Disse que falaria sobre feminismo vegano neste texto. Fica para o próximo, mas adianto já que a quebra de paradigmas é necessária para expandir a consciência. E isso faz-se gradualmente. Uma feminista não é necessariamente vegana. Mas um vegano ser machista acentuado ou ter atitudes misóginas precisa de se rever com mais urgência que uma feminista não vegana ou com o seu veganismo em curso. É a diferença de um ismo que oprime e o ismo que almeja libertação. Um homem que se disponha a escutar e a se desconstruir de facto é uma pérola no oceano.

Nos anos 60 e 70 já estavam em curso inúmeras práticas pacifistas para cuidarmos de nós, dos outros e do planeta. Pessoalmente não acredito na luta armada e  sou fã do Pepe Mujica por ele ter entendido isso sem nunca perder os seus princípios e ideais. Grande Mujica. Homem inspirador. Eu consider-o vitorioso, pois resistiu a 12 anos de prisão e isolamento sem perder o humor e a doçura, mesmo tendo ido ao fundo do fundo do poço. Admirável. Apesar de tudo ele começou por ser floricultor. Diz muito de si mesmo.

' Senhores, sou uma mulher de trabalho' é uma cantoria no final do filme.

A Piu

Campinas SP 03.02.2021