sábado, 31 de dezembro de 2011

"Poesias de trazer por casa"

"Poesias de trazer por casa"
"Num avião de papel existe uma folha em branco/Numa folha em branco podemos escrever o que quisermos/ Num avião de papel há uma página de jornal/ Há uma noticia que diz: A vida é real e não virtual!/ Num avião d
e papel existem mil percursos conforme o vento bater/Num avião de papel não existe o verbo sofrer/ No avião de papel existe o verbo voar/ dentro do verbo voar está o verbo amar/amar sem SES/ amar-SE a SI e aos outros/criando pontes e fontes/ aos montes/ aos montes/ aoooosss m...... Iuuuuuuuu tou a voaaaaar!!!!" 





Rodrigo Leão | Aviões de Papel

http://youtu.be/c7742c00S74

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Saquinhos de sarna

Em amena cavaqueira com um conterrâneo, cuja o anonimato preservarei devido à sua avançada idade e à respeitabilidade de sua figura na nossa praça, o dito lançou uma ideia genial!! Comercializar saquinhos de sarna aqui! Na República dos Falidos!!! O público alvo serão aquele grupo de esquerdelhos que nós todos tão bem conhecemos, duma esquerda caviar que há falta de dissabores reais se queixa só porque sim. Os saquinhos de sarna serão vendidos em doses individuais e/ou familiares com direito a coçarem-se in loco pelos mesmos ou por empregados contratados para o mesmo fim. Haverá serviço de take away e entregas ao domicilio. Pensamos ocupar um prédio devoluto em plena baixa lisboeta. Mais propriamente na Avenida da Liberdade. Atenção que a patente já está registada, mas aceitam-se propostas de marketing numa perspectiva de democracia participativa!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O acordo ortogrânfico

Acerca do acordo ortográfico que tanta comichão faz a alguns compatriotas: Eu ainda não entendo muito bem esta "guerra". De facto, não há fato no Brasil e sim paletó! O espectador é espectador em todos os lados, senão seria espetador. Se me apresento como actriz, também posso ser atriz. Considero atroz tanta história por uma língua que é viva e que não pode nem deve ser igual em cantos distintos do mundo. Faço um contraCto comigo mesma: o país onde estiver adapto-me ao seu modo de falar e escrever. Assim como assim, a língua é viva senão estaríamos a escrever e falando como Gil Vicente. Porém, vou escrevendo como posso e quero. Abrindo mão dos meus vãos orgulhos. É óptimo quando nos entendemos e otimizamos o nosso tempo em construir laços e não lapsos de compreensão.

Workshop de clown com Ana Piu De que tamanho é o céu?

OFICINA DE CLOWN COM ANA PIU


7 de Janeiro de 2012
10h-13h|14h-17h


De que tamanho é que é o céu?

O céu é do tamanho dos meus braços abertos.
O céu vai até onde os meus olhos podem e desejam ver.
O tamanho do céu, às vezes, é um tracinho quase fininho. Quando estou cá em baixo, entre prédios muito altos.
O céu pode ser enorme quando estou em cima de uma falésia de braços abertos. É tão grande que nunca sei onde começa o céu e acaba o mar.
O céu é do tamanho da minha imaginação e da vontade que tenho que ela cresça para dos meus braços abertos.
Quero abraçar o céu! O céu, quando fecho os olhos, é dum tamanho infinito e quando os abro numa noite escura estrelada posso viajar no cimo duma estrela cadente e ir para lá do que se pode ver.

Apresentação

“ O ser humano necessita de rir. Para compreender, para conhecer, para crescer e assimilar a realidade.” (Jara, Jesus pp.26)
“(…) por detrás de cada clown há sempre um ser humano que deseja expressar-se, comunicar-se com o outro e partilhar com os demais.” (Jara, Jesus pp 31)
infinita ternura

O nariz de palhaço é a máscara mais pequena do teatro. Ao contrário de cobrir, de esconder, o nariz dilata o rosto e as emoções que se expressam através de o olhar. Disponibilidade, vazio inocência, curiosidade, liberdade, compromisso, coragem, divertimento, disciplina, humor, imaginação, espontaneidade, prazer, esperança, amor, carisma são as forças motrizes que pautam o trabalho.
A segmentação da acção, o golpe de máscara, o contacto directo com o público, a pausa a três tempos e o foco da acção possibilitarão que a escuta, o estado de alerta, a visão periférica se afinem proporcionando uma limpeza nos gestos e nas acções.
Porém, a chave principal é prazer do jogo. Nesta oficina serão disponibilizadas ferramentas práticas para que esse jogo teatral aconteça. Conhecer o nosso corpo e as suas possibilidades é muito importante para que possamos jogar com ele e essencialmente brincar.

Conteúdos

. O estado do palhaço
. O prazer de estar no tempo presente
. O ridículo e a sua poética: ternura, paixão que o leva a exagerar sem ter consciência disso
. O Eu em relação com o espaço
. O Eu em relação com o outro
. Olhar - porta aberta para expressar, comunicar

Metodologia

Pedagogia do prazer, de estar a gosto.
Cumplicidade entre participantes
O nascimento do clown a partir de trabalho físico e improvisação
Busca do vestuário e objectos
Busca de nomes

Cada sessão será dividida em três momentos:
1. Jogos de aquecimento
2. Jogos de preparação
3. Propostas de improvisação com nariz



Ana Piu (Lisboa 1973)

Faz parte dos Doutores Palhaços do Operação Nariz Vermelho desde 2003. Lecciona clown  e teatro do gesto no Evoé e na Estal (Lisboa).

Orienta workhops de Clown em diferentes locais, nomeadamente no Teatroesfera, Mil e uma Danças entre outros. 
  Actualmente lecciona no Espaço Evoé aulas de Clown. No Teatroesfera encenou, juntamente com Paula Sousa, Achtung!  e Tim tim por tom tom, uma pesquisa em teatro do gesto e técnica de clown  
Trabalha como actriz de teatro, desde 1995, em várias companhias e projectos (Teatro ao Largo, O Bando, Teatro Joana, CENDREV, Teatro Meridional) e encenadores João Ricardo no Teatro Nacional em “Sonho duma Noite de Verão”, com John Mowat na companhia do Chapitô em “O Café”. Em 1999 criou Bip Bip Teatro apresentando o espectáculo “Das duas, duas e o chapéu de coco” em Portugal, Espanha e Brasil.
Colaborou com o Chapitô em animações teatrais. E é contadora de histórias em bibliotecas e outros espaços.
Faz parte do Teatro Ka, companhia de artes de rua, onde actua em “Uruboru” (espectáculo em andas)
Actualmente tem dois espectáculos em carteira “Dona Estrela” (teatro e contação de histórias) e “Já Tá” (espectáculo para bebés) a solo.
Em 1999/2000 leccionou aulas de improvisação e movimento teatral no Estabelecimento Prisional de Tires, orientou aulas de Expressão Dramática  alunos do 1º ciclo através do Teatro Esfera.

Protagonizou alguns spots publicitários, entre 1998/99, para a Mega fm, Sumol, Telecel, TV Marcelo.
            Fez dobragens no País Basco em 1999.
             Inicia a sua formação artística em 1991 no curso de actores do IFICT (Lisboa), ingressa em 1992 na Escola de Teatro de Évora. Em 1996/97 é bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar na École International du Thêatre Jacques Lecoq.
Ao longo do seu percurso artístico participa em vários workshops (Theatre du Mouvement, Stan, teatro do gesto com J. Mowat, etc…), assim como na formação interna promovida anualmente pelo Operação Nariz Vermelho direccionáda para o trabalho de clown. André Riot-Sarcey, Ângela de Castro, Sergio Claramunt, Ricardo Pucceti, Amy Hatab são alguns dos formadores internacionais desta vertente da arte performativa.
Participou em Agosto de 2011 no Odin week festival, Dinamarca.
             Licenciada em Antropologia no ISCTE- Lisboa.

Público alvo: 6 aos 666 anos
Horário: 10h-13h|14h-17h


Local
Junta de Freguesia de Santos-O-Velho 
Rua da Esperança 49, 1200 Lisboa
213 969 498 


+ info e inscrições


    sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

    Eu vou-me embora porque quero, porque viajar proporciona outros encontros, outros estímulos. Não me vou embora só porque os incompetentes que supostamente "lideram" esta bandalheira corrupta querem sacudir as pessoas daqui para fora. O país tá à venda, desta vez, sem escrúpulos alguns. ÀS VEZES, sinto vergonha de ter nascido aqui. E é duro sentir isso, porque nunca hei-de esquecer as minhas raízes. Porque não quero esquecê-las.


    A questão está em valorizarmos-nos enquanto pessoas, seres pensantes e actuantes e nessas características não existe pátria. O que o senhor Passos de Coelho está a pedir é que as pessoas se exilem, porque não lhe interessa ter pessoas pensantes e actuantes no "seu" país. Isso dá-lhe muito trabalho e não dá lucro. E o seu discurso, além de paternalista é caduco. Pedir ao aos professores para irem ensinar para Angola e Brasil? Ensinar o quê? Cidadania para a democracia? Então, serão necessários muitos professores cá para lhe ensinarem a ele e à sua comitiva. Caduco, porque é numa perspectiva neo colonialista. Ensinar ao terceiro mundo?É isso? Eu quero ir aprender! Aprender a aprender. A trocar conhecimentos.

    terça-feira, 20 de dezembro de 2011

    A old fashion!

    Há 11 anos atrás, precisamente, voltava eu de uma estadia de uns 6 meses pelo Brasil. Durante um almoço as pessoas começaram a falar dum tal Zé Maria.Zé Maria? Não tava a perceber nada. Era um daqueles amigos recentes que nos conquistam de primeira, uma personagem dum telenovela? "Pois, o Zé Maria é muito bom rapazinho. O Zé Maria quando disse não sei o quê na cozinha." Depois explicaram-me o que era o Big Brother... E eu que não assisto TV viajei numa dialéctica: estupefacção, "repugnância", riso e novamente estupefacção. Eu acabara de trazer uma alma ao mundo e o Zé Maria, naquele momento, estava mais presente na vida de cada um que a estroininha da Piu que foi dar à luz lá para o Mato Grosso. Ora, pergunto-me e questiono: Esta coisa do voyerismo, do real e do ficticío. Do virtual que se tornou uma realidade. Isto é o quê?Hoje o facebook pode ser uma ferramenta interessante para que a informação circule fora dos media oficiais e uma modo das pessoas se organizarem. Pode ser, claro, um local de encontro de pessoas que estejam à distância. Urge, no entanto, estamos atent@s a que as relações profissionais, assim como as relações afectivas e/ou efectivas se degenerem em qui pro quós (mal entendidos) pelo facto da esfera pública e privada se misturarem. E essencialmente nós seres humanos esquecermos de nos olharmos nos olhos, escutarmos-nos e tocarmos-nos. Assim como assim o telefone fixo permitia ouvirmos a voz uns dos outros e num arrebate de impulsividade de bater com o telefone. E não havia cá desculpas para a chamada cair ou acabar o crédito! Sou uma old fashion, mas acho que prefiro.

    segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

    Historietas de bolso da viscondessa da república dos falidos

    “Menina! Oh! Menina!”
    “Quem é esta? O que é que ela quer?”
    As duas ciganas aproximaram-se.
    “É pá! Insistentes!”
    “Menina! Oh! Menina! Não se lembra de mim?”
    Abrandei o passo e parei com o preconceito que teima em se instalar em nós mesmos, mesmo que façamos tudo para o descartar.
    “A menina não é a menina da poesia? Não se lembra de mim das prisões de Tires? JÁ CÁ TOU FORA!”
    Admito que naquele momento frases moralistas assaltaram o meu pensamento. Contive-me, controlei-me.
    “Agora vê lá o que faz!”;  ”Serviu-te de lição ãããhhh?!”; “ É muito melhor estar cá fora…”
    Baaaaahhhh! Moralismos da treta.
    Despedimo-nos e caminhei com um sorriso no peito. Estar presa não será obviamente agradável nem trará muito boas memórias aquela mulher. O facto de vir ter comigo daquela maneira foi um elogio para mim, uma lisonja. Eu faço parte das suas boas memórias e que não se esquecem. Ela lembrou-se da poesia! Curioso! As aulas eram de teatro. Mas o que é o teatro senão poesia?

    “Aaaahhh! Um dia quando tiver tempo hei-de fazer o que a menina faz!” Porreiro! Porreiro chamar-me menina!
    “Bom, um dia quando tiver tempo também hei-de fazer o que o senhor faz.”

    O que me deixa fora de mim é chamarem-me palhacinho! Palhacinho?! Não é que me incomode a questão de género. Assim como assim o palhaço é visto como um anjo ridículo sem sexo… é mesmo verdade que os anjos não têm sexo?
    Mas palhacinho?!... Fico podre com tudo o que seja diminutivo. Criancinha, velhinhos, caridadezinha.

    Então como vai o teu teatrinho? Isso dá para alguma coisa? As pessoas não vão ao teatro, não é?
    Por acaso nunca nos cruzámos.
    É preciso ter lata, jeito, não é?
    Lata… Talvez nós, os atores, sejamos uma cambada de enjeitados. O pianista pratica, o bailarino, o artista plástico. E o ator? Decora texto? E quando não há texto? E o corpo e a voz? Comé?
     Talvez eu seja maluca! Fechar-me numa sala a trabalhor o pré expressivo, o training. O physical training. Tou maluca! Sou uma free lancer. Sou livre para me lançar no espaço e zás! Não há rede, não há nada! E lá vou eu!! Se me esborrachar… Azar. Posso ir em voo picado ou planar por cima dos subsídios aos quais nunca tive direito. Nada pelo bigode.
    Olha, hoje sinto-me muito mais acompanhada. Hoje eu e o s meus colegas ar tristes não somos os únicos precários.

                Sinto-me a Viscondessa do país dos falidos. Vou auto gerindo o meu trabalho numa inquietação que só assim faz sentido me auto proclamar artista. Essa inquietação permite-me nunca estar desocupada. Tenho trabalho, mesmo que nem sempre seja emprego.

                Mas afinal o que é que nos move para continuarmos aqui? Conheci um encenador Iraniano na Dinamarca. Confesso que levei tempo a aproximar-me dele. Receios sócio culturais. A uma dada altura disse-me que o que o motivava estar no Irão era poder acreditar que poderia ser útil na mudança, por mais subtil que fosse. De seguida fui para Berlim e percebi que aquele iraniano com bigode de aitola era mais alternativo que os alternativos de Berlim. Onde a repressão é prato do dia mantermo-nos firmes na nossa motivação é um ato de resistência. É uma alternativa ao menu. Ser alternativo numa sociedade do excesso e “permissiva” é bem mais simples.
                Berlim passou por várias fases históricas bastante obscuras e hoje sente-se no dia a dia que as pessoas querem paz. E a paz deve começar dentro de nós. Mas confesso que tenho cá uma vontade de queimar os recibos verdes. Mas agora são electrónicos… E queimar o computador não dá muito jeito…

                Melhor artista, melhor pessoa.

                Por vezes sinto uma curiosidade mórbida quando me perguntam se custa muito trabalhar com crianças em fase terminal ou se só trabalho com crianças nesse estado.
    O que é acham?
    Há uma coisa que evito fazer: apiedar-me das pessoas, porque estas devem ser tratadas. De igual para igual. E é no lado saudável que devemos nos focar. E de vez em quando sermos politicamente incorrectos. Porque esta coisa de vivermos numa paz podre, sempre a sorrir e a acenar.
    Fingir que não se vê também é uma tomada de posição.


    Ana Piu,
    Lisboa, 19 de Outubro de 2011

    sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

    Já ganhei o dia!

    Depois de duas horas de espera, que deu para adormecer no elevador do Lavre e degustar um almoçito, lá fui atendida. Duas funcionárias para atender aquela malta toda. Uma mostrava um papel à outra e dizia:" Ah! Isso não dá!" A outra lá entabulou qualquer coisa."Ah! Só se a dótora permitir! A dótora é que decide!" "Pois, aproveitaram a ponte para vir tratar de papeis! Por isso é que eles querem acabar com os feriados!" Como se as pessoas tivessem real prazer em tratar de burocracias... E tivessem ali para tirar o descanso às senhoras...Bom, e por aí a fora...

    Lindo, lindo foi notar que uma daquelas molas de prender papeis segurava o seu arrumadinho cabelo. Perfeito! Par quê fecharmos-nos numa sala a criar? Primeiro há que sair à rua e observar a trágico comédia da vida! Já ganhei o dia!