terça-feira, 5 de julho de 2016

UM TEATRO A-SOCIAL?


Não se é a-social. Tornamo-nos a-sociais. Uma outra emigração uma outra emigração, semelhante à quela pelo pão, atravessa a geografia e a consciência da nossa sociedade. Está composta por desterrados, voluntários ou não, de uma país, duma religião, de uma ideologia, de uma classe. Muito pouco nos une em nosso passado, em nossa história, além do fato de que necessidades diferentes e distantes nos empurram à união. 

imagem: Odin Teatret, Roberta Carreri 


Nunca é possível estar "fora da sociedade". Apenas podemos divergir das suas normas.
A vontade se ser "a-social" é às vezes o sinal do mais profundo empenho para mudar. É girar a cabeça para outra direção, procurar o que possa ter de diferente desta sociedade que se quer recusar. Aquilo que se recusa se converte no que orienta, o Norte no qual se fixa seu olhar a fim de se afastar.  (...) Descobre em você uma imagem de vida diferente. Estuda-o como exemplo de um pequeno grupo que, mesmo vivendo no coração da sociedade, sem se desligar dela, constrói sua própria cultura: um organismo microscópico não-destrutivo, mas portador de outras formas de convivência.
imagem: Odin Teatret, Roberta Carreri


in: BARBA, Eugenio "Além das ilhas flutuantes", Editora HUCITEC, Editora Unicamp SP- Campinas 1991

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