terça-feira, 27 de novembro de 2012

ORQUESTRA DE VONTADES

Há que tempos que ando às voltas com esta coisa da liderança, de dirigir, de tomar  as rédeas, de tomar o touro pelos cornos, de tomar a iniciativa, de orquestrar. Talvez tudo o que eu pense, diga, fale, balbucie não passe de lugares comuns, banalidades, redundâncias sem importâncias. Mas também acho, eu cá acho muita coisa, que quando o que se sente vem lá das profundezas das vísceras não pode ser assim tão banal e superficial. Talvez não tenha uma argumentação sofisticada, mas a que é a sofisticação sem sentimento? Um sentimento vivido, observado, mastigado, cuspido, reciclado, aprofundado, simplificado construido, desconstruido e renovado?

O palhaço é um transgressor. Joga o jogo das hierarquias. Mostra o quanto elas são rídiculas quando arrogantes. E se o afirmo será por um  trabalho por mim desenvolvido com outros companheiros e companheiros deste oficio e que está  embutido no couro, na derme. Se improvisar é propôr, aceitar a proposta do outro, aceitarem a nossa proposta então improvisemos com base na escuta e códigos, alfabetos combinados, negociados. E se em vez de hierarquias chamarmos cargos, lugares de responsabilidade, funções especificas?

Bom, mas afinal o que é isso de dirigir? Dirigir uma casa, uma associação, um grupo, uma empresa, um Estado?  O que é assumir a liderança? É possivel liderar sem ser autoritário? Ser-se líder é impôr a nossa vontade ou orquestrar vontades comuns e ter a batata quente de tomar decisões dificeis, de tomar a iniciativa, de dar espaço aos outros para que sintam que aquele projeto também é deles? O que é liderar afinal? É ter um posto? Um estatuto para que os restantes bajulem e agradeçam muito mas muito por ter um chefe que tome as decisões por si. Liderar não é orquestrar? Valorizar cada elemento da equipa? Conceder responsabilidades e sub lideranças ?

Parece-me às vezes, a mim também me parecem muitas coisas, que se confunde um cargo, uma responsabilidade com algo mais haver com o  ego, cuja batuta é:”Se não estás comigo estás contra mim.”
Mas repito, pergunto-me e pergunto: liderar não será uma orquestra, uma polifonia com silêncios, intensidades, intencionalidades diversas?
Fale-se que está falido o ensino, a educação. Porque será?

Imagem: Maestro Kurt Masur

A piU
BR,nov.2012

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