quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

RIU DA FACA SEM FIO




E o riso ecoava. Quem passava estremecia com tal estridência. Acontecia mesmo que alguns tinham a infelicidade da digestão parar. E o riso chacoteava o ar dilacerantemente. A sua insegurança cobria-se num escudo feito de gargalhos esbugalhados perante o medo da solidão. Riso mecânico, riso de alerta envernizado de quases certezas. 

À noite a riso tornava-se asmático. Alguns diriam que era o pêlo dos seus amados gatos que lhe causavam farfalheira. Acenaria que sim, revestindo-se de argumentação plausivel para esconder esse vazio que sentia e não conseguia lidar.

Ecoava-se, ressonando-se como num beco sem saída. 
De um lado a faca, do outro queijo.
Ninguém no lugar dele queria estar, ninguém queria ser como ele, porém era ele que na mão tinha o queijo  e na outra a faca. E ria-se. Ria-se sabendo que no fundo no fundo o queijo era de mentira e faca não tinha fio.


A piU
18.12.2013



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