quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

NO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM E FALAM



 Farrusco conheceu o Fadista nas traseiras de um restaurante mesmo no centro da cidade. Farrusco foi abandonado de pequenino num beco sujo do terminal central. Habituado a ser enxotado com pontapés e baldes de água, encolhia-se fugidio ao primeiro gesto de afago e atenção de um qualquer transeunte.

Fadista, que já fora chamado de Benfica pelos donos da casa de onde fugiu, rosnava a cada movimento. Fora segurança de uma mansão num ba...irro nobre da cidade. Tirano, o seu dono treinava-o para guardar a casa rodeada a arame farpado. Restrito a uma dieta de água e um punhado de farelo de galinha Fadista, a na época Benfica pelo seu dono ser sósio ser sósio númeo 20346 do Futebol Clube do Benfica, revoltou-se. Num dia de chuva, enquanto o mercedes do Senhor Deodato Camafeu entrava záás fugiu.

Hoje anda pelas ruas alimentando-se dos restos dos mais conceituados restaurantes. Farrusco sonha em ter um dono, mesmo encolhendo-se todo po medo de levar pancada. Fadista ensinou-o a rosnar, mas ele prefere escutar música com o seu amigo. Rosnar não é a onda dele. Não curte rosnar nem morder. Curtem escutar Ramones. Riem-se a bandeiras despregadas com aquela: "I wanna be your dog".

moral da história: é divertido ter amigos, escutar música e rir a bandeiras despregadas

pipiripipiu
Br, 26.12.2013
 
 
 
 
 

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