quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

HOMENAGEM A CASTRUNUOVO



Julio Castronuovo foi o meu primeiro professor de mimica. Lááá em Évora do Portugal. Lááá no ano da graça do senhor de 1993 ou 94. Despertou em mim o fascinio pelo teatro do gesto, apesar da mimica e da pantomima serem técnicas que eu tinha dificuldade em dominar. "Cinco anos de trabalho para cinco minutos de apresentação" dizia. Foi ele quem me falou da Escola do Jacques Lecoq, LÁ NO paris da França.  Na cidade dos deslumbramentos. Na cidade do ça va, ça va pas. Não descansei enquanto não consegui uma bolsa da Gulbenkian. E lá fui eu dois anos mais tarde saber o que era a mimo dinâmica, a máscara expressiva e larvar entre outras propostas da sua pedagogia.

As aulas do Castruonuovo eram pautadas pela lenga lenga dos pés caminhando no mesmo lugar: "Meia punta punta calcanhar meia punta punta calcanhar".
Essa caminhada deixou sementes para os que ficam. Grata, senhor Julio, por me ter cruzado no caminho da vida con vos otros.

Ana Piu
Brasil, 12.12.2013




Morreu em Madrid o encenador e professor Julio Castronuovo. Grande amigo do FITEI, festival que acompanhava todos os anos, dirigiu em Portugal peças para a Seiva Trupe, Teatro Experimental do Porto, CENDREV, Companhia de Teatro de Almada e Teatro Constantino Nery. Recentemente tinha publicado o livro Lecciones de Pantomima, uma novidade editorial pela temática e pelo perfil do autor, encenador e mimo, com um trabalho teatral equiparado a Etienne Decroux, Jean-Louis Barrault ou Marcel Marceu. Nascido na Argentina, mas há muitos anos radicado em Espanha onde foi professor na Real Escuela Superior de Arte Dramático (RESAD), Julio Castronuovo era um dos grandes estudiosos da obra de Samuel Becket, de quem foi amigo, tendo montado diversas peças do dramaturgo e escritor irlandês.

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