segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ARTE COMO EXERCÍCIO DE CIDADANIA

Muitos perguntarão: " Mas para que serve a arte?" Outros afirmarão que a arte é bem um secundário. Outros ainda dirão que sem expressão artística a nossa identidade se evapora na noite escura sem sonho. Há quem diga ainda que fazer da vida uma obra de arte é O DESAFIO, é A  MISSÃO.
Muitos escolhem ser artistas por diferentes, diversos e variados motivos. Uns porque gostam de ser aves raras, outros porque sonham ter sucesso e serem o centro das atenções, outros ainda porque encontram na arte uma forma de se expressarem. Vamos combinar! É um estilo de vida. Uma escolha. Como todas as escolhas, esta tem um preço. Como quantificar o preço da arte? Lanço então o desafio. A arte não se quantifica, porém viver dela pode ser um caminho tão honesto e necessário como ser padeiro, médico, massagista e outras profissões que alimentam o nosso viver.

Foquemo-nos agora na arte da palhaçaria. O que é isso de ser palhaço? Em poucas palavras não me intimido em afirmar algumas características que o movem: coragem, esperança, inocência, ingenuidade, generosidade, amor, alteridade, aceitação do que está acontecendo no "aqui e agora". O palhaço não tem medo de falhar, aceita o fato de ser falível. Não quer ser o vencedor. A sua vitória é ser vencido, mas não desiste. Quer jogar. Quer se relacionar. É isso. Exercita a escuta e atenção. Não nega as propostas, agindo segundo a sua lógica. Ele É. É politicamente incorreto porque se ri do seu ridículo e de outras ridiculitudes. Ri junto. Ri de si com o outro. Rir do outro é perpetuar relações hierárquicas do melhor é pior. Relações de cima para baixo. Rir do outro é perpetuar preconceito. E perpetuar preconceito é uma violência. As ideias pre concebidas do que é diferente e estranho de nós existem, mas é nosso dever erradicá-las. O palhaço é ético porque pacifista. Ri de igual para igual dos abusos de poder e outras loucuras. O pacifismo é algo que não faz mal nenhum exercitar desde a mais tenra idade. A arte não servirá para isso? Para nos transcendermos? Para sermos melhores seres humanos? Eu gosto de acreditar nisso. Acreditar que as gerações seguintes possam exercitar a sua loucura saudável, levarem a sério não se levarem demasiado a sério. Isso parece-me ser um ato de cidadania. Brincar com respeito ao próximo e a si.  Gosto da ideia posta em ação.


Ana Piu e seus amigos no FIAR (festival internacional de artes de rua, Portugal 2012)



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