terça-feira, 25 de setembro de 2018

A VIAGEM PELO CAMINHO DO CORAÇÃO*

- Tem de ser um homem forte, e sua vida tem de ser verdadeira.
-  O que é uma vida verdadeira?
- Uma vida vivida com propósito, uma vida forte e boa.
CASTENEDA, Carlos " The Teaching of Don Juan"(1968) 
Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum.  São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato.  Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta do meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto  você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece.

CASTENEDA, Carlos " A Erva do diabo- um bruxo índio revela a realidade que existe dentro das alucinações" titulo origuinal " The Teaching of Don Juan"(1968)  ( tradução de A Piu: Os ensinamentos de Dom Juan" . Edibolso, São Paulo: 1976.

* Titulo de A Piu


- Procure e veja as maravilhas em volta de você. Está cansado de olhar só para si, e essa fadiga o torna surdo e cego para todo o resto.
- Tem razão, Dom Juan, mas como posso modificar-me?
- Pense na maravilha de Mescalito brincando com você. Não pense em mais nada: o resto virá por si.
CASTENEDA, Carlos " The Teaching of Don Juan"(1968)

LIBERDADE E EMANCIPAÇÃO PARA TODAS, TODES E TODOS*

" Se pudéssemos escolher, provavelmente preferíamos os privilégios (...) Além disso, as pessoas têm vergonha de estar no lugar de oprimidas. Vergonha de serem mulheres, de serem negras, de serem pobres. Vergonha desses legados de classe em uma sociedade que mede os outros pela cafonice autoritária do
" berço ". Por isso o argumento do mérito soa sempre tão precário. (...) Mesmo pessoas muito pobres preferem muitas vezes defender a chamada " meritocracia" a entender a opressão que impede tanta gente de viver em condições melhores e desenvolver potencialidades no sentido de terem o direito a se tornarem quem são. (...)
Contudo, de nada adianta dizer-se feminista sem lutar pela transformação da sociedade. Essa transformação, por sua vez, implica perceber que as mulheres são uma forma de classe trabalhadora. (...)
A questão da representação das mulheres na vida política é bastante grande. Quando pensamos nos percentuais ínfimos de participação, ficamos perplexas. Como é possível que, mesmo que representem mais de metade da população mundial, as mulheres estejam tão longe da política como instância de decisão sobre a sociedade? (...)
A história das mulheres poderia ser contada como a das vítimas (...) A mais difícil das condições é a da vítima, pois, mesmo quando espancada e assassinada, culpada e proscrita, vítima é aquela que desperta no seu algoz o desejo de espancar e assassinar. O sistema de violência opera por repetição duma lógica. O feminismo crítico e autocrítico deve pressupor o sadomasoquismo que envolve sujeitos e instaura o laço social entre eles. O que chamo de sadomasoquismo não é uma ordem de prazer e desprazer eleitos por pessoas, mas um jogo de poder que usa os aspectos do prazer e do desprazer contra os próprios sujeitos implicados nele e muito para além do que eles significam no sentido mais simples. De um lado há os que se põem no lugar de algozes, de outro há as vítimas. (...)
Penso que agora em nosso país sob um Golpe que começou em 2016 e que, durante a escrita deste livro. ainda não terminou. Um Golpe que foi uma violência contra a mulher e instaurou uma ditadura machista, insidiosa e cínica, como todo o machismo. (...) Penso em uma sociedade em capaz de ajudar, educar e cuidar de cada um de seus cidadãos. Uma sociedade de direitos fundamentais. Um Estado para o povo, e não para a elite privilegiada e autoritária. (...)
O feminismo em comum é um convite e um chamado para o diálogo e a luta. Aceitá-lo é uma questão de inteligência sociopolítica e de amor ao mundo."
TIBURI, Marcia " Feminismo em comum para todas, todes e todos" , Rosa dos tempos. Rio de Janeiro: 2018.
* título: Ana Piu


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LEVANDO-SE PELA LEVEZA

" As pessoas costumam lamentar a decaída do corpo comparando o corpo presente a um corpo do passado. Antes eu era assim, diz a recente surda, nunca tive problemas nas costas, diz o mais novo corcunda. (...) Mas ao contrário do que as pessoas preferem acreditar, a maioria das coisas que nos acontecem são irreversíveis. Eu tinha ganho manchas de sol que apareciam para sempre e meu olhar sobre o mundo não era o mesmo. Era mais brando e mais aberto. Foi com esses olhos que olhei (...) e me preenchi até transbordar com a euforia dos três segundos em que se decide pelo apaixonamento ou por passar ao largo. (...) Como quase todas as coisas que nos acontecem, muito do amor é acidente, mas muito é decisão. "
Dantas, Julia " Ruína y Leveza", não.editora, Porto Alegre. São Paulo: 2016
Foto: Rafaela Gabani
Paisagem - Feira De Impressões.
A Piu acompanhada da avó Zulmira. A avó das avós, uma velha mais velha que todas as velhas mas não tão velha como a Senhora do Silêncio e de Vitor Vitorioso, o guardião dos pássaros livres e das florestas.

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Pássaros livres sabem voar e amar.
A Piu
Foto: Rafaela Gabani 
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OH COISINHO! COISINHO! CAI FORA! OS ' DINOSSAROS ' SÃO MEMÓRIAS PRÉ HISTÓRICAS!



" Toda vez que vemos mulheres representadas em pinturas, desenhos, novelas e filmes feitos por homens, podemos nos perguntar se em sua narrativa eles foram machistas. Também podemos nos indagar se as próprias mulheres o são quando, ao se tornarem narradoras, assumem a lógica machista sem muita consciência. Não adianta responder que as mulheres são vitimas do patriarcado, pois ele conta com a adesão das vítimas ao seu jogo de linguagem. Além disso, esse tipo de argumento reduz as mulheres a pobre coitadas, o que empobrece o sentido da luta feminista, que se contrapõe a tudo isso. (..)
Nessa linha, podemos nos perguntar: quando o presidente golpista da República, em um 8 de Março, fez seu comentário infeliz relacionado às mulheres e economia doméstica, num tom que transitava do desconhecimento de economia ao desconhecimento da vida das mulheres, podemos pensar que ele falava como um homem muito antigo, como um ignorante quanto à luta das mulheres por direitos, quanto à vida das mulheres como trabalhadoras, como profissionais, artistas, etc? As mulheres vivem em nossa época apenas como donas de casa, na visão daquele homem antigo Contudo, não se trata apenas disso.
Como representante do culto da ignorância machista, a fala do presidente do Golpe é estratégica. Se de um lado, podemos supor uma tentativa de mistificação das massas de mulheres que de fato também são donas de casa- fingindo que elas são principalmente isso, que não são trabalhadoras e profissionais nas mais diversas áreas-, de outro, vemos ressurgir a velha esperança do machismo: de que as mulheres fiquem em casa a esperar sentadas, que não entrem na política, muito menos com a consciência política à qual damos o nome de feminismo.
TIBURI, Marcia " Feminismo em comum para todas, todes e todos" , Rosa dos tempos. Rio de Janeiro: 2018.
* título: Ana Piu
foto: palhaça Bell Trana d'Talll- Ana Piu em Palhaças do Mundo/ Brasília 2017
credito: estúdios carbono


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O SOM DO SILÊNCIO

Falar de relações abusivas é encarar de frente, olhos nos olhos a sombra, a escuridão. Não só a dos outros e outras mas também a nossa. Sairmos do lugar de vitima e também deixarmos de negligenciar o que nos magoa achando que a elevação espiritual, a transcendência está em refutarmos todo e qualquer pensamento e sentimento que consideramos negativo, porque isso não é luminoso. Mas não é disso que se trata. Onde há luz, há sombra. Onde há ego também há Eu. Auto conhecimento é um longo caminho que ninguém pode fazer por nós. Mais que um direito é um dever, um compromisso para com nós mesmxs. Principalmente. Depois, por consequência, para com quem nos rodeia e para quem deixamos o legado. Sejam filhos, filhos dos nossos amigos, alunos. Crianças que um dia também serão adultos, se tudo correr bem.

Ter conhecimento não significa necessariamente ter sabedoria. E se não investimos na sabedoria em algum momento a vida empaca, emperra, desmorona-se. Ninguém está imune a isso, nem mesmos os mais 'elevados", porque as armadilhas do ego estão aí, à espreita. Todas as quartas feiras da semana cabe a mim, Ana Piu- palhaça Bell Trana D'Tall, alimentar a página do Ar Dulce Ar- um espetáculo de palhaçaria feminina sobre a violência contra a mulher. Assim sendo, hoje é o dia, quer você esteja lendo hoje ou daqui a muitos segundos, horas, dias e até anos.

Nestes dias chegou até mim uma noticia impactante, em tempos de campanha eleitoral no Brasil onde os ânimos andam assim a modos que alterados. Como 'estrangeira" digo: " Pessoal! Gente! Sabiam que no Brasil eu reencontrei o Amor? Eu estou a montar um teatro de miniatura que é a Viagem de Maria da Luz. Supostamente ela viagem ao deserto Sahara para se encontrar. Mas isso é uma imagem, uma figura de estilo. Foi aqui, em território brasileiro que escutei o canto da terra, o som do silêncio que traz Amor, a voz dos pajés, representantes do povo nativo. Então discursos armados de raiva, ódio, medo, preconceito não rimam com o potencial que este território e povo tem!"

Mas voltando a essa noticia impactante. Dizem por aí, que alguns líderes espirituais, para uns e umas consideradas de "gurus" têm exercido assédio a quem os segue. Bom... Dá que pensar muita coisa. A primeira é que as armadilhas do Ego são muito malucas. Espertalhonas! Temos que ficar espertxs com essas malditas armadilhas. Depois, entender quais as expectativas que colocamos nesses líderes, quem diz líderes, diz parceiros e parceiras de trabalho e/ou de intimidade.

É quase sempre muito difícil de aceitar que alguém da nossa convivência, que muitas vezes nos é querido, possa ter assediado, abusado. No meu ponto de vista há que olhar para isso com firmeza e tranquilidade. É fácil? Não,
 claro que não. Daí, teremos que respirar fundo e observar o que leva alguém ou até mesmos nós a sermos abusivos. Isso tem que ver com o tal de auto conhecimento, que em alguns meios é alvo de chacota. Por exemplo, entre alguns eruditos que só se concentram da garganta para cima, empinando o nariz, asfixiando a alma e o coração. Essa da alma ser só para os religiosos é balela. Aliás, há muitos religiosos que não são espiritualizados e muitos espiritualizados que não são religiosos. Estar conectado consigo mesmo e com a intuição não está forçosamente ligado a religião e/ ou instituição.

Como identificar transtornos de personalidade? Como adotar um caminho de cura para os mesmos?

Deixo aqui dois links entre muitos outros. E até para a semana! Que rir faz muito bem à saúde!

57 COMPORTAMENTOS QUE IDENTIFICAM RELAÇÕES ABUSIVAS
https://www.contioutra.com/57-comportamentos-que-identificam-relacoes-abusivas/

E QUANDO VOCÊ É A ABUSIVA DA RELAÇÃO 
http://www.lamoonier.com/2017/06/e-quando-voce-e-abusiva-da-relacao.html

TRATAMENTO DE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE 
https://psicologiario.com.br/tratamento-dos-transtornos-de-personalidade/




LEVANDO-SE PELA LEVEZA

" As pessoas costumam lamentar a decaída do corpo comparando o corpo presente a um corpo do passado. Antes eu era assim, diz a recente surda, nunca tive problemas nas costas, diz o mais novo corcunda. (...) Mas ao contrário do que as pessoas preferem acreditar, a maioria das coisas que nos acontecem são irreversíveis. Eu tinha ganho manchas de sol que pareciam para sempre e meu olhar sobre o mundo não era o mesmo. Era mais brando e mais aberto. Foi com esses olhos que olhei (...) e me preenchi até transbordar com a euforia dos três segundos em que se decide pelo apaixonamento ou por passar ao largo. (...) Como quase todas as coisas que nos acontecem, muito do amor é acidente, mas muito é decisão. "

Dantas, Julia " Ruína y Leveza", não.editora, Porto Alegre, São Paulo: 2016

Paisagem - Feira De Impressões.Foto:  Rafaela Gabani
 - A Piu acompanhada da avó Zulmira.A avó das avós, uma velha mais velha que todas as velhas mas não tão velha como a Senhora do Silêncio e com Vitor Vitorioso, o guardião dos pássaros livres e das florestas