quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Diário de bordo e outros considerações acerca dos movimentos das paixões do amor- OLHO VIVO E PE LIGEIRO



"Olho vivo e pé ligeiro!". Já dizia o meu avô Alfredo, mais conhecido por Cunha e ao que dizem que todos os nomes começados por "Al" são de origem árabe. Que sejam! É meio que evidente! Nascemos ali naquele enclave entre a terra e o mar, num vai que não vai num baile das rosas dos ventos. " Mouros" desdenham os nortenhos portugueses numa rixinha secular entre se fica aqui ou vai se para alá. Enfim, mesmo assim prefiro a praia do Meco. 😜Olha a private joke! Ou melhor a piada local, nacional.
Voltemos! Esse meu avô sempre dizia essa frase quando levava o seu filho à cidade. Imagine se o fluxo de trânsito e de pessoas comparados com os dias de hoje!
Hoje, por força das circunstâncias, eu lembro me dessa expressão para toda e qualquer situação em que o movimento de almas que ora se aproximam, ora se afastam. Como uma dança!
Uma expressão assaz muito pertinente, pois numa frase só chama-nos a atenção para a importância de observarmos com cuidado e já agora carinho para que haja firmeza no encontro. E também ligeireiza. Isto é, leveza. Que isto não há vida para passar uma vida inteirinha com o olhar turvo e pé pesado. Como podemos voar? Amar? Nos apaixonar e todas as coisas que nos dão ar para respirar? Ah pois, pois é!
As raízes, do que é já é, sempre resistem aos muros. Um muro medir forças com uma árvore! Ah Essa é boa! Pura ilusão! Vitoriosos são aqueles que se enraizam para se poderem apaixonar, amar! Amar rima com abraçar que é muito diferente e oposto até de abafar.
Olho vivo e pé ligeiro! E a vida sorri! Esta última frase é um slogan publicitário do tempo em que o meu avô era vivo e trazia chocolates quando viajava para mim e para o meu irmão. Chocolates da vizinha Espanha. Até há uns que dizem: " Da Espanha nem bons ventos nem bons casamentos!" Preconceitos... E preconceitos são como pedras no sapato. Vitória para quem dispensa preconceitos!
Agora vou no caminho vermelho, o do coração com olho vivo e pé ligeiro!
A Piu
Br, 15/12/2018
Esta raiz no muro parece um rosto duma pessoa. Bárbaro!

A imagem pode conter: planta, árvore, ar livre e natureza

EMANCIPAR A PARTIR DO INTIMO PARA ERRADICAR RELAÇÕES ABUSIVAS

' De fato a vivência artística está tão inacreditavelmente próxima da vivência sexual, de sua dor de seu prazer, que os dois fenômenos na verdade constituem apenas formas diversas de um mesmo anseio e de uma mesma ventura. (...) Sua força poética é intensa como um impulso primitivo, ela possui alguns ritmos próprios violentos e jorra como uma montanha.
Contudo, parece que essa força nem sempre é sincera e sem vaidade. (...)

Quando então, irrompendo em seu ser, essa força chega à sexualidade, não encontra ali um ser humano, inteiramente puro, como necessitaria encontrar. Há ali um mundo sexual que não é totalmente amadurecido e puro, um mundo que não é suficientemente humano, apenas viril, que é cio, embriaguez e intraquilidade, carregado com os velhos preconceitos e vaidades com que o homem deformou e sobrecarregou o amor. Como ele ama apenas enquanto homem, não enquanto ser humano, há em suas sensações sexuais algo restrito, aparentemente selvagem, enraivecido, temporário e efêmero. (...) Os homens convertem até mesmo o ato de comer em uma outra coisa: carência por um lado e excesso por outro obscurecem a clareza dessa necessidade. (...) quando ele cria a partir de seu intimo está dando à luz. Talvez os sexos tenham mais afinidade do que se considera, e a grande renovação do mundo talvez venha a consistir no fato de que o homem e a mulher, libertados de todos os sentimentos equivocados e de todas as contrariedades, não se procurarão mais como adversários, mas como irmãos e vizinhos, unindo-se como seres humanos, para simplesmente suportar juntos, com seriedade e paciência, a difícil sexualidade que foi atribuída a eles."

Rilke , Rainer Maria 1875-1926 ' Cartas a um jovem poeta" Porto Alegre: L&PM, 2009.



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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

COMO IDENTIFICAR QUE ESTAMOS NUMA RELAÇÃO ABUSIVA

Andei aqui a escolher uma imagem para o texto desta semana. Ocorreu-me colocar ' Batman o príncipe das trevas", pela sua figura ser a de alguém mascarado/ coberto e se apresentar como o príncipe das trevas. Embora sendo amante de longa data de  livros de quadrinhos, gibis, banda desenhada não sou grande conhecedora da produção norte americana, porque super heróis não é a minha praia. Então, optei por escolher a imagem do Barba Azul, pois conheço a sua história que se relaciona diretamente com a temática do texto.

Tanto mulheres, como homens e outros gêneros assumidos podem ser abusivos e/ou serem alvo de abuso. Então, ser abusivo mais do que uma questão de gênero é uma relação de poder. Embora a força física muitas vezes é usada como forma de coação. Mas também existe a psicológica que é tão ou mais nociva que a física.

Alguém que é abusivo não se conhece a si mesmo o suficiente, por isso projeta no 'outro' a sua ignorância de si próprio. Existem vários tipos de relações abusivas. Uma relação, como a própria palavra indica, é algo que se estabelece entre duas ou mais pessoas.  Então numa relação abusiva existe a co responsabilidade de alimentar algo. Também existem comportamentos abusivos. Esses são indícios duma relação abusiva. Por isso há que prestar atenção a esses sinais antes de se enfiar numa grandessissima roubada.

Vamos então lá o iniciozinho duma relação que ainda embrionária já demonstra ter traços abusivos. Alguém que sem nos conhecer suficientemente ou até mesmo muito pouco ou quase nada acha que pode invadir a nossa privacidade. Existem várias formas de invadir a privacidade, fica ao critério de cada uma e cada um que está a ler este texto fazer uma revisão das vezes que se sentiram invadidas ou que tomaram consciência que estavam invadindo. Normalmente, quem é abusiv@ tem uma certa, se não bastante, dificuldade de saber que está sendo abusivo por isso é que é abusivo. Mistura o seu medo com a necessidade de controlar, desvalorizar a outra pessoa para se valorizar. Demonstra uma grande insegurança, por carência de (auto) amor.

Estarmos com atenção aos pequenos sinais e sermos firmes intimamente para o que queremos para o nosso bem estar físico e psíquico é caminho andado para não alimentar relações abusivas que se pautam no abuso de confiança ( olha a redundância!) e na ignorância de si mesmo, logo da outra pessoa ( olha a repetição das ideias no mesmo texto!). Só para reforçar que saber identificar comportamentos abusivos e não confundir com gestos de amor poupa-nos de muitos dissabores! Ah! Só para finalizar! Alguém que tem o hábito de ser abusivo gosta sempre dar aquela teatralizada que sofre de amor e é incompreendido. Enfim. A nossa alma, espírito e o nosso corpo são templos de liberdade, entra quem convidamos a entrar com sabedoria.

Beijos e abraços e até à próxima semana!
Ah não se esqueça de curtir, se curte, a página no facebook " Ar Dulce Ar"- espetáculo de palhaçaria feminina sobre erradicação da violência contra a mulher com Geni Viegas e Ana Piu com direção de Leonarado Tonon e assessoria artística de Adelvane Neia.

Ana Piu
Br, 28/11/2018




DIZ-ME PARA ONDE VOU QUE IREI! ( série: o mundo é branco e preto?)

Mais dia menos dia o Natal está aí. Uns o comemoram, outros mais ou menos e outros nem por isso. Mas quem o comemora que o comemore de coração com pessoas onde o apreço e o respeito seja mútuo. No meu ponto de vista é uma quadra para aqueles têm que se encontrar,  encontram-se sem necessidades protocolares, do tipo: " Ai porque é tradição! Ai porque é família!" Estes últimos meses no Brasil têm sido uma piada, que nem dá para qualificar... Mas dá muito que pensar. Famílias e amigos de longa data que se incompatibilizam porque os monstros, as cegueiras, os egoísmos, os tabus, os preconceitos, o defender algo como se fosse um time de futebol e mais uma série de padrões comportamentais que se perpetuam de geração em em geração vieram ao de cima. Também dá que pensar que uma boa parte da população não está politizada e sensibilizada para as questões de classe, exploração do trabalho, novas formas de trabalho de equipe, mais cooperativas e respeitosas em que produtividade aumenta por isso pretenda dum momento para o outro defender causas sustentadas em informações que a mídia oferece, sem se preocupar em buscar várias fontes e PRINCIPALMENTE pensar pela sua própria cabeça sem juízos de valor precipitados, aceitando a primeira pratada de marketing que lhes é oferecida.


Viramos o século e o milénio. Uns já desacreditados de todo e qualquer regime, outros ainda intimamente colocando algumas esperanças nas suas utopias que os regimes trataram de distorcer e desvirtuar. Mas a questão talvez esteja em que uma boa parte das pessoas sentem uma imensa necessidade de serem lideradas, porque assim é mais fácil. Como vivemos na era do empacotado, porque não umas ideias fora de prazo empacotadas? Sim, porque ter autonomia requer trabalho, dedicação, aprofundamento no auto conhecimento. Como podemos exigir aos outros quando não fazemos a nossa parte? Como posso terceirizar a minha felicidade num líder, guru e outros tantos que por serem humanos são falíveis. Daí, quando esse alguém onde depositamos tanta expectativa não corresponde ficamos de amuo, de cara fechada, biquinho e braços cruzados: "Já não quero mais ser seu amigo! Vou votar no outro ou vou seguir o outro só para te chatear!" Em suma, uma lógica em que nos desresponsabilizamos de sermos sujeitos históricos para encontrar um bode expiatório. E assim vamos saltitando de bode expiatório em bode expiatório.

Se é para acreditar em algo, eu acredito na expansão da consciência, na reconexão com a nossa essência, com a intuição que nos conduz para o caminho da amorosidade e do amor, em que vamos passo a passo reprogramando a nossa mente para nos limparmos de pensamentos tóxicos onde o que prima é a comunicação não violenta. Como muito dizem: " Não queira ter sempre razão, queira sim ser feliz!" Oh desafio herculico!

Ah! E quando ignoramos algum tema ou nunca nos ocorreu pensar em tal coisa em vez de personalizar e se ofender, enchendo as peitaças para esconder o orgulho ferido, baixarmos a guarda e buscarmos mais respostas dentro de nós e já agora termos a curiosidade de nos informarmos e estudarmos em vez de acharmos o que nem buscamos. Uma questão de humildade, por assim dizer.

pi U
Br, 28/11/2018

black_and_white_man_ray_1926




terça-feira, 27 de novembro de 2018

Menina, mulher, moça respirando pausadamente na companhia de cravos.
A Piu
Br, 27/11/2018


Pintura de 'Isabelle Tuchband' (Taubaté, 1968) que é uma artista plástica franco-brasileira contemporânea. Participou de várias exposições nacionais e internacionais e desenvolveu diversos projetos artísticos, inclusive uma obra de arte pública em São Paulo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO DADAISTAS?

Uma amiga enviou-me esta foto, dizendo que eu parecia com ela.  Tá. A minha avó não era baronesa, e sim camponesa mas esta pode ser uma tia avó que nós deixamos mais a norte de onde nasci. ;) :D Hoje a onda é reinventar o dadaismo numa movimento nova eraistico, entre passos de pacha mama, dançando com shiva num kundalini circular..


O amor é um sentimento
Ah pois é! olaré!
O amor que fica no pensamento
Não é um amor hidrocefálico?
O amor, nem a paixão se disputam.
Ou disputam-se?

O que é para ser É
O que não é para ser deixa ir. O que foi já foi. Passou. O caminho continua, de preferência leve. Sem apego.

O amor é dada e recebe.
Assim como a paixão, a amizade e tudo o que nos faz sentir bem ao lado uns dos outros.

O caminho do coração
mostra o que é essencial e o que é fícticio.
No caminho vermelho, o do coração
o amor é o que é sem disputa.
Disputa é duvidar do caminho do coração.
Cada um tem o seu.
Uma questão de confiar
e tudo fica mais leve.

Amar é fazer acontecer. Ah pois é! Olaré!

A Piu
Br, 23/11/2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

QUEM É A MULHER BRASILEIRA?


Viviane Mosé (Vitória, 16 de janeiro de 1964) é uma poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou sua tese de doutorado Nietzsche e a grande política da linguagem em 2005 pela editora Civilização Brasileira. (...) Viviane Mosé é hoje uma das palestrantes mais requisitadas do país. Fala sobre educação, cultura, sociedade, sempre tendo em vista os desafios do contemporâneo.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Viviane_Mosé
 
" O pensamento é nossa dignidade, porque nos permite vencer o sofrimento, não por meio da eliminação da dor como tem tentado a modernidade, com suas infinitas fábricas de ilusão, mas por meio de uma afirmação da vida em sua totalidade, ou seja por meio de uma interpretação da vida que inclua o sofrimento. O homem deixa de ser arrastado pelo sofrimento quando o utiliza como o impulso em direção a jornadas cada vez mais difíceis. O sofrimento é impulso para a vida,  e o que dignifica o homem é sua capacidade de afirmar aquilo que o aflige, invertendo a direção das forças.

Todas as coisas podem ser interpretadas de infinitas maneiras, esta maleabilidade do pensamento, ou seja, sua capacidade perspectiva, ficou adormecida em função do valor dado à verdade no pensamento ocidental, mas pode ser retomada.
Ver o mundo a partir de novas perspectivas é a meta, não mais uma cultura que se componha desde seu princípio como uma contranatureza, mas uma cultura que tenha como alvo afirmar a vida, fortalecê-la.

Em vez de negar o sofrimento constitutivo de tudo o que existe, a cultura  pode se dedicar  a fortalecer o homem, tornando-o capaz de enfrentá-lo. Podemos vencer a dor sentindo-a plenamente  , utilizando como estimulante a arte, especialmente a música, o pensamento afirmativo, a contemplação da natureza, o corpo. O homem pode utilizar a dor como impulso para a vida, mas para isso precisa ter coragem de admitir seu vínculo e sua submissão à natureza."

MOSÉ, Viviane " O homem que sabe? ", Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 2014.

Por estes dias vinha pensando escrever o texto da semana em homenagem a alguma mulher brasileira que tenha impactado na sociedade brasileira. Foram e são várias. Umas mais visíveis, outras nem tanto por motivos vários. Definir o que é a mulher brasileira é duma complexidade tão imensa que provavelmente é inglório tal feito porque será sempre redutor. O povo brasileiro nos últimos 500 anos é o encontro e desencontro de pessoas de muitas origens, histórias, paixões, abusos, incompreensões e também compreensões.

A mulher brasileira antes de tudo é aquela que nasceu ou sente-se vinculada a um território, a uma cultura constituída por culturas várias.

Incluir a mulher indígena, tantas vezes esquecida e silenciada em tantos debates sobre condição feminina, além  de ser digno é mais que justo. Não incluir a mulher indígena é, diretamente ou indiretamente, subscrever a violência contra a mulher, a natureza, a vida em território brasileiro. No mês em que se comemora o dia da Consciência Negra, incluir a Mulher Indígena como fonte de  sabedoria e de reconexão com a Natureza é encarar o sofrimento que uma sociedade baseada no poder do capital e da força bruta sobre o poder do sagrado feminino para assim ir-se curando todas essas mazelas que se tem vivido ao longo de séculos. No dia 20 de Novembro comemora-se o da da Consciência Negra no Brasil. No dia 25 de Novembro comemora-se o dia da  dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher.

VIVAM AS MULHERES BRASILEIRAS E DO MUNDO INTEIRO! VIVAM OS HOMENS QUE CAMINHAM OMBRO A OMBRO E HONRAM O ÚTERO DE ONDE SAÍRAM!

Chauzinho! Até semana que vem! Ah! E não se esqueça de entrar na página do facebook " AR DULCE AR" curtir, divulgar e apoiar financeiramente com o que puder, quiser e valorizar.

Ana Piu
Br, 14/11/2018

obs: este texto foi escrito Ana Piu ( atriz palhaça com formação em artes cênicas, graduada em Antropologia e mestrado em Antropologia Social)
"Precisamos descolonizar o nosso imaginário sobre esses povos. Não temos que falar pelas mulheres indígenas, mas aprender com elas". Ana Beatriz Rosa https://www.huffpostbrasil.com/2016/11/25/por-que-a-violencia-contra-mulheres-indigenas-e-tao-dificil-de-s_a_21700429/