sexta-feira, 24 de abril de 2020

TER FILHOS- DECISÕES PARA UMA VIDA INTEIRA

Em criança, como muitas crianças no mundo inteiro, ficava encantada com cachorrinhos. A minha avó sempre perguntava: " E quem vai cuidar? Eu? Vocês querem e depois quem cuida?" Na verdade, para mim, cuidar de cachorrinhos não dá assim tanto trabalho. Comida, água, carinhos, espaço aberto para correrem e brincarem e um lugar para dormirem sem estarem acorrentados. Básico.

Já ter um filho, como mãe há já algum bom par de anos já requer umas responsabilidades acrescidas. Fico sempre impressionadissima com quem considera que ter uma animal de estimação é igual a ter um filho. Provavelmente a pessoa não tem filhos e coloca todos os seus afetos e entrega a um animal por este ser dócil, se o tratarmos bem. Ter um animal é muito bom. Não precisa de ir à escola, de se sociabilizar com outros seres humanos para entender que o narcisismo não compensa, não precisa de se vestir porque já tem pêlo logo não é barrado pelas autoridades por atentado ao pudor, não precisa de aprender a falar para expressar as suas escolhas na vida presente e futura. Ter um filho não é uma brincadeira nem um capricho que se acha romântico porque se está terrivelmente apaixonada ou porque existem homens que consideram viril espalhar filhos pelo mundo sem assumir a responsabilidade plena. Ter um filho. é uma decisão para a vida inteira que engloba suprir as necessidades básicas de saúde, educação e afeto.
Ter um filho dá trabalho, já não falando no trabalho de parto com aquelas dores que equivalem a um esforço dum atleta que dá não sei quantas voltas a um estádio. Ter um filho e depois outro é uma decisão que se quer consciente. Normalmente a mãe, se souber que não é pau para toda a obra, vai pensar: " Voltar à estaca zero dos primeiros cuidados? Será que é mesmo isso que eu quero? "
Existem mulheres cujo objetivo de vida é serem mães. Mas normalmente elas vislumbram um pai para as suas crias. Outras querem consciente ou inconscientemente educarem sozinhas. Mas ser mãe solteira por escolha própria a partir do segundo ou terceiro já me parece um pouco difícil. Embora haja.
Com esta idade, criando duas filhas praticamente a solo, eu como muitas mulheres que fazem mais coisas além de serem mães e que viajam com o seu trabalho e sempre voltam à base porque somos mãe, provavelmente ter mais um filho não seja assim uma daquelas prioridades. Hoje, mais que nunca, a prioridade de muitas de nós mulheres é elevar a nossa auto estima para não cair em roubadas de relações amorosas que somos nós a fazer de mães de parceiros que deveriam ser nossos companheiros e não filhos que alguns acham bonitinho ter um filho duma forma inconsequente. Isto também se aplica a querermos logo metermos-nos na casa uns dos outros mal nos acabamos de conhecer. Quem nunca o fez ou pensou fazê-lo? cri cri cri  Primeiro auto conhecermos-nos já é um grande ato revolucionário para a Humanidade, depois irmos conhecendo o outro ser passo a passo, apreciando-o, sabendo se esse canal que vai de mim para o outro é nutritivo ou tóxico é super mas super revolucionário. Sermos mães e pais de nós mesmos é um grande contributo para que não fiquemos pesados na vida adulta nos ombros de outra ou outras pessoas. Se uma relação aprofundada com nós mesmas e nós mesmos já é um trampo daqueles imagina com outra pessoa ao ponto de querer ter filhos! Algumas de nós já tivemos a nossa dose, estamos sossegadas e passamos para a frente a brincadeira de brincar aos bebés com homens que em criança nunca mudaram uma fralda a uma boneca de pano nem lhes deram mamadeira. Algumas de nós mulheres o que queremos é apreciar a vida com amor e ficar de bem com a esta, a tal da vida. Estar de bem com a vida é sabermos-nos respeitadas e livres para nos realizarmos além da maternidade e do casamento protocolar. Muitas de nós já não acreditamos mais nem no papai Noel, nem em príncipes encantados nem potes de ouro no final do arco íris. Acreditamos sim que se estamos inteiras somos a nossa melhor companhia e que existem fortes probabilidades em nos atrairmos por outros seres inteiros que se bastam e sabem o que querem duma forma KISS- beijo em inglês- Keep it specific and simple - mantém isto ( a tua escolha de felicidade) especifica e simples. Em suma, foco no coração e na respiração.
Beijinhos, boa quarentena proveitosa para olharmos para dentro, cuidemos-nos e até ao próximo texto!
A Piu
Campinas SP 24/04/2020
imagem: - Se tu não entendes o meu silêncio, como vais entender as minhas palavras?-
colagem: Paula Soares Pleuger
Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/

sábado, 18 de abril de 2020

BALBUINAS

(...) você agora é " Naderevuçu" o nosso Pai antepassado- o que viria a ser o sol, a estrela que ilumina o nosso dia, no nosso sistema solar, fica aí para nos alumiar ( trecho de ' Dona Estrela' uma co criação de Ana Piu e Paula Só em Portugal 2005)
Idealização da máscara e composição: Ana Piu
Construção da máscara: Denise Valarini
Teatro Balbuínas cuja linguagem é focada no teatro visual, físico, do gesto, de bonecos e comicidade poética, escrita criativa, improvisação e dramaturgia foi criado em 2013 em Campinas, São Paulo por Ana Piu ( artista performativa) e Denise Valarini ( artista visual) O Teatro Balbuínas tem-se apresentado no Brasil, Portugal, Chile, Argentina e Colômbia.

(...) lá em Matabalana, quando é de noite
e tá aquele grande céu todo iluminado, é como cá,quando a televisão tá com avaria e não há televisão: a avó velha leva os meninos p'ro quintal e conta histórias de mistério e de magia, e algumas dessas histórias mesmo aconteceram: uma vez em Matabalana.... ( trecho de ' Dona Estrela' uma co criação de Ana Piu e Paula Só em Portugal 2005)
Idealização da máscara e composição: Ana Piu
Construção da máscara: Denise Valarini



quinta-feira, 16 de abril de 2020

TODAS AS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS TÊM UM CUNHO POLITICO?


#eumeamo #eumecuido #eudecido

Nós somos seres políticos, mesmo quando despolitizados. A despolitização é um posicionamento político. Contraditório? Aparentemente. Não tomarmos partido de algo é tomarmos partido de algo. Porquê? Porque somos seres vivos e seres que sentem, pensam e se emocionam. Ao não tomarmos partido de algo podem existir as mais variadas razões. Porque não nos queremos envolver com um emaranhado que não nos pertence, porque até concordamos com uma das partes mas não nos queremos comprometer, porque até concordamos com as diferentes partes e por isso fica difícil de nos colocarmos ou nos colocamos na afirmação que cada um tem as suas razões e não há motivo para inimizades e disputas. A questão é saber o que nos motiva. A energia da cobardia ou da coragem' A energia da raiva ou da compaixão? O grande desafio é transformarmos as nossas raivas, rainhas, meduchos, pânicos, paranoias, noias, tristezas e nostalgias em energia positiva. E o que é essa energia positiva que pode, e até deve, dispensar oba obas? Energia positiva é antes de tudo termos auto compaixão. Dedicarmos-nos umas mãozinhas de minutos diários a sentir os batimentos cardíacos, a respiração que entra e sai das narinas. Quando o fazemos com assiduidade damos-nos conta das nossas sombras, das nossas limitações e capacidades de superar sofrimentos e pilotos automáticos que nos conduzem ao abismo da confusão mental.

Estar de bem com a vida é um ato politico! Não reproduzirmos o que consideramos injusto, não baixar o nível para sermos responsivos À altura duma situação ou abordagem. Esse ato politico tem a ver com o compromisso de cuidar da nossa mente, corpo e espírito e assim não nos deixarmos arrastar pelos jogos de poder, da mentira, da cobiça, da competição pela competição. Darmos o nosso melhor, conhecendo que não somos nem super heróis, nem deuses nem semi deuses e sim fazermos a diferença através da alegria de viver, do riso das nossas próprias falhas para assim poder superá-las. Por isso o ato criativo é tão transformador. Não existem regras! A pessoa pode escolher fazer a Frozen a vida inteirinha ou mergulhar nos textos do Nelson Rodrigues ou do Brecht ou em lendas e mitos indígenas e/ou afro brasileiros ou na mitologia viking. Ou numa poética que ela mesmo inventou. Mas criar, ser artista é colocarmos-nos no mundo, deixando-nos afetar pelo mesmo e também afetando-o. E isso não tem necessariamente a ver com partidos. No meu ponto de vista nem deve! Nem partidos, nem religiões e sim em algo muito maior que é levar VIDA, ENERGIA VITAL, REFLEXÃO, ESPERANÇA, CAPACIDADE DE AGIR NO MUNDO a outras pessoas através do seu trabalho, da sua obra.

VITÓRIA AO ENTENDIMENTO DE NÓS MESMOS! Quando entendemos as nossas perturbações podemos trabalhá-las para as dissolver e assim também entendermos que os outros também têm as suas perturbações que a eles cabe  cuidar.

VITÓRIA AO AMOR! Quando agimos a partir do coração tudo se torna mais leve, mais empático. Só podemos amar os outros quando realmente nos amamos.

Bom, penso que o que eu escrevi não é nada de original.Mas até isso! Não precisamos de ser originais o tempo todo, se é que alguma vez somos originais. Devemos sim ser genuínos. E isso é politico, porque contribui para um mundo emocionalmente mais sustentável!

Aproveitemos a quarentena para cultivar mais paz interior com profundidade. Isso é docemente bárbaro.

A Piu
Campinas SP 16/04/2020


Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/

Paula Soares Pleuger


quinta-feira, 9 de abril de 2020

TER AMOR PRÓPRIO É UM ATO POLÍTICO


- PARA APRENDER A SE SER HUMANO DE VERDADE PRECISAMOS DE NOS INFORMAR ... E SENTIR AFETO DENTRO DE NÓS -

Para começar o texto, quero dizer que há distância das minhas raízes, que são portuguesas e a minha família estar lá. sinto uma imensa liberdade de escrever e criar no Brasil, terra mágica duma sabedoria ancestral muito profunda linda e bela. HAUX HAUX. MUITA GRATIDÃO BRASIL, AMIGOS, PARCEIROS E POVOS ORIGINÁRIOS, nomeadamente HUNI KUIN E YANAWA DO ACRE.

Já escutei uma ou outra vez: " Todas as mulheres são feministas, algumas é que não sabem."  Será? Será isso mesmo? Nesse caso muitos homens são também feministas, eles é que não sabem.  Não posso falar por todas as mulheres nem por todos os homens. Além de de presunçoso é fascista. Sim, carissimo@s bem intencionados! Quando falamos pelos outros sem os escutar nem lhes dar o protagonismos temos comportamentos fascistas. O Coiso não é fascista. Ele é ME-DI-O-CRE. Um fascista manipula e convence massas em situações de falta de auto estima. Um ME-DI-O-CRE, como o Jairzeco Messias, ludibria, confunde e torna-se insignificante sem aliados por sua própria conta e risco. MUITOS PARABÉNS A TODOS OS GOVERNOS ESTADUAIS NO BRASIL QUE TÊM MANTIDO A QUARENTENA.

O Messias Bolsonerito é no fundo um bode expiatório de toda essa pandemia que é a ignorância e o desamoe. No combo da ignorância vem o sexismo, o machismo, a misoginia, o racismo, a homofobia, o classismo e o preconceito.

Fico muito, mas muito feliz mesmo de citar este querido Carlos cujo link está a baixo, mas que não conheço pessoalmente. Querido porquê? Porque como homem feminino ou feminista mostra que existem homens que estão no caminho da auto observação, tanto no individual como no coletivo. Que de  elevados individualistas o mundo está cheio!... . Não só falo dos homens como das mulheres. Falo de nós, com as devidas ressalvas. Fico PRO-FUN-DA-MEN-TE  FE-LIZ, pois por momentos largos. anos,  tenho tido uma descrença numa relação emancipada, de respeito, admiração e e afeto mútuo.Isso brocha a pessoa..Não? ihihih  ;) No Brasil isso bateu muito forte, visto ser a a cultura da paquera da qual eu não estava habituada. E isso me deixa confusa e também com preguiça...Estamos todos aprendendo. Como tal, neste momento, EU PESSOALMENTE NÃO ACREDITO NO POLIAMOR, que é amar várias pessoas ao mesmo tempo. Principalmente numa sociedade patriarcal. A britânica e as outras europeias também são,mas camuflam sofisticadamente  com o consumo. QUE VIVA LA AMERICA E A LA PACHAMAMA! Se não nos auto estimamos, auto conhecemos e auto amamos como vamos amar outra ou outras pessoas? Medalha para quem está na competição do acasalamento! PARABÉNS!!!! Estou fora. A minha bandeira é abraçar quem nos é próximo: irmão, irmã. pai, mãe, filha, filho e entender o que é o AMOR ao nos abraçarmos. Competição, disputa, ostentação de conquistas não considero amor. O AMOR SENTE-SE, NÃO SE OSTENTA PARA SUBLINHAR O JOGO DA VIRILIDADE E DO FEMININO DISTORCIDO. COMPETIR, ALÉM DE CANSAR, É MESQUINHO.

 Deixo algumas anotações do Carlos ' qualquer coisa' do link abaixo. Muito obrigada pelo seu video inspirador e esperançoso!


" Os homens sofrem calados, reprimidos muitos cometem suicídio. (...)

Os homens aprendem a buscar sexo como auto afirmação da sua virilidade, masculinidade. Conversas sórdidas entre " amigos" sobre com quantas pessoas você  transou. Não para compartilhar com amigo de verdade e sim para contar vantagem em cima do  outro, querer  competir com o outro e se achar superior. A maioria dos homens  não aprende a se relacionar com mulheres e se aproxima delas, ao longo da vida, apenas por interesse. Ou então busca pessoas buscando status, que não tem nada a ver com você, mas é bonita e suficiente para tirar onda com os seus amigos. A intimidade entre homens inexistente. é coisa de viado (?! pontuação minha) Andar sempre em grupos, competindo entre si,  quem é o mais "fodão", quem é que pega mais mulheres. (...) Muitos tem mais de 40 anos mas se comportam como se fossem adolescentes. (...) As nossas transformações deveriam partir sempre dum ponto de amor próprio. (...) A imagem do homem viril, líder veio lá da Antiga Grécia que também era uma sociedade machista.
Ser homem não a ver com suas características ou desenvoltura com membros do outro sexo, mas sim pelo seu agir, pelas suas atitudes, pelas virtudes masculinas e femininas que habitam dentro de você e que você é capaz de perceber, honrar e expressar de maneira equilibrada.
Caminhar no meio e observar a energia dessas duas presenças de energia feminina e masculina.
Maior doença no pensamento do que é ser homem: ter que ter resposta para tudo. Não é uma escolha individual. é forma que se é educado e como se absorve a informação. Aspectos condicionados inconscientes que precisam de ser trabalhados. Ser inabalável e rígido seja a razão da depressão e das taxas de suicídio, das incapacidades emocionais, da violência,
O porquê que somos assim. De algum lugar veio e entender determinadas atitudes, muitas vezes inconsciente. PASSAR A INFORMAÇÃO PARA A FRENTE.

Empatia, colocar o outro em primeiro lugar. Cuidado geral. Não só as pessoas, mas a vida duma maneira geral. DEMONSTRAÇÃO DE AFETO PARA CURAR. Muitas vezes até entre irmãos e pais o toque afetivo é estranho. Sentir a pessoa, o batimento no coração.
A próxima vez que você vir alguém com atitude machista, misógina, troca uma ideia. A única maneira de lidar com ignorância é empatia, compaixão e educação.
A maioria das pessoas que tem um lado masculino tóxico ou ela não percebe ou não entende o quanto isso faz mal para ela mesma. A INFORMAÇÃO É O CAMINHO PARA A LUZ.

Uma sociedade mais pacifica, mais tranquila. Começar a trabalhar para desconstruir isso.

O homem da Nova Era
https://youtu.be/R9mzmnwB5HA


A Piu
Campinas,09/04/2020

colagem: Paula Soares Pleuger
artista: Paula Soares Pleuger



domingo, 5 de abril de 2020

EVOLUINDO PELO ENTENDIMENTO

Entre ontem e hoje pensei em escrever sobre a capacidade de nos emanciparmos e, aos poucos não repetirmos padrões que muitas linhas chamam de Karma - padrões de comportamento que se repetem nesta vida vindas de gerações anteriores.
Hoje pensei em como pensarmos juntes em romper com essa lógica do macho man, no caso macho latino afro indígena. Ah pois! Ninguém fica de fora. É hora de valorizar o ventre, o utero de onde viemos, a vida ao invés das noticias deprimentes sem solução e assim continuarmos mais livres. Zut cinismo e hipocrisia! Aqui neste texto não há nem vitimas, nem culpados, nem bons nem maus selvagens sejam estes urbanos ou da savana, floresta e paisagens envolventes.
Hoje quisera eu escrever um texto divertido para todos nós nós rirmos do quanto temos sido ridículos ao entrar nesse jogo de opressões e medições de força. Quisera eu escrever um texto sobre como é se ser sonso quando a fantasia por algo ou alguém coloca o ser vivente num lugar moralista de querer ostentar uma relação segura, firme e de confiança. Dando assim só aquele exemplo básico, casual: O casalinho que vai na rua e um deles olha para uma terceira pessoa, que nem conhece de lado nenhum muito menos a sua história, conquistas e frustrações- e olha para o lado e abraça a sua parceira ou então olha com desdém porque essa terceira pessoa desconhecida que supostamente representa um perigo à estabilidade do querido casalinho que surge nas redes sociais numa imagem estancada repleta de likes para confirmar para si e para os demais que o protocolo do deus, pátria e família segue sem sobressaltos. Cada um é feliz como melhor lhe aprouver, mas até quando precisamos de mostrar aos outros que temos honestidade e nos entregamos de corpo e alma a outra pessoa quando nem a nós nos entregamos e nos tornamos íntimos de nós mesmos?
Quero sim escrever e sentir no coração que o Amor demonstra-se por ações, por gestos, pela continuidade do bem querer.
Quisera eu, hoje a 5 de Abril de 2020 com uma filha de quase 20 anos e outra quase de 15 escrever que nós, mães solteiras, passamos muito bem obrigada, não precisamos de peninha nem julgamento e sim de compreensão, valorização do nosso trabalho e que daqui para a frente, e até muito antes quando nos relacionamos com alguém, não procuramos nem nunca procuramos - falo por mim claro- pais para as nossas crias. Só procuramos parceiraç@s afectuosos com humor que não compactuem com disputas entre machinhos tristes e negativos que dão uma de estão ligados em tudo- falo por mim, claro! Não tenho perfil de ícone que fala às massas e tod@s seguem. Não tenho nem quero ter. Estou mais ali entre o alternativo e o oficial mais ou menos-. Para dar aquele ar new age: um alternativo mainstream mas maizómenos.
Hoje quero escrever que o silêncio, a escuta, o entendimento, o não julgamento, o amor a quem se quer abrir a novas formas de se relacionar sem compactuar com a fudilhice barata ( hoje quisera eu não ser bufona e sim fofinha. Mas ser palhaça não é ser palhacinha e dispenso ou dispensamos ser tratados por palhacinhos. NÓS SOMOS PALHAÇ@ PROFISSIONAIS QUE VIVEMOS DESTE OFÍCIO COM DIGNIDADE E TRAZEMOS PARA CENA O QUE NOS MAGOA ( ou não) E TRANSMUTAMOS EM AMOR.
Um grande abraço com carinho sincero a tod@ que chegaram até aqui e que estão em casa respirando profundamente. VITÓRIA À EVOLUÇÃO PELO AMOR. AH! E também muita energia boa aos machinhos alpha, porque não dá para congelar as pessoas nos seus comportamentos. NÓS SOMOS MUITO MAIS DO QUE ISSO. E um ser espiritualizado de consciência expandida que vira as costas por juízo de valores talvez precise praticar um pouco mais para ter empatia, compaixão e firmeza para delinear o que faz bem e o que é dispensável.
A Piu
Campinas SP 05/04/2020
Imagem: Sabrina Gevaerd
Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/


terça-feira, 31 de março de 2020

A RESPONSABILIDADE DE ESTAR DE BEM COM A VIDA É UM ATO POLÍTICO

Vamos partir do principio de quando se escolhe trazer um filho ou uma filha ao mundo @ mesm@ é desejad@. Seria uma redundância se assim fosse. Porém, na hora da verdade, do vamos ver, das noites mal dormidas, das economias apertadas, da rotina alterada, dos projetos ou alterados, adiados e mesmo cancelados porque agora existe um serzinho que depende de nós a coisa pia de outra maneira. Ninguém nasce ensinado. Ninguém nasce já educado ou a saber educar. Ao assumir isso também acolhemos que não somos perfeitos e isso é perfeito! Não ser perfeito não é o mesmo que ser negligente e ao limite não saber se retirar a tempo, pois não está dando conta do recado e torna-se traumatizante ter que lidar com um progenitor, seja mãe ou pai ou outro adulto que supostamente deveria cuidar, que não tem preparo para o empreendimento e começa a infernizar a vida de quem cuida e por consequência da criança que acabou de chegar ao mundo. Nem sei se esse adulto despreparado tem a noção real dos danos morais que isso causa a curto, médio e longo prazo.

Bem sabemos que existem muitos casos de abandono, principalmente por parte do pais. Não significa que não existam mães que não abandonem, mas o número é menor e não é naturalizado como com os pais. Existem mil e um motivos para as pessoas abandonarem. Talvez elas estejam a repetir um padrão de abandono que elas próprias vivenciaram na sua infância ou afinal a sua maturidade para assumir responsabilidades ainda estava um pouco para o verde. Penso que é muito mais honesto assumir a incapacidade e retirar-se do que atrapalhar e ao limite infernizar, projetando os seus medos, raivinhas e outras negatividades em quem cuida e na criança. 

Por vezes essa situação não acontece nem uma, nem duas, nem três vezes. Existem pessoas que espalham filhos pelo mundo, não se responsabilizam e ainda são capazes de surgir da penumbra, da neblina volvidos mãos cheias de anos na intenção de intimidar, distorcendo factos, de se vitimizarem e por aí vai. E isto com vários núcleos familiares que a pessoa criou. Deve ser muito cansativo viver assim e criar vínculos que não são vínculos e sim um estorvo. Que a se pessoa encontre a si mesma, que se abrace, que se cuide, que se ame. Nunca é tarde. 

Como rir disto? Como criar um espetáculo de palhaçaria feminina sobre esta temática vivida na primeira pessoa do singular e do plural? Uma das nossas premissas com a criação deste espetáculo é criar uma narrativa com a leveza que a linguagem de palhaçaria sugere, sem banalizar nem desmerecer o drama vivido por muitas mulheres, crianças e jovens. E avisarmos nos a tod@s que a arte de viver é a arte de nos auto conhecermos e não fazer das outras pessoas o nosso depósito de lixo emocional. A cura está dentro de nós.Uma questão de averiguar as múltiplas formas de se transcender para não se exceder, abusar de quem um dia confiou e nos amou ao ponto de escolher ter um filho ou uma filha. Estar de bem com a vida é saber quem se é e não colocar os outr@s para baixo só porque sim. Enquanto isso, rir do que nos oprime é libertador. Já rir sublinhando a opressão, a violência, a ignorância, o preconceito é um riso pesado. E ser leve é muito bom! Dá saúde e faz crescer!

A Piu
Campinas SP 31/03/2020

Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/

imagem: Sabrina Gevaerd

sexta-feira, 27 de março de 2020

E AÍ GAROTADA? COMO VAI A VIDA?

Passei a minha infância e juventude a escutar da minha avó: " A saúde é o bem mais precioso que nós temos! Saudinha é o que é preciso!" Ora, eu garota gozona pela imaturidade da experiência de vida anterior ao meu ser experiente que já viu muita gente enferma e partir nos entre tantos, sempre caçoava, sem perder o respeito à minha querida avó que partiu numa sexta de Carnaval de 2014 para um outro plano.
" O que é preciso é saúde!", dizia eu quando encontrava uma grande amiga até hoje. Os amigos de verdade são para a vida inteira, mesmo que as nossas vidas sigam rumos muito diferentes. É ou não é? E fico feliz que ela se esteja a cuidar com o seu filho lá do outro lado do oceano. Quando queremos bem é para a vida inteirinha, as palavras e os sentimentos não se expressam nem se jogam fora como latas dum refrigerante de composição duvidosa.
Todos nós temos de partir daqui deste plano e dar lugar a outros. Assim é a lei da vida. Uns ficam mais tempo, como ela que partiu aos 92 anos de idade e outros que partem mais cedo, como a minha mãe por exemplo que partiu aos 37 anos de idade por questões de saúde. E assim é a vida. Aprender a aprender a amar e a deixar ir, deixando no coração um espaço amplo de homenagem a quem nos quer bem e a quem queremos bem. E principalmente fazer de tudo para passarmos por aqui reverenciando a nossa existência, no individual e no coletivo.
Reverenciar significa confiar que a grande cura se dá pelo amor, a si mesmo e ao próximo. Não somos obrigados a conviver com quem nos desconsidera, nos maltrata,que encara a vida com cinismo ao ponto da empatia para consigo mesmo ser nula ou quase nula quanto mais para com a dos outros! Vou dar um exemplo bem concreto, para nos atentarmos se algumas vezes não reproduzimos boçalidades semelhantes no nosso micro sistema: alguém que representa uma nação, que viaja com uma comitiva para o exterior e ao voltar alguns estão infetados pelo corona vírus e esse representante da nação que muitos o elegeram por variadíssimos motivos alega publicamente que esta pandemia mundial é uma gripezinha fruto duma histeria coletiva que afeta a economia e que os negócios não podem parar e que se lixem as famílias dependentes da força do seu trabalho... Que ser é este? O que ele diz de nós? Que posicionamento ele pede que as pessoas tomem? Um representante da nação que convida todos ao corredor da morte só pode ser um teste para todos nós acerca do valor da vida e quem se elege. Vamos dar 30 segundos de reflexão quanto às estupidezes que cometemos e repetimos de sorriso no rosto sem assumir que são estupidezes ou mesmo sabendo que são não pedimos desculpa ou tentamos oprimir por outros meios, que é boicotar o amor e até a sua felicidade e a felicidade alheia. Quem ama fica feliz pela outra pessoa sem disputa. Essa é a grande diferença entre os que amam e os que acham ou gostariam de amar mas sem abrir mão do seu orgulho.


De volta, depois dos 30 segundos:
Aí também temos de nos atentar a quem invoca constantemente a desgraça, que em tudo vê provocação maliciosa e desdenha da simples alegria de viver com inocência. Aqui não se trata de escolhas partidárias, embora quem se assume abertamente de direita ou com valores de direita eu sempre fico um tanto ou quanto... observadora? Apreensiva? Há aquele exercício de manter um diálogo democrático, mas a afinidade é um frágil fio que se deve manter firme pelo respeito a distintas visões do mundo. Não é que não haja um perfil de esquerda que é só fachada, mas com esses mesmo assim consigo lidar melhor pois apelo para os seus grandes valores, de justiça, fraternidade e igualdade, que também são os meus mas acreditando que o despotismo é nefasto e que o totalitarismo é para lá do nefasto. É sinistro. Assim como o esquerdo machismo que temos que nos avisar constantemente uns aos outros, já que o querer bem é uma das pautas principais. Considero eu, pelo menos. Já não falando do seguidismo, essa imensa necessidade de seguir seja lá o que for, mesmo que de nobres causas se tratem. Normalmente o seguidismo é uma necessidade de suprir uma carência ou substituir, uma figura paterna e/ou materna. É um afirmar de: "Pensem por mim. Digam-me o que eu preciso de pensar e o que é para eu fazer." Ok, existem pessoas, penso que é a maioria, que prefere não ter o trabalho da auto gestão. Porque a auto gestão dá trabalho. E auto gestão não significa empresário em nome individual, que é o que se chama aos trabalhadores precários. Auto gestão não significa defender um anarquismo capitalista. Na verdade nem tenho propriedade para falar sobre anarquismo capitalista porque nem estou interessada em aprofundar o que à partida já não me seduz. O capitalismo não me seduz e tudo o que isso acarreta: competição insana - quem é competente não precisa de competir porque todos temos lugar quando nos olhamos e nos valorizamos.
Por agora é isso, porque na verdade quero escrever um outro texto para a página Ar Dulce Ar sobre este dia mundial do teatro e nacional do Circo. Enquanto isso deixo esta imagem absurda, por isso risível. Dum trágico cómico sem precedentes.
Beijus e abraçus!
A Piu
Campinas SP 72/03/2020







A imagem pode conter: uma ou mais pessoas