Bom, bom, bom e eu dizer de mim para mim que hoje não escreveria mais sobre assunto logo, mas logo mesmo numa friday night fever, mas como sou da contra mão dessas coisas e não tem a ver com a idade mas porque achando eu que haveriam coisas tão óbvias, a coisa não é assim tão óbvia. Como podemos falar de libertação sexual se somos consumidos pelo ciume ao ponto de causarmos sofrimento a quem um achamos que amámos? Como podemos falar de liberdade e democracia quando nos movemos por causar dor, logo pela mentira e não pela verdade, por aquilo que faz sentido na essência? Como podemos apreciar uma música, uma obra de arte e até criarmos de o nosso instinto é destrutivo pela insegurança que trazemos dentro de nós? Como podemos falar que amamos alguém quando não o expressamos com clareza e queremos dar nas vistas com gestos e ações que machucam, magoam?
Bom, fica assim o texto porque o dia já vai longo e quem tiver na balada não vai ter disposição para ler a Ana chata que é como uma sopa na mosca.
A Piu
Br, 31/01/2020
De origem germânica achtung! servia como interjeção chamativa para perigos e paisagens deslumbrantes. Mais a norte, nos países escandinávos,ACHTUNG!! é considerado o espirro oficial dos vikings. Em terras lusas utiliza-se a expressão "Arre!!" quando alguém está arreliado. "Arretung!" é uma espécie de grito de guerra dos trabalhadores da classe precária, que desunidos nunca vencerão.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
SE ÉS UM HOMEM DO BEM E DE BEM - POESIAS PUERIS PARA ASSUNTOS SÉRIOS
se és um homem do bem
que seja claro ao que vens
se és um homem de bem
ciumes?
nem vem que não tem!
amor não rima com dor
se és um homem de bem
ser do bem já é muito sensual, sexy
ihihih
vamos rir com leveza
com certeza
dancemos, dancemos até ao sol raiar
se és um homem o bem
ama uma à vez
não queiras uma incompleta, mais duas e mais três
e assim projetas a tua conduta
chamando a mina de puta
vá!...
se és um homem do bem
vem
se és um homem que ainda precisas de te conhecer
toma o teu tempo
se és do bem e queres ser de bem
então vem
A Piu
que seja claro ao que vens
se és um homem de bem
ciumes?
nem vem que não tem!
amor não rima com dor
se és um homem de bem
ser do bem já é muito sensual, sexy
ihihih
vamos rir com leveza
com certeza
dancemos, dancemos até ao sol raiar
se és um homem o bem
ama uma à vez
não queiras uma incompleta, mais duas e mais três
e assim projetas a tua conduta
chamando a mina de puta
vá!...
se és um homem do bem
vem
se és um homem que ainda precisas de te conhecer
toma o teu tempo
se és do bem e queres ser de bem
então vem
A Piu
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
VITÓRIA AO AMOR QUIU RESTO É MELECA NHANHOSA
Penso que educar uma criança, fruto ou não do nosso ventre, é não denegrir a imagem de outro adulto, principalmente quando é o progenitor. É mais sério do que podemos pensar educar uma criança nessa vibe. Além da sua auto estima, auto confiança e confiança nos adultos ficar comprometida isso também se vira, de alguma forma, contra nós. É a nossa visão e palavra contra a de alguém. Porém, é nosso dever proteger a(s) criança(s). Não aguentar maus tratos, desconsiderações só para manter as aparências ou por medo. Sim, quando alguém nos ameaça, seja física como psicologicamente temos que ganhar forças para pedir ajuda. Nem sempre é fácil. Porque pedir ajuda significa assumir que estamos a ser humilhadas e isso pode ser igualmente humilhante, assim como é humilhante aqueles a quem pedimos ajuda virarem o rosto, fingirem que não entendem ou colocarem-se do lado do algoz bonitinho, que até pode ter uma aparência de descolado a la Bob Marley.
Quando alguém nos ameaça de morte, caso façamos uma denúncia, isso assusta. Em muitos casos nós não queremos denunciar alguém que um dia tanto confiamos e até amamos ao ponto de conceber uma criança. Segundo, mesmo que essa ameaça seja da boca para fora nós não temos a certeza que seja só da boca para fora, assim como pelo facto de uma ameaça já ser uma violência.
Olharmos umas para as outras como mulheres que talvez precisem de serem abraçadas em vez de julgadas é um grande passo. Isso serve também para os homens que se propõem igualmente a rever toda a sua conduta em relação às relações. Em relação a si mesmos, vá.
Um caso de feminicido é um caso entre muitos, mas uma vida é muito preciosa. Assim sendo este ato de repúdio ao assassinato da Maria simboliza todos os repúdios a todos os assassinatos de todas as Marias.
Sinceramente ainda tenho bastante dificuldade em entender porque um homem é tão covarde ao ponto de matar a sua namorada, ex namorada, companheira, ex companheira muitas vezes mãe dos seus filhos. Por vezes até uma família inteirinha. A pessoa tem que estar muito desnorteada.
Esta Maria era bailarina. No caso, para muito pessoal ser bailarina, atriz e ATÉ PALHAÇA é uma afronta!!!! Porque será? Porque trabalhamos com o nosso corpo e a nossa liberdade de expressão. Então caro leitor que repudia o Coiso, você quer realmente ser transformadeiro? Declare o seu apreço pelas mulheres, acesse aos seus sentimentos e manifeste amor por quem realmente ama. Amar muitas mulheres ao mesmo tempo ao ponto de querer tragá-las isso é amor? Pergunto. Perguntar não ofende. Não nos questionarmos é que pode ser uma coisada nociva, não? E nós o que queremos? DAR PASSAGEM À VIDA COM AMOR, ONDE OS NOSSOS CORPOS E ALMAS SEJAM ADMIRADOS E RESPEITADOS.
VITÓRIA AO AMOR QUE O RESTO É MELECA! NHANHA!
obs: tem um adendo que gostaria de compartilhar: durante muitos anos eu não colocava nos meus textos o local onde me encontrava no exato momento. Porque será? Fica a reflexão principalmente para aqueles que achavam engraçado incomodarem-me virtualmente.
A Piu
Campinas SP 30/01/2020
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| Se não assume responsabilidade, pelo menos não atrapalha nem infernize. Foto da década passada. |
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| https://www.brasildefato.com.br/2020/01/29/ato-de-repudio-ao-feminicidio-em-curitiba-mago-presente/ |
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
O PRAZER DE SER INTEIR@
" Todos nós temos dentro de nós o conhecimento de toda a geração de seres humanos que já viveram. Há uma massa de informações reunida nesse código ao longo da história. Às vezes as informações ficam latentes, outras querem vir à tona de novo. Vivemos em uma época em que o conhecimento da terra, da mulher, está voltando à consciência coletiva e, por intermédio de nosso sangue (menstrual), podemos obter esse s saberes. "
Owen, Lara " Seu sangue é ouro, despertando para a sabedoria da menstruação", Editora Lótus 22, Viamão- RS: 2019.
Mesmo cultuando o machismo, em comparação com os demais países latino - americanos, o Brasil é também " um dos mais liberais para as mulheres". (...)
No entanto, diante dos esterótipos que produzem uma imagem distorcida da realidade, os orgãos governamentais têm multiplicado os esforços para evitar a divulgação do turismo sexual. Tentativas nesse sentido proibiram, por exemplo, a circulação de um guia turístico, outrora vendido pela internet, dirigido a estrangeiros interessados em visitar o país (...) as braileiras eram definidas como máquinas de sexo (...) classificadas em quatro grupos:
- Britney Spears: seriam as " filhinhas de papai que se vestem como a cantora". São maravilhosas, mas não deixam ninguém cantá-las. Pode esquecê-las a menos que seja apresentado a uma".
- Popozuda: é definida como "máquina de sexo bunduda. Bom para você investir seu tempo porque o motel é sempre uma possibilidade com essas maravilhas".
- Hippie/ raver: são classificadas como " garotas divertidas, fáceis de se aproximar, fáceis de conversar, difíceis de beijar, fáceis de ir para a balada".
- Balzac: seria a mulher que "quer se divertir, dançar, beber e beijar".
Sérgio do Carmo, Paulo " Prazeres e Pecados do Sexo na história do Brasil". Edições Sesc São Paulo: 2019.
Para todas nós mulheres que nos propomos a resgatar o nosso sagrado feminino tem sido um imenso desafio, pois este tem sido minimizado, perseguido, pisoteado há milhares e de anos. Há milhares e milhares de anos que trazemos na nossa memória celular guerras, batalhas, invasões, conquistas promovidas por uma lógica patriarcal, onde muitas vezes não temos acesso a caminhos de conexão interior para que possamos trazer para a consciência e nos reprogramarmos, desligando o piloto automático. Piloto esse que nos faz mover de esterótipo em esterótipo sem realmente nos questionarmos a fundo.
O espetáculo de palhaçaria feminina " Ar Dulce Ar" sobre relações abusivas e violência contra a mulher foi criado em cima das nossas experiências pessoais como mulheres, companheiras dos pais das nossas filhas, mães ameaçadas algumas vezes de morte diante dos delírios dos sujeitos. Como fazer comicidade sobre algo que nos entristece porque nos amedronta? Desafio, não? Precisamos antes de tudo de ter coragem para nos curarmos desse fantasma e depois coloca-lo em cena.
O feminicido, a misoginia existe no mundo inteiro, mas infelizmente no Brasil o índice é dos mais altos ao nível planetário. Infelizmente, esses pais no qual nos inspiramos e já piramos muitas vezes são brasileiros. Infelizmente, como estrangeira mesmo falando a mesma língua, as poucas experiências menos agradáveis ou realmente trash que tive foi com sujeitos da dita nacionalidade, ao ponto de ficar bastante apreensiva quanto à conduta dos demais sujeitos da dita nacionalidade. Gato escaladado da água tem um certo medinho...Devo dizer que esta forma de alguns brasileiros e brasileiras de enxergar a vida, o prazer, a libido, o corpo da mulher vem lá do tempo das caravelas, dos meus, dos seus, dos nossos antepassados portugueses. Como portuguesa sinto que tenho o dever, a obrigação ética de afirmar publicamente inúmeras vezes: " SINTO MUITO! FAÇAMOS A DIFERENÇA NOS PEQUENOS DETALHES DO DIA A DIA!".
E você, cara e caro leitor, que está aí desse lado lendo pacientemente este texto, que hoje talvez não tenha uma tirada jocosa porque nem sempre é para ser jocosa diante dum assunto tão sério, bora fazer diferente? Bora permitirmos-nos emanciparmos e ajudar no que pudermos a outros se emancipar avisando-nos constantemente, auto vigiando os nossos pilotos automáticos que confundem desejo e prazer com "putaria". E "putaria" é enxergarmos as mulheres, os homens e os outros tantos sexos como máquinas de sexo, almofadas que amaciam o nosso ego e as nossas carências. E nós somos muito mais bonitos e sensuais que isso! A questão não é negar que somos machistas, seja qual for o gênero, e sim desprogramar esse piloto automático para que os encontros sejam mais plenos. Cada uma e cada um fará diferença ao sair desse jogo que leva mais de 500 anos, 5, 6, 7,8.9 mil anos de patriarcado onde a mulher é usada e abusada, tal como a terra e outros seres vivos. Que a terra seja regada com sangue menstrual para fortalecer a sabedoria e a intuição e não com sangue de ignorância e boçalidade. Ajudemos-nos mutuamente nesse regresso à nossa essência, à nossa criança interior que ri e brinca inocentemente. Que o nosso prazer tenha algo de poético, artístico, transcendente.
Homens queridos, existem muitas mulheres que vos amam mesmo de verdade e desejam do fundo do coração que caminhem ao lado delas nesse resgate do que há de mais sagrado que é a Vida, onde o encontro de almas e corpos é imensamente belo e brincalhão. Orgulhemos-nos sim da humildade em trilhar um novo caminho, porque o resto que já está aí faz parte dum projeto mercantil, capitalista, neo liberal que faz de nós seres vivos produtos descartáveis, logo desprezíveis num oba oba dissonante de alegria duvidosa.
Abraços emancipatórios e até ao próximo texto!
A Piu
Campinas SP 29/01/2020
Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/
Owen, Lara " Seu sangue é ouro, despertando para a sabedoria da menstruação", Editora Lótus 22, Viamão- RS: 2019.
Mesmo cultuando o machismo, em comparação com os demais países latino - americanos, o Brasil é também " um dos mais liberais para as mulheres". (...)
No entanto, diante dos esterótipos que produzem uma imagem distorcida da realidade, os orgãos governamentais têm multiplicado os esforços para evitar a divulgação do turismo sexual. Tentativas nesse sentido proibiram, por exemplo, a circulação de um guia turístico, outrora vendido pela internet, dirigido a estrangeiros interessados em visitar o país (...) as braileiras eram definidas como máquinas de sexo (...) classificadas em quatro grupos:
- Britney Spears: seriam as " filhinhas de papai que se vestem como a cantora". São maravilhosas, mas não deixam ninguém cantá-las. Pode esquecê-las a menos que seja apresentado a uma".
- Popozuda: é definida como "máquina de sexo bunduda. Bom para você investir seu tempo porque o motel é sempre uma possibilidade com essas maravilhas".
- Hippie/ raver: são classificadas como " garotas divertidas, fáceis de se aproximar, fáceis de conversar, difíceis de beijar, fáceis de ir para a balada".
- Balzac: seria a mulher que "quer se divertir, dançar, beber e beijar".
Sérgio do Carmo, Paulo " Prazeres e Pecados do Sexo na história do Brasil". Edições Sesc São Paulo: 2019.
Para todas nós mulheres que nos propomos a resgatar o nosso sagrado feminino tem sido um imenso desafio, pois este tem sido minimizado, perseguido, pisoteado há milhares e de anos. Há milhares e milhares de anos que trazemos na nossa memória celular guerras, batalhas, invasões, conquistas promovidas por uma lógica patriarcal, onde muitas vezes não temos acesso a caminhos de conexão interior para que possamos trazer para a consciência e nos reprogramarmos, desligando o piloto automático. Piloto esse que nos faz mover de esterótipo em esterótipo sem realmente nos questionarmos a fundo.
O espetáculo de palhaçaria feminina " Ar Dulce Ar" sobre relações abusivas e violência contra a mulher foi criado em cima das nossas experiências pessoais como mulheres, companheiras dos pais das nossas filhas, mães ameaçadas algumas vezes de morte diante dos delírios dos sujeitos. Como fazer comicidade sobre algo que nos entristece porque nos amedronta? Desafio, não? Precisamos antes de tudo de ter coragem para nos curarmos desse fantasma e depois coloca-lo em cena.
O feminicido, a misoginia existe no mundo inteiro, mas infelizmente no Brasil o índice é dos mais altos ao nível planetário. Infelizmente, esses pais no qual nos inspiramos e já piramos muitas vezes são brasileiros. Infelizmente, como estrangeira mesmo falando a mesma língua, as poucas experiências menos agradáveis ou realmente trash que tive foi com sujeitos da dita nacionalidade, ao ponto de ficar bastante apreensiva quanto à conduta dos demais sujeitos da dita nacionalidade. Gato escaladado da água tem um certo medinho...Devo dizer que esta forma de alguns brasileiros e brasileiras de enxergar a vida, o prazer, a libido, o corpo da mulher vem lá do tempo das caravelas, dos meus, dos seus, dos nossos antepassados portugueses. Como portuguesa sinto que tenho o dever, a obrigação ética de afirmar publicamente inúmeras vezes: " SINTO MUITO! FAÇAMOS A DIFERENÇA NOS PEQUENOS DETALHES DO DIA A DIA!".
E você, cara e caro leitor, que está aí desse lado lendo pacientemente este texto, que hoje talvez não tenha uma tirada jocosa porque nem sempre é para ser jocosa diante dum assunto tão sério, bora fazer diferente? Bora permitirmos-nos emanciparmos e ajudar no que pudermos a outros se emancipar avisando-nos constantemente, auto vigiando os nossos pilotos automáticos que confundem desejo e prazer com "putaria". E "putaria" é enxergarmos as mulheres, os homens e os outros tantos sexos como máquinas de sexo, almofadas que amaciam o nosso ego e as nossas carências. E nós somos muito mais bonitos e sensuais que isso! A questão não é negar que somos machistas, seja qual for o gênero, e sim desprogramar esse piloto automático para que os encontros sejam mais plenos. Cada uma e cada um fará diferença ao sair desse jogo que leva mais de 500 anos, 5, 6, 7,8.9 mil anos de patriarcado onde a mulher é usada e abusada, tal como a terra e outros seres vivos. Que a terra seja regada com sangue menstrual para fortalecer a sabedoria e a intuição e não com sangue de ignorância e boçalidade. Ajudemos-nos mutuamente nesse regresso à nossa essência, à nossa criança interior que ri e brinca inocentemente. Que o nosso prazer tenha algo de poético, artístico, transcendente.
Homens queridos, existem muitas mulheres que vos amam mesmo de verdade e desejam do fundo do coração que caminhem ao lado delas nesse resgate do que há de mais sagrado que é a Vida, onde o encontro de almas e corpos é imensamente belo e brincalhão. Orgulhemos-nos sim da humildade em trilhar um novo caminho, porque o resto que já está aí faz parte dum projeto mercantil, capitalista, neo liberal que faz de nós seres vivos produtos descartáveis, logo desprezíveis num oba oba dissonante de alegria duvidosa.
Abraços emancipatórios e até ao próximo texto!
A Piu
Campinas SP 29/01/2020
Curta a página " AR DULCE AR" e se puder, quiser, se se tocar apoie este projeto de palhaçaria feminina sobre relações abusivas. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/
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| Que o nosso prazer tenha algo de poético, artístico, transcendente. |
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
HAMAR U UMOR
" O fanático é um grande altruísta. Frequentemente o fanático está mais interessado em você do que nele mesmo. Ele quer salvar a sua alma, quer te redimir, quer te livrar do pecado, do erro, de fumar, de sua fé ou de sua falta de fé, quer melhorar os seus hábitos alimentares, ou te curar da bebida ou de sua preferência na hora de votar. O fanático se importa muito com você, ele está sempre pulando em com do seu pescoço porque te ama de verdade, ou então está em sua garganta caso demonstre ser irrecuperável (...) De um modo ou de outro, o fanático está mais interessado em você do que nele mesmo, pela muito simples razão de que o fanático tem muito pouco de " ele mesmo", ou nenhum " ele mesmo". (...) O senso de humor ´uma grande cura. Nunca vi em minha vida um fanático com senso de humor, nem nunca vi uma pessoa com senso de humor tornar-se um fanático, a menos que ele tenha perdido o senso de humor. Fanáticos são sarcásticos. Alguns deles têm senso de sarcasmo muito agudo, mas não de humor. O humor encerra em si a capacidade de rirmos de nós mesmos. Humor é relativismo, humor é a aptidão para ver a si mesmo como os outros o veem, humor é a capacidade de perceber que, não importa quão justo você é, e como as pessoas têm sido terrivelmente erradas em relação a você, há um certo aspecto da vida que é sempre um pouco engraçado. (...) enquanto tiver senso de humor você estará em parte imune ao fanatismo. "
OZ, AMÓS " Como curar um fanático", Companhia das Letras SP:2004.
OZ, AMÓS " Como curar um fanático", Companhia das Letras SP:2004.
O QUE TODOS NÓS PODEMOS FAZER?
" (...) Cedam ou peguem uma polegada aqui, outra lá, por acordo mútuo. E alguma fórmula flexível para os lugares sagrados em disputa, porque só um arranjo de flexibilidade pode funcionar. Nesse momento, quando os líderes de ambos os lados estiverem prontos para dizerem isso, eles vão ver que os dois povos estão tristemente prontos para isso. Estão preparados do modo mais duro, dispostos em meio a dor e sangue derramado, mas prontos.
Quero abordar uma última questão. O que vocês podem fazer? O que podem fazer os formadores de opinião? O que podem fazer os europeus? O resto do mundo o que pode fazer, além de sacudir a cabeça e dizer: " Que coisa terrível!"? Bem, há duas coisas, talvez três. Uma, os formadores de opinião por toda a Europa têm o hábito miserável de apontar o dedo, como uma antiquada diretora de escola vitoriana, para este ou aquele lado: " Vocês estão envergonhados consigo mesmos?". Com demasiada frequência eu leio nos jornais em vários países europeus ou coisas terríveis sobre Israel ou coisas terríveis sobre os árabes e o islã.
Coisas simplórias, tacanhas, hipócritas, farisaicas. Não sou mais europeu em qualquer sentido, exceto pelo sofrimento dos meus pais e de meus ancestrais, que deixaram para sempre em meus genes um sentimento de amor não correspondido pela Europa. Mas se eu fosse um europeu, teria o cuidado de não apontar o dedo para ninguém. Em vez de apontar, chamando os israelenses disso e os palestinos daquilo, eu faria tudo o que pudesse para ajudar ambos os lados, porque estão à beira de tomar de tomar a mais dolorosa decisão de suas histórias."
Coisas simplórias, tacanhas, hipócritas, farisaicas. Não sou mais europeu em qualquer sentido, exceto pelo sofrimento dos meus pais e de meus ancestrais, que deixaram para sempre em meus genes um sentimento de amor não correspondido pela Europa. Mas se eu fosse um europeu, teria o cuidado de não apontar o dedo para ninguém. Em vez de apontar, chamando os israelenses disso e os palestinos daquilo, eu faria tudo o que pudesse para ajudar ambos os lados, porque estão à beira de tomar de tomar a mais dolorosa decisão de suas histórias."
OZ, AMÓS " Como curar um fanático", Companhia das Letras SP:2004.
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Traduzido do inglês-Palestina é uma novela gráfica de não ficção escrita e desenhada por Joe Sacco sobre suas experiências na Cisjordânia e na Faixa de Gaza em dezembro de 1991 e janeiro de 1992. O retrato de Sacco da situação enfatiza a história e a situação difícil do povo palestino, como um grupo e como indivíduos.
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| O campo de concentração de Auschwitz foi uma rede de campos de concentração localizados no sul da Polônia operados pelo Terceiro Reich e colaboracionistas nas áreas polonesas anexadas pela Alemanha Nazista, maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Mortos: c. 1.3 milhão Localização: Oświęcim, Polônia Designado como patrimônio mundial: 1979 Libertado por: União Soviética - 27 de janeiro de 1945 |
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
O RACISMO DEBAIXO DA CAMA - SÉRIE RENASCER
Para falarmos de nós, dos outros e novamente de nós como um todo precisamos de olhar para a História com honestidade. Essa honestidade passa também por reconhecer de onde viemos, qual o processo histórico dos nossos antepassados, em que lugares estes se colocaram e/ou foram colocados. Sabermos que privilégios nos foram ou não concedidos e até retirados. Por outro lado não sermos reducionistas em olhar a preto e branco para a complexidade da História e de todas as partes envolvidas. Até hoje falar de racismo, colonialismo, guerra colonial ( no ponto de vista de Portugal) e guerra pela independência ( do ponto de vista dos países africanos) é tabu.
É com muito orgulho que partilho este vídeo onde aparece o querido antropólogo Miguel Vale de Almeida, que tive o prazer de ser aluna na graduação em Antropologia Social no ISCTE - universidade de Lisboa. Porquê? Porque é um português, branco, académico que coloca os pontos no is, afirmando que a sociedade portuguesa é esquizofrénica, colocando o racismo e a violência debaixo da cama. Adoro a expressão 'debaixo da cama"! Diferentemente de " debaixo do tapete" a pessoa quando se deita normalmente é na cama, salvo raras excepções em cima do tapete. Ao se deitar a pessoa aconchega a sua cabecinha, estica ou aninha o seu corpinho e faz óó. Vai daí que a pessoa traz dentro de si uma tal de uma consciência, que pode ou não estar aflorada. Ao fazer óó a pessoa acessa ao inconsciente e ao subconsciente. Tá. Daí aquilo que ela em coletivo e no individual colocou debaixo da cama emerge como um fantasma da ópera, uma realidade que foi e é um pesadelo enquanto não sair debaixo da cama por omissão e negligência. Vergonha? Não sei. Penso que uma grande parte da população portuguesa nunca se questionou sobre essa vergonha, pois se assim fosse não permitiria esse enaltecimento dos monumentos e dessa narrativa de " dar novos mundos ao mundo". Sim, sem dúvida a tecnologia avançou e muitos encontros auspiciosos aconteceram, ou começam a acontecer quando vamos ao encontro do outro não para subjugá-lo, explorá-lo, desrepeita-lo e até aniquilá-lo e sim para conhecê-lo, abraçá-lo, criar boas relações.
Logo de seguida temos a artista Grada Kilomba, afro descendente, que nasceu e viveu em Lisboa, que fala da resistência que o povo português tem em chegar ao presente e lidar com o presente, resistindo a incluir os afrodescendentes na sociedade portuguesa na sua totalidade. O mais chocante, e quem viveu em Portugal como eu por ser de lá, é lembrar aquela frase: " Oh preto! Volta para a tua terra!" Ou aquelas pixações: PRETOS FORA! Degradante num país como Portugal que só deixou de bater no peito faxixi " Angola é nossa!" e abriu mão de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé quando ao fim de 12 anos percebeu que a guerra estava perdida e que muitos morreram e outros ficaram feridos e traumatizados de guerra. Isto na geração do meu pai, dos meus tios, dos pais dos meu amigos. E essas memórias de guerra ainda são muito doloridas para muita gente relembra-las. Normal. Compreensível. O que não é compreensível é Portugal ter-se tornado num país que quase só vive do turismo, em que um dos produtos vendáveis é essa narrativa caduca e nefasta. Por outro lado, é minha intenção mostrar não só aos angolanos, cabo verdianos, guineenses, moçambicanos, são tomesenses (? existe essa denominação?) mas como aos brasileiros que existem portugueses, brancos, estudiosos que não compactuam com essa narrativa, esse discurso que deveria ser convertido em pedido de desculpas e procura duma reconciliação daqui para a frente, acolhendo de facto as pessoas, valorizando-as, criando perspectivas destas progredirem. Sinceramente, Portugal até à data também não me oferece essa perspectivava de progressão seja pessoal, espiritual como profissional. Como a mim outras pessoas sentirão o mesmo. Por isso não voltam. Santos da casa não fazem milagres! :D
Porém, desejo do fundo do coração, muito sinceramente, que outras mentalidades se firmem num estar na vida de outra forma, sem ser fechado sobre o seu próprio umbigo, numa auto negação com os olhos estrábicos virados para o passado. Eu sei que tem muita gente em Portugal a pensar diferente e a olhar para os africanos, para os afro descentes e para os indígenas brasileiros com muito respeito e admiração. Mas ainda não é suficiente. Façamos de facto a diferença no nosso dia a dia uns com os outros. Valorizando-nos de facto, independentemente da cor e da origem. Prática que nem sempre acontece. Só às vezes, vá.
Abraço luso tropical desde o Brasil
A Piu
Campinas SP 24/01/2020
https://youtu.be/3jxGD2X2eYc
É com muito orgulho que partilho este vídeo onde aparece o querido antropólogo Miguel Vale de Almeida, que tive o prazer de ser aluna na graduação em Antropologia Social no ISCTE - universidade de Lisboa. Porquê? Porque é um português, branco, académico que coloca os pontos no is, afirmando que a sociedade portuguesa é esquizofrénica, colocando o racismo e a violência debaixo da cama. Adoro a expressão 'debaixo da cama"! Diferentemente de " debaixo do tapete" a pessoa quando se deita normalmente é na cama, salvo raras excepções em cima do tapete. Ao se deitar a pessoa aconchega a sua cabecinha, estica ou aninha o seu corpinho e faz óó. Vai daí que a pessoa traz dentro de si uma tal de uma consciência, que pode ou não estar aflorada. Ao fazer óó a pessoa acessa ao inconsciente e ao subconsciente. Tá. Daí aquilo que ela em coletivo e no individual colocou debaixo da cama emerge como um fantasma da ópera, uma realidade que foi e é um pesadelo enquanto não sair debaixo da cama por omissão e negligência. Vergonha? Não sei. Penso que uma grande parte da população portuguesa nunca se questionou sobre essa vergonha, pois se assim fosse não permitiria esse enaltecimento dos monumentos e dessa narrativa de " dar novos mundos ao mundo". Sim, sem dúvida a tecnologia avançou e muitos encontros auspiciosos aconteceram, ou começam a acontecer quando vamos ao encontro do outro não para subjugá-lo, explorá-lo, desrepeita-lo e até aniquilá-lo e sim para conhecê-lo, abraçá-lo, criar boas relações.
Logo de seguida temos a artista Grada Kilomba, afro descendente, que nasceu e viveu em Lisboa, que fala da resistência que o povo português tem em chegar ao presente e lidar com o presente, resistindo a incluir os afrodescendentes na sociedade portuguesa na sua totalidade. O mais chocante, e quem viveu em Portugal como eu por ser de lá, é lembrar aquela frase: " Oh preto! Volta para a tua terra!" Ou aquelas pixações: PRETOS FORA! Degradante num país como Portugal que só deixou de bater no peito faxixi " Angola é nossa!" e abriu mão de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé quando ao fim de 12 anos percebeu que a guerra estava perdida e que muitos morreram e outros ficaram feridos e traumatizados de guerra. Isto na geração do meu pai, dos meus tios, dos pais dos meu amigos. E essas memórias de guerra ainda são muito doloridas para muita gente relembra-las. Normal. Compreensível. O que não é compreensível é Portugal ter-se tornado num país que quase só vive do turismo, em que um dos produtos vendáveis é essa narrativa caduca e nefasta. Por outro lado, é minha intenção mostrar não só aos angolanos, cabo verdianos, guineenses, moçambicanos, são tomesenses (? existe essa denominação?) mas como aos brasileiros que existem portugueses, brancos, estudiosos que não compactuam com essa narrativa, esse discurso que deveria ser convertido em pedido de desculpas e procura duma reconciliação daqui para a frente, acolhendo de facto as pessoas, valorizando-as, criando perspectivas destas progredirem. Sinceramente, Portugal até à data também não me oferece essa perspectivava de progressão seja pessoal, espiritual como profissional. Como a mim outras pessoas sentirão o mesmo. Por isso não voltam. Santos da casa não fazem milagres! :D
Porém, desejo do fundo do coração, muito sinceramente, que outras mentalidades se firmem num estar na vida de outra forma, sem ser fechado sobre o seu próprio umbigo, numa auto negação com os olhos estrábicos virados para o passado. Eu sei que tem muita gente em Portugal a pensar diferente e a olhar para os africanos, para os afro descentes e para os indígenas brasileiros com muito respeito e admiração. Mas ainda não é suficiente. Façamos de facto a diferença no nosso dia a dia uns com os outros. Valorizando-nos de facto, independentemente da cor e da origem. Prática que nem sempre acontece. Só às vezes, vá.
Abraço luso tropical desde o Brasil
A Piu
Campinas SP 24/01/2020
“Portugal meteu a escravatura, o colonialismo e o racismo debaixo da cama”
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| Reika Jamece - pintora angolana " Renascer ' |
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