quarta-feira, 28 de junho de 2017

A NOBRE ARTE DO RIDÍCULO QUE É MUITO MAIS QUE ENTRETENIMENTO


Através da arte do ridículo continuamos na caminhada da desconstrução de estereótipos em que a autonomia é palavra chave. Autonomemos-nos então, sem máscaras que cobrem corpos cristalizados.
A Piu
Sampa, 26/06/2017
Foto de Ana Piu.
Sim. Pois sim. Ora, ora, pois, pois.

Foto de Ana Piu.
Bell Trana e a bandeira da ridiculitide da bandeira.

A UNIVERSALIDADE DA CALMA


os olhos sorriem diante do tremor de terra
na ponta dos pés o abraço ergue-se
em nome da paz os olhos sorriem
boas vibrações não fazem frio
a porta entreabre-se sem entalar o delicado fio que nos une a todos
como uma teia de detalhes tricotados
no silêncio as raízes chegam até ao núcleo central da terra
lá, onde a música não se confunde com ruído
a melodia do silêncio é uma dança sensual com a essência dos fios que fazem a teia de tricotados detalhes em que os os olhos sorriem diante a terra que se ergue num abraço
A Piu
Br, 27/06/2017

Foto de Ana Piu.

NÓS, OS BUFÕES E AS BUFONAS, SOMOS ASSIM

Num pedaço de papel anoto o que acabei e falar, na sequência duma conversa, depois de rirmos: " É aí que a ciência peca. Querer dar explicações para tudo. Isso é blasfémia."
Num pequeno caderno publicado em Lisboa em 1975 " Educação Política e Conscientização" por Paulo Freire pode-se ler: " Foi assim que as ciências sociais se limitaram à descrição dos fenómenos sociais. sem procurar interpretá-los, já que a finalidade era simplesmente de compreender o mundo e não de transformá-lo. A " ciência neutra ", trabalhando no recinto sagrado da Universidade, preferiu sempre ignorar essa evidência de que as suas pesquisas não iriam apenas se amontoar em bibliotecas poeirentas, mas serviriam também da base às intervenções feitas na realidade social por aqueles que dispõem do poder político, controlam a Universidade e a põem ao serviço da sua sustentação da "ordem estabelecida".
Já num curso de empreendedorismo on line, alguém diz: " Saiba qual o seu propósito e realize-se com isso. Se o chamarem de louco é porque você está bem!"
iuuuuuuuuuu glugluglu bula bula gá gá gá
Sou louca, mas não estou sozinha!   Grande Paulo Freire!
A Piu
Br, 28/06/2017

Foto de Ana Piu.


imagem: Bruegel Velho Three Fools of Carnival 1642


POR FALAR EM SAGRADO E NO PRAZER DO SAGRADO


Algumas questões do sagrado feminino, energia criativa que todos temos sem distinção de género e orientação sexual:
1. Qual a diferença entre liberdade e libertinagem?
2. A emancipação do corpo não deverá estar aliada à do espírito, para que "nos" libertemos da síndrome de gostozice, em que o culto da imagem e do corpo é mais importante que o desafio de nos entregarmos uns aos outros de corpo e alma?
3. Um homem ou uma mulher que resiste ao desafio de se superar das suas ideias feitas do que é feminismo, perpetuando velhos padrões em que a mulher deve ser dócil e não questionar muito, e exibir o seu corpo para deleite viril daqueles que acham que já passaram a fase do machismo não será medíocre?
4. Enquanto não superarmos a imediatez do desejo por alguém que não está de igual para igual, num movimento continuo de apreço, admiração e respeito não estaremos a ser subjugadores ou colocarmos-nos no papel de quem se subjuga?
5. O que praticamos efetivamente no dia a dia quando falamos de feminismo e machismo? Enfim, questões que coloco a tod@s nós. A quem defende e a quem acha que defende.
6. Quantos homens ou mulheres foram ou são educados ou se auto educam para estarem preparad@s de abrir as pernas e o coração em sintonia? O que é sacanagem? Nunca entendi muito bem, essa da sacanagem... Quantos homens nós conhecemos que não se intimidam com a nossa autonomia e carisma? E que no fundo o seu desejo é que sejamos mosquinhas mortas de sorrisinhos brilhantes. Embora nos admirem eventualmente.
7. Nós mulheres precisamos de tutores, provedores e outros clamores?
Tanto questionamento para uma trepada. Ai! Das duas quatro: ou é intelectual feminista, ou artista relativista ou é militante do levante ou é simplesmente é uma mulher que com tanta modernice qualquer dia já fuma e que dispensa assobios e piropos do género: Fiu fiu Linda! Mais que demais! "Guestoza"
A Piu
Braziule, 28/06/2017

domingo, 25 de junho de 2017

A NOBRE ARTE DO RIDÍCULO QUE É MUITO MAIS QUE ENTRETENIMENTO



Através da arte do ridículo continuamos na caminhada da desconstrução de estereótipos em que a autonomia é palavra chave. Autonomemos-nos então, sem máscaras que cobrem corpos cristalizados.
A Piu
Sampa, 26/06/2017

valeu Priscilla e Centro Cultural Tapioca lááááá no Butantã pelo encontro até jazz

Bell Trana e a bandeira da ridiculitide da bandeira.

Sim. Pois sim. Ora, ora, pois, pois.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

PERGUNTAS QUESTIONÁVEIS


Quem não se pergunta o que anda aqui a fazer, veio para ver os barcos passarem? Quem diz barcos, diz bicicletas e outros.
Quem se acha mais que demais não anda um pouco perdido? Esse achar de aparente beleza, inteligência, gostozice que acha que o mundo inteiro cai a seus pés não padece de falta de auto estima, focando-se meramente numa aparência de talha dourada facilmente rachável?
Quem não tem consciência de classe de que vale tanta espiritualidade? É moda? É giro? Tem style? Amacia a consciência? Quem se acha mais iluminad@ que os demais não andará aos tropeços na escuridão?
Quem tem consciência de classe e "até defende", supostamente, os trabalhadores mas depois é déspota mas reza muito. Onde está a sua consciência expandida?
Cada um de nós tem um caminho a calcorrear, pode ser que estas perguntas sejam questionáveis. Mas também vir aqui só para ver os barcos, as bikes e outros passarem não é assim tão energeticamente vital. Ou é?
A Piu
Br, 19/06/2017

Foto de Ana Piu.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O HOMEM ESTRANHAMENTE CHARMOSO




Deambulou durante algumas horas sem que ninguém desse por ele. Os seus passos ora eram compassados, ora cambaleantes. Atrás dos seus óculos escuros o globo ocular direito rodopiava a 100 km por hora, ao passo que o globo ocular esquerdo estava quase parado e uma película verde alga embaciava a pupila dilatada. Já o terceiro olho, que se encontrava bem acima das lentes escuras, pestanejava sem parar embora não houvesse pálpebra.
Era o aniversário do homem estranhamente charmoso. Retirara-se do salão no exato momento em que iam cantar os parabéns. Tudo uma questão de charme aliado à carência dum abraço. Foram-no buscar, já ele tinha acendido um cigarro de chá de cidreira. Deu um trago antes de entrar na sala e respirou fundo.
O grande charme do homem estranhamente charmoso é que este tinha a capacidade de se preencher e esvaziar, de acolher e deixar ir. Esse era o grande charme do homem estranhamente charmoso.
A Piu
Br, 14/06/2017