sábado, 31 de dezembro de 2016

EU AMO AS MULHERES, MAS NÃO AS ADMIRO Charlie Chaplin

Admiro muito o Pablo Picasso. Admiro muito mesmo Charlie Chaplin. Ambos são uma fonte de inspiração a cada trabalho que realizo. Poesia, coragem, sensibilidade e reflexão. Ao apreciar as suas obras pergunto: “Que homens são esses?”, ""Que homem desapegado, inocente amoroso é o Chaplin?" Ao conhecer as suas biografias, principalmente as suas relações “amorosas” suspiro: “Ufa… Mil vezes ufa…” O Picasso tem de fazer terapia em várias encarnações. O Chaplin, também, ao que tudo indica. Ambos, considerados génios, colecionam mulheres bonitas mas a maioria jovenzinhas e “indefesas” que os mesmos não admiram realmente. Isso é amor? Isso é genialidade? Quantas de nós conhecemos homens e mulheres assim, que preferem estarem com alguém “abaixo” para que a sua “genialidade” não seja dialogante? E nós mesm@s com quantas pessoas já nos relacionamos admirando parcialmente? EU JÁ! Honestamente assumo publicamente, sem me considerar genial. Essas escolhas mancas tem que ver com a auto estima igualmente manca, Ah! E isso seria o fim da picada, eu auto rotular-me de genial e irresistível. Ahahahah.
Eu gostaria de me enamorar por alguém que é admiravelmente enamorante e que me admira. Caso contrário é entediante e prevísivel. É tipo:” Eu sou o melhor da minha rua!... E todos me aplaudem” Nheca… Bora ser mais uns para os outr@s em 2017? Bora lá? O machismo já cheira a alho, principalmente por aqui… Nos trópicos, que é honestamente escancarado.Assim como o falso feminismo, que diaboliza os homens para confundir as intenções. Somos mais. Muito mais. Eu e tu somos nós sem aquele faz de conta que só leva a um beco. BORA SER, então, sem aplausos de circunstância.
Beijuuuuuuuus a nós todos que para estarmos juntos há que fazer sentido para os nossos corações
A Piu
Brasil. 1.01.2017
foto:
Mildred_Harris (primeira esposa de Chaplin)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SKA QUE NEVASSE FAZIA-SE CÁ SKY- Série: LIBERDADE SEMPRE! ( carta aberta para Luaty Beirão e Bruno, o Penumbra)



Nas redes sociais, uns colocam fotos na praia, outros à volta da lareira. Talvez haja, entre os meus amigos, os que colocam fotos na neve. Não sei. Não é importante. Debaixo das árvores, para me cobrir do calor, escrevo com a promessa duns dias na praia. Aceitei o convite! Iuuuuu. Para escrever não precisamos mais do papel das árvores, mas da tecnologia. Viva a tecnologia, então!
Para muitos não é hora de perguntar por fulano X, beltrano Y, sicrano Z. Ou então responde-se: “ Está lá… Na mesma…” E assim vamos levando a vida entre a felicidade, a aparência de felicidade e aquela dor latente. Para uns submissão, para outros revolta, para ainda outros ainda uma revolta neurótica que não sai do lugar, do seu umbigo.
Este ano morreu David Bowie e Umberto Eco. Morreram outros mais, mas estes foram quem mais me marcaram. O Fidel de Castro é outro texto e o George Michael é uma curiosidade, com todo o respeito pela sua ida.E o Luaty Beirão ainda está vivo? O Luaty, o luso angolano que fez greve de fome em Angola durante meses para que o seu país se democratizasse após mais de quatro décadas de ditadura de “esquerda” ( agradeço que o pessoal eventualmente fascista não coloque likes, curtidas, gostos nesta minha publicação. Gratidão. Uma questão de ética e honra da parte que me toca. Gratidão sincera, mas à distância). E do Bruno, o meu ex companheiro e pai da minha filha, alguém sabe? Independentemente das maluqueiras, ele é mais uma vítima da guerra de Angola e do racismo em Portugal. Nunca ninguém cuidou dos traumatizados de guerra, independentemente se lutaram pela libertação do povo (?!). Nunca esquecer isso. UM ABRAÇO PARA ÁFRICA! VIVA O ANTI IMPERIALISMO! VIVA O ANTI COLONIALISMO! Seja da direita, da esquerda, manco, vesgo, choné quéquéréquéqué.
Enfim, 2017 aproxima-se e gostaria de deixar aqui um desejo de muita paz no coração, repleta de respiração para nós TODOS DO MUNDO INTEIRO! ALL OVER THE WORLD E ARREDORES!
A Piu
Brasil, 29.12.2016


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

GOSTAS MAIS DO PAI OU DA MÃE? - Série: LIBERDADE SEMPRE!

“(…) As pessoas costumavam dizer: “Gottfried não é um comunista, ele é um ser humano de verdade, ele é amável, bom generoso com quem está em apuros. (…)
O partido para ele, assim como para certo tipo de pessoas, uma espécie e absoluto, um Deus. (…) Mas espere… um homem que acredita que o Partido está sempre certo ( mesmo quando não está- um mero lapso temporário), um homem que obedece ao Partido como se fosse a própriaconsciência (…) De que modo existe uma possibilidade verdadeiramente terrível: suponhamos que Gottfried não fosse mais cem por cento comunista (…) suponhamos que estivesse numa posição onde era obrigado a executar ordens que odiava? Não é exatamente incomum no mundo comunista.
Gottfried foi assassinado em 1979. (…) Eu olhava para a frente, sem voltar a cabeça, nem de relance, para trás. Estava esperando meu futuro, minha vida real começar. Atrás de mim uma porta se fechara.”
LESSING, Doris “Debaixo da minha pele” , Prêmio Nobel- Companhia da Letras, Brasil 2007.
Volvidos 70 anos depois da II Grande Guerra, mais 17 sobre a queda do muro de Berlim e da respectiva Perestroika e fim da Guerra Fria, mais democratização aqui e ali já poderíamos ter passado a outro nível. As coisas não são dicotómicas. Se és anti capitalista és comunista. Se és comunista não bebes vinho francês e comes orelhinhas de criança logo pela manhã. Se amas o Amor universal viras-te as para Alá ou acreditas no cabeluda primeiro hippie comunista que é o Jesus, embora para muitos é um grande careta como convém para melhor se controlar os demais, fazendo uso e abuso da sua palavra como se tratasse duma pop star. Diante de tanta crendice, seja ideológica, religiosa e/ou partidária, lá vamos nós justificando as nossas misérias humanas e trocando solidariedade por caridade e de alguma forma compactuando com mentirinha aqui, mentirinha lá. Muitas vezes, ao não nos posicionarmos diante duma mentira, porque achamos que o Amor é universal ou que quem ergue a nossa causa é nosso irmão/ camarada/ companheiro sublinhamos e reproduzimos os velhos padrões. E que padrões são esses? Relações de poder com visão imperialista. Quantos acham que a sua verdade espiritual, ideológica deve imperar o mundo? Ufa … Ainda não conheci nenhuma instituição que não tentasse fazer lavagem cerebral e ao limite não olha a meios para atingir os fins, esquecendo dos laços afetivos e empáticos.
Assim sendo, desejo para nós todos neste ano de 2017 autonomia no pensamento e no agir, pois temos de travar o retrocesso obscurantista. A Europa está com uma curva acentuada à direita, tal qual há 70 anos atrás; as Américas voltam a mostrar o seu puritanismo e moralismo por conveniência. É tempo de nos voltarmos para nós mesmos. A maior revolução é a meditação. Tão silenciosa e íntima e eficaz. Deixemos-nos de ismos que nos separam e nos fazem compactuar com mentirinhas ou mentironas.
Abraços no coração a todos nós
A Piu
Br, 28.12.2016

Quebrando barreiras entre nós e desfazendo nós.
queda do muro de Berlim em 1989
Vitória para nós todos!
queda do muro de Berlim 1989

link interessante: http://revistacult.uol.com.br/home/2016/12/de-novo-o-fascismo-um-ano-apos-como-conversar-com-um-fascista/

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

MULHERES COM U

Mergulhada no primeiro volume de “ O Segundo Sexo” da Beauvoir uma série de luzes se acendem relativamente à questão de como nos enxergamos nós mulheres, enquanto mulheres, e como nos enxergam ao longo da História da Humanidade. Sim, até aos dias de hoje considero-me e assumo-me como mUlher.  Talvez não seja a mulher dócil, delicada e prestativa que muitos e muitas esperam. Mas sou mulher com U grande. U de Urro, de Útero, de União. Viro a mesa quando considero que o que não é justo tenta imperar. E também sou doce, delicada e prestativa quando o sentido se vislumbra. Estou a aprender a ser mais meditativa, mas isso não significa submissão ao autoritarismo. Autoritarismo é boçal. Virar a mesa é saudável, desde que construtivo. Algo que me tem impressionado verdadeiramente é o machismo reproduzido pelas próprias mulheres. Por exemplo: compararem-se umas com as outras e boicotarem a “amiga” e/ou companheira quando esta está feliz ou é bem sucedida ou tem algo dentro de si que brilha, independentemente das vicissitudes da vida. Isso dá que pensar. Como dá que pensar se aqueles vereadores de Campinas, Estado de São Paulo, que repudiaram Beauvoir deram-se ao trabalho, ao menos, de ler a sua obra. Hmmmmm depois de conhecer feministas com pensamento elitista ( que desvalorizam o valor do trabalho) , logo patriarcais, já tudo é possível independentemente das leituras, reflexões e práticas.

A Piu

Br. 27.12.2016


O VALOR DA VIDA



Tem a morte morrida, a morte matada e a morte ressuscitada. Quantas vezes nós ressuscitamos ao longo da vida, por que sobrevivemos a várias mortes? Mortes de entes queridos e morte de nós mesmos? Quantas vezes nós matamos e morremos quando vivenciamos desconsideração? Da minha parte há sempre um pedacinho de mim que morre quando o empenho, a força de trabalho não é valorizado. Não só a nível financeiro, como a nível da sua importância e o respeito que se deve nutrir pelo mesmo. Mas estamos aí para renascer! O catador de lixo, por exemplo, é dos sujeitos que mais deveria ser respeitado, pois é ele que dá um rumo ao nosso lixo diário. Mas, na maior parte dos casos, é alguém invisível e desqualificado.
Ontem ouvi algo que considero aterrador: “bandido bom é bandido morto. No Brasil deveria haver pena de morte.” Quem emitiu este pensamento medieval tinha uma tesoura na mão. Não falei nada. Olhei pelo espelho em atitude de escuta e com alguma preguiça em entrar no diálogo enquanto o mesmo cortava o meu cabelo. Esse tipo de debate prefiro faze-lo com pessoas que sei à partida que vamos nos escutar mutuamente e que o nível de conversação não corre o perigo de baixar. Em suma, converso sobre isso com os meus amigos. Mas não deixo de escrever aqui publicamente o que acho em relação a isso. A pena de morte é medieval.

Há uns dias atrás fui a uma taverna medieval ouvir uns amigos tocar música celta e Bob Dylan, entre outros. Na entrada tinha uma guilhotina, tal qual parque temático, onde as pessoas divertidamente colocavam a cabeça para a foto. Pessoal!.... Eu acho de mau gosto banalizar a violência. Ainda bem que o meu foco estava na música dos meus amigos e que a melodia do Bob Dylan está aí para nos fazer ainda acreditar na Humanidade, se é que esta tem saída. Bom, cada um de nós te de fazer de catador de lixo emocional de si mesmo. Caso contrário… o valor da vida é uma mera falácia.
 

A Piu
Br, 27.12.2016


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A VIDA A CADA DIA QUE PASSA



Ao fim de quase cinco anos, o natal tropical ainda é estranho. Como as coisas andam no mundo ocidental parece tudo muito estranho. Uma estranheza de algo que já achavamos (?!) que não voltaria a acontecer. Golpes, fascismos, atentados... Berlim acabou de ser alvo dum atentado. Egoisticamente logo pensei: " ainda bem que estamos aqui e não fomos viver para lá, como tinha pensado e organizado. " Fatalidades acontecem em qualquet lugar. O Brasil é eximio na banalização da violência. Seja ela fisica como psicológica. Muitas vezes duma forma "cordial"... A velha Europa ocidental é como o Eugénio Barba define: "um hotel de luxo medíocre" só preocupado com o seu umbigo. Acha que os seus atos não têm consequências, nomeadamente na contribuição do flagelo na Síria. Enfim..
. Nós, cidadãos comuns estamos aí como sempre tivemos... parece, embora nem sempre seja evidente, que já temos informação suficiente para não sermos medíocres uns com os outros. Valorizarmos a vida e uns aos outros. E não diabolizar! O que fizeram com os judeus estão a fazer com os muçulmanos. Poderia agora contar a história dum pseudo libertário que justificou o seu machismo com o facto da sua ex namorada ser descendente de muçulmanos. Ela é que estava lá atrás! Enfim... Não te deixes cair em imitações. Aqui entre nós : maluqueira por maluqueira gosto muito do Brasil e de aqui viver. :) <3
A Piu
Br 19.12.2016



Foto de Photographize Magazine.

SE EU QUISER USAR TURBANTE USO; SE EU NÃO QUISER NÃO USO. O BIGODE MEU!



(...) a ingenuidade masculina é desconcertante. Há muitas maneiras subtis mediante as quais os homens tiram proveito da alteridade da mulher. Para todos os que sofrem de complexo de inferioridade, há nisso remédio milagroso: ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso, do que o homem que duvida da sua virilidade. Os que não se intimidam com os seus semelhantes mostram-se também muito mais dispostos a reconhecer na mulher um semelhante. (...) É preciso ter muita abnegação para recusar a apresentar-se como o sujeito único e absoluto.
BEAUVOIR, Simone "O segundo sexo", Bertrand editora, Lisbo (1970, 1975, 1987)
Este livro foi escrito em 1949, depois vieram os beatniks, os hippies, a contra cultural, os punks e outros que por convicção ou modismo abraçaram a causa de se livrarem de velhos padrões. Dos ditos karmas. Mas... passinho daqui, passinho dali os medinhos, as inseguranças aliadas a arrogâncias emergem. Isso não acontecem só com os homens, as mulheres que seguem uma lógica patriarcal de competição são a mesmice coisa. Depois há os de cabelo curto ou comprido, que acham que são super emancipados, mas viram a cara para o lado e colocam os óculos escuros quando um(a) semelhante brilha e toma a vida nas suas mãos. Ainda com a capacidade de sinalizar machismo nesses mesmos sujeitos , sem se darem conta que isso que sinalizam está realmente dentro de si. Pois é o padrão que reconhecem. A isso chama-se pseudo libertação. Já é tempo de estarmos atentos a isso dentro de nós, ao invés de estar constantemente em posição acusatória. E nós? Qual é a parte que nos diz respeito para fazer a diferença?
A Piu
Br, 2012.2016

Foto de Ana Piu.