sábado, 30 de julho de 2016

A VIDA E OS SEUS ODORES, AROMAS E SABORES


“A vida lá fora tem outro sabor” (Portela 2009)
Publicado em França, Alemanha, Suíça, Venezuela, Canadá, Estados Unidos, Brasil, Guiné Bissau, Angola, Austrália e outros países em que os nativos do Condado Portucalense e suas extensões andam lá fora a lutar pela vida. Traduzido para várias línguas, este livro é um best seller.
A partir de histórias verídicas, Maria Armanda do Amaral Savaresi Telles vai discorrer sobre o conceito de identidade e aculturação. Viajar como turista não é o mesmo que migrar. Ter uma ideia sobre o lugar e suas gentes não é o mesmo que vivenciar com continuidade esses lugares e essas gentes. Como não esquecer de onde se vem, de quem se é, mas imprimindo-se na paisagem com flexibilidade? Como ser aceite, acolhido, reconhecido quando o dinheiro é escasso e o agente social não cumpre com a lógica de mercado que é a competição? Estas são as perguntas de Savaresi para analisar o conceito de vulnerabilidade e sua importância para os laços que se estabelecem, assim como o conceito de alteridade. A colocação no lugar do outro e o encarar a vulnerabilidade não como uma fraqueza e sim como uma força plena de energia vital e compreensão do outro e de si mesmo.
Ana Piu
Brasil, 30.07.2016

CORAÇÕES AO ALTO: E SE O FADO FOSSE DANÇADO


“O fado é para os fracos?” (Saidafossa 2008)
Saudade é uma palavra que em muitas línguas não tem tradução. A partir dum conto ibero escandinavo sobre as lágrimas serem a origem do mar, neste livro, Maria Armanda Savaresi Telles vai-nos oferecer uma visão ampla do sentimento que o fado gera no âmago do ser. Maria Armanda faz algumas experiências práticas para compreender se o fado se dança ou não e em que medida isso influência no ímpeto, na energia vital de quem escuta fado.
Ana Piu
Brasil, 30.07.2016

“ ATIRA-TE AO MAR E DIZ QUE TE EMPURRARAM” ( Condado Portucalense, 2007)

Desde a pré-história que a humanidade é nómada. Umas vezes por necessidade, para fugir às intempéries e à escassez de recursos, outras porque viajar é satisfazer a curiosidade de conhecer o que está para lá do horizonte e por consequência transcender-se.
Volvidos sete anos, depois do tão esperado fim mundo, dá-se um fluxo migratório no Condado Portucalense e suas extensões já antes visto, mas desta vez por motivos inéditos na história da humanidade. Instala-se uma crise financeira que nada tem a ver com a falta de recursos, visto ser o momento de consumismo mais compulsivo gerado por grandes consórcios, hipermercados, grandes superfícies, multinacionais e os ditos bancos. Mas no cerne da questão está a milenar China, de tradições espirituais e recentemente maoista, esfrangalha o livre mercado aperfeiçoando a escravatura.
Savaresi Telles vai etnografar e analisar a importância do corridinho e dos cantos gregorianos dos dançarinos e cantores sociais que tem de se pôr a andar das suas terras por falta de emprego e para fugir à neurose coletiva de que o mundo acabou, mesmo parecendo que não, e que o sonho dum futuro mais digno é algo que é devaneio de sonhadores insanos e loucos. Savaresi Telles, em diálogo com a psicanálise e o misticismo, faz uma reflexão da loucura da normalidade e dos que são considerados loucos por não aceitarem as normas que os enlouquecem, por não respeitarem o valor do seu trabalho, como um ganho não só económico mas também como cultural e espiritual.
Ana Piu
Brasil, 30.07.2016

MARIA ARMANDA, UMA FOLCLORISTA QUE FAZ DO POPULAR ERUDIÇÃO, E DA ERUDIÇÃO POPULAR

Maria Armanda do Amaral Savaresi Telles, etnógrafa, folclorista e analista de contos populares ibéricos de influência escandinava e sufista. Dança num rancho folclórico que funde o corridinho com cantos gregorianos . Auto didata de sânscrito. Tendo como pano de fundo a questão dos fluxos migratórios nos últimos nove anos, Maria Armanda é autora de ‘Atira-te ao mar e diz que te empurraram” ( Condado Portucalense, 2007) “O fado é para os fracos?” (Sarafossa 2008); “A vida lá fora tem outro sabor” (Portela 2009); “ Lembrando o presente: se não fosses tu o que seria de mim? (Ponta da Cana, 2010); “Oh ai oh linda: a tradição entre os que migram” ( Bugio, 2011) “Oh it’ very typical: ser castiço numa capital. O impacto da chegada dos turistas com a debandada dos nativos. ( Lizaboina, 2012); “Cantas bem, mas não me alegras: práticas do oba oba” (Rio de Fevereiro, 2013); “ Nem tudo o que é luz é ouro: a honra como uma prática na palavra dada” ( Alto Astral, 2014); “ Amor: um constructo milenar” ( Santa Bárbara do Agreste, 2015); “ A vida dentro de mim é uma vida aqui: a fundação do eu numa conjetura macro” ( Campos Euristidos, 2016), “ E se o antes fosse depois: conexões transversais nas práticas telepáticas entre seres que se querem bem” ( Zuruparé, 2017)

Ao longo destas sessões vamos nos debruçar sobre a obra de Maria Armanda do Amaral Savaresi Telles com suas interfaces entre o popular que se torna erudito e o erudito que se torna popular, fluxos migratórios e aculturações É preponderante na obra da autora a indicação que a cultura popular não é propriedade duns poucos assim como a dita erudição.


Ana Piu
Br, 30.07.2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

OFICINA "DRAMATURGIA E COMICIDADE" COM ANA PIU E HERICA VERYANO

Lembrando que a inscrição será feita através do email: contato@paguproducoes.com.br
Cada turma tem capacidade máxima de 15 pessoas, então a garantia da vaga está ligada a ordem de recebimento do e-mail.

CONVERSA DE AMIGAS SEM ESPECISMO


Morgana Sideral Vaz Van Kusa olha nos olhas de sua cadelita Alvorada do Amanhã Indigo Vaz Van Kusa sem os óculos de plástico verde choque, pois dá aquela pontada no cérebro que deixa a pessoa numa espécie de barato, de Lucy in the Ski with Diomonds.  Morgana olha no olhito de sua cadela como quem diz: " Viver em comunidade não é fácil, pois há uns que confundem viver à custa dos outros com o viver em coletivo. Acham que não é preciso fazer nada, que alguém vai fazer. Ai Alvorada, Alvorada! Uns exploradores alternativos que apregoam que são contra o capitalismo. Ai mundo cão com os seus parasitismos! Só tu me compreendes, com o teu cintinho vermelho cor de coração. Já volto! Vou até à India pegar uns tecidos e umas almofadas para revender por aqui num desses retiros de um qualquer um magnata da espiritualidade. Mal por mal ele trabalha! E tu, minha Alvorada Indigo, és coerente? Olha-me no olho e sê sincera! Não tamos  aqui para julgar ninguém! Estamos entre amigas".

Roupa: vestido da Natura, uma rede de lojas de artesanato industrializado que se encontram nas grandes superfícies lusas; casaco new age do mundo mix; echarpe da feira hippie de Copacabana.
Penteado: Antoni cabeleireiros

Cintinho vermelho: Pet Shop Dog Chic

Ana Piu
Br, 28.07.2016

MORGANA E SUAS EXPERIÊNCIAS PERMA CULTURAIS E AMOR LIVRE

Diante daquela planície imensa, onde seus avós nasceram, Morgana encantou-se à primeira vista. Já em Lourenço Marques, atual Maputo, escutara histórias o tórrido sol e das suas noites alentejanas, aparentemente calmas, e da época que fugiram num navio à pressa na virada sombria da década de quarenta para cinquenta. Disseram adeus à Europa e ao Portugalito que queria continuar a ser imperialmente grande. Fugiram para uma das colónias, mas a vizinhança comentava à boca fechada que eles eram da oposição. Gente simpática e de bem, mas não confiável. Pois estavam do outro lado. Logo os seu avós refizeram as suas vidas com os respectivos criados, embora tivessem pensamentos vermelhos. Assim foi e assim é com os seus pais, após a independência. Continuam com criados, mas alegam que assim criam postos de trabalho. Se pagarem dignamente, contrapõe Morgana, está tudo bem. Mas quanto a estudar… Morgana concorda que as escolas devem ser mistas, misturadas. Mas para quê a criadagem querer estudar se pode trabalhar, ganhar o seu? Enfim, Morgana tem as suas paradoxalidades. Acontece.

Porém, quando chega a Portugal na década de noventa qual não é o seu espanto e percebe que praticamente ninguém tem criados. Isto é, só as pessoas muito ricas que vivem num mundo paralelo ao do cidadão comum. Diante desta informação as suas faces ficam vermelhas. E ela que achava que a sua família era da resistência e que criticava os tugas por serem isto e aquilo. Nascida em Singapura, e tendo vivido em vários lugares, até à década de 90 nunca conhecera a terra natal de seus avós e pai.

Agora estava diante daquela imensa planície. Decidiu que faria ali algo inovador, que nem a própria reforma agrária se lembrara. Fundaria com uns amigos seus que conhecera em Hannover para fundarem um centro de permacultura e amor livre. Chamariam pessoas do mundo inteiro para cursos de permacultura e tudo o que estivesse relacionado à mesma. Bem sabia que o preço para participarem nos cursos seria relativamente alto, mas sairiam dali com muita bagagem e poderiam se orgulhar de dizer que ajudaram a construir a Eco Vila de Relíquias do Alentejo! Ah! E para lá viver em comunidade só quem acreditasse no poli amor. Casais não seriam aceites. A liberdade e a emancipação tem as suas regras, defendia e defende Morgana.

Roupa: vestido da Natura, uma rede de lojas de artesanato industrializado que se encontram nas grandes superfícies lusas; casaco new age do mundo mix; echarpe da feira hippie de Copacabana.
Penteado: Antoni cabeleireiros

Ana Piu
Brasil, 28.07.2016