segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O VIDRO DA LENTE

Chittagong Bangladesh Image credits Faisal Azim



Ele é o Malinovski, o Geertz, o Eckert e também o Viveiros de Castro e outros, e outros.
O papel do antropólogo é indagar sobre a diferença, sobre o outro. Dizem. Ok. Pode ser.  Mas nesse caso quem é o outro e onde reside a diferença? E o que outro quer mostrar e ocultar? Quem é o outro? Quem é o exótico? Se alguém chega num outro lugar para estudar o outro, o exótico, ele é que é o outro exótico. O exótico que chega em casa alheia. E a troco de quê para a comunidade em questão? E já agora... Esse que chega em casa alheia para indagar a diferença será que também 
 abre a sua casa para ser indagado? Talvez sim. Talvez não. Sejamos otimistas e pensemos que abre a casa. O que vai querer mostrar e ocultar? Que vidro da lente é essa que nos aproxima e nos separa?

Ana Piu
Brasil, 31.08.2015


DIVAS DE NÓS MESMAS


Se de cada que dou um passo a terra move-se dancemos, então, na terra.
Se cada vez que sinto a terra debaixo dos meus pés mesmo estando imóvel dentro o movimento é de um vulcão demos um passo em frente ao lado, atrás em direção a nós mesm@s. Uma dança libertária, sem vassalos nem senhores. Se de cada que dou um passo a terra move-se, que muitos passos sirvam para que a nossa dança seja exuberante, simples, clara, com amorosidade. Que sejamos divas de nós mesmas sem necessitar de aprovação, nem alvarás. Que nos reconheçamos mutuamente numa dança no mundo. Divas de nós mesmas somos.
Ana Piu
Brasil, 31.08.2015

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

REJUVENESCER


Há milhares e milhares de anos crianças nascem e crescem entre um voo migratório e outro.
Há milhares e milhares de anos da terra nascem seres que respiram, crescem, choram, sorriem e gargalham.
Crianças com espirito de pássaro. Pássaros crianças que cantam alegrias e tristezas.
Se a terra canta, também grita. Se grita também se silencia.
Atravessando o tempo, o silêncio é um espaço que pode ser mais longo ou mais curto, escondendo-se entre as raízes da árvores. Onde as velhas memórias parecem adormecer.
As memórias ao emergirem do terceiro olho a dança das estrelas continuará mais leve, mais luminosa onde as palavras são música dançáveis desde o fundo dos tempos como reverência aos grandes espiritos da pacha mama.

Ana Piu
Brasil, 28.08.2015
imagem: ANNA BELLA GEIGER Little_boys_and_girls_Historia_do_Brasil_1975

O CANTO DA FLORESTA

Voltara ao coração da floresta para reconstituir a sua história
fragmentos soltos que só a água sararia uma ancestralidade por desvendar
de tão forte, de tão potente, a alma da floresta chamava-a para voltar
e nos dias líquidos limpar velhas feridas no coração da floresta

Ana Piu
Brasil, 28.08.2015
Anna Bella Geiger




quinta-feira, 27 de agosto de 2015

CONVERSA ENTRE OVELHAS DOLLIS




- Oi querida! Tudo bem? Como tás?
- Estou a sentir-me um pouco antiquada de não ter nem ai fone nem ai pede!
- Deixa lá! Não fazes parte desse rebanho!
- Lá isso é verdade!
- Quando é que nos vemos?
- Não sei. Por onde andas?
Ana Piu
Br, 27.08.2015
Instalação: Jean-Luc Cornec


MANIFESTO HOMENS FEMININOS


que não nos infantilizem
que não nos diabolizem
que não nos futilizem
que junt@s somos mais
que individualmente somos únic@s
não somos nem objetos descartáveis de prazer
nem motivo de disputa
que a competição se erradique das nossas vidas
que a cooperação seja libertadora para tod@s nós
que não confundamos ser libertário com ser libertino
o primeiro abre a janela dos sentidos
o segundo é o ego mirradinho aos gritinhos de satisfações rápidas
que tod@s e tod@s sejamos responsáveis
onde culpad@s e vitimas são birrinhas infantiloides
que em vez de fazermos yego façamos yoga
que em vez de merditação, meditação
que sejamos bufões, palhaços, bobos
para que junt@s tornemos esta nossa efémera passagem
algo emocionalmente ecológico
emocionalmente sustentável
Ana Piu
Brasil, 27.08.2015
Igualdade aqui e em qualquer parte do planeta.

" Ser um homem feminino não fere o meu lado masculino."
Claro! Bien sur! Of course!

PORQUE JUNT@S NOS EMANCIPAREMOS ( SÉRIE MANIFESTO HOMENS FEMININO, versão em banda desenha, gibi, quadradinhos , quadrinhos)

Que o conceito feminista não seja a perpetuação do preconceito  machista. 

Que a contradição, fruto do ego, não perpetue o que se critica do machismo.


Que o despertar seja coletivo, tanto dos homens como das mulheres e outros géneros assumidos.