quarta-feira, 22 de outubro de 2014

NOSSA SENHORA DO CALVÁRIO DO PAPELOTE ou SORRINDO DE CHAPÉU COMO ALTERNATIVA À BUROCRACIA VIVIDA NO ÂNIMO DÉRMICO DO SER VIVENTE

quando um papel que já foi entregue e não serve, porque tem de ser entregue e empata a vidinha toda tudo o resto não passam de histórias da carochinha que anda à pergunta do João Ratão que anda à pergunta do chapéu para tomar banho. Um joão Ratão que não sabe ondepôs o chapéu para ser livre de si mesmo mais a carochinha  que só espera pegar o Ratão num flagra. Flagra esse só na cabeça da carochinha!  Encontrar o Ratão com a Cinderela, que coitadinha, perdeu o seu sapatito e agora anda coxa. O melhor será descalçar-se para acertar o passo. Cinderela essa que é muito amiga dos irmãos metralha e do Bafo de Onça, mais da Rapunzel e da Alice no País das Maravilhas.


Enfim, quando a pessoa quer e precisa de trabalhar e há sempre um trâmite que falta tudo o resto são cóceguinhas na axila que vai que não vai  precisa de um pelito ou outro para almofadar o suor do andar de "lá para cá, cá para lá". Aproveitando o embalo da bufoneria qualquer dia cresce-me o bigode! Ahhh! Aí é que vão ser elas! Há-de chegar o dia que de bigode, tal qual Eça de Queirós, direi com o ar coloquial:" Quanto mais dependo do sistema, mas alternativa quero ser" Cantarei depois em falsete a todo o pulmão: "Se eu quero e você quer tomar banho de chapéu ou esperar Papai Noel ou discutir Carlos Gardel, ENTÃO VÁ!  faça tudo o que queres porque é tudo da lei! VIVA! VIVA! VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA! VIVA! VIVA!"




Olhar 3x4 com a seriedade devida
If you don't worry about the things, every little things gonna be all right


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

LIBERDADE DE DUAS ASAS

menina olhando para dentro de onde saem duas asas que compassadas são livres, atravessando o espaço sideral levando a menina pelos dias das horas dos minutos dos séculos dos segundos dos milénios do espaço no tempo atemporal no lugar do não lugar


A Piu
Br, 20.10.2104

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

ODE DOS ALOCADOS

os alocados são deslocados
tresloucados
sorriem quando devem chorar
choram de tanto rir
ficam quando era para ir
dançam para espantar fantasmas
sofrem de asma
quando o ar não flui
e a alma pasma
depois sorriem com bananas
chamam-se Anas
chamam-se Mários
Joões
ele é nomes aos montões

os alocados vão numa só direção
aquela que tem mais de uma bifurcação
os alocados sentem de dentro para fora
borrifam-se um pouco para a forma
a aparência não está na sua essência
são alocados por natureza
como todos!
só que uns assumem
outros não
uma espécie de escuta
que vai da alma ao coração

Ana Piu
Br, 17.10.2014


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

CADA DIA É O NOSSO ANIVERSÁRIO

Quando era mais piriri, Isto no século passado do milénio que já lá foi, fazia contas à minha idade no badalado ano 2000. Vinte e seis anos a passar para os 27 no Setembro que naquele ano foi na Primavera e não no Outono, como de costume. À despedida do Verão lisboeta vozes escutavam-se: "Aiiiiii mas o que vais fazer para o Matogrosso! Ter filhos lá tão longe!!".................................. "Há milhares e milhares de anos que a Humanidade nasce e morre em todos os pontos do planeta e a Chapada dos Guimarães é daqueles lugares!...", respondi. Quem nasce torto tarde ou nunca se endireita. Mas também o que é ser torto e ser direito?

Todos diziam, quase todos ao que parece,  que o mundo acabaria no ano 2000. Olha como as coisas são! Nesse ano começava uma vida dentro da minha barriga que quando saiu cá para fora chorei de emoção. Quando voltamos para casa vinha um outro ser do tamanho de uma régua da escola. Cinquenta centímetros com um pé que cabia inteirinho na boca. Naquela noite não dormi, olhando as estrelas feliz. Depois esse ser foi crescendo. Hoje esse ser está do meu tamanho. Sabe o que gosta e não gosta. Tem sentido crítico e também aqueles estereótipos próprios da idade. Nunca esquecer que também já lá tivemos e quantas e quantas vezes somos tão ou mais adolescentes que os adolescentes. Na idade da Nina eu escutava a Elis Regina cantando 'Como os Nossos Pais" do Belchior. Hoje ela escuta Justin Bieber. Gostos. Cresci a achar que mesmo assim nos emanciparíamos um pouco mais, mas contudo, no entanto, todavia não é bem assim. Concluo que sou uma cosmonauta do mundo paralelo (eu e os meus amigos e amigas mais próximas de há uns bons anos) onde o casamento não tem nenhum ou quase nenhum valor e que ter filhos é uma escolha e não um programa certinho de carreira, carro, casa, cachorro e pantufas.  Que o que tem valor é nos valorizarmos realmente uns aos outros e o resto é converseta pendureta e formatações, no meu ponto de vista, caducas.

Educar não é nada fácil, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. Respeitar e fazermos-nos respeitar penso que é a base de tudo. Espero conseguir passar esses princípios tanto para os seres que saíram da minha barriga como para mim. Assim como rir de nós mesmos faz muito bem à barriga, dizem os especialistas, assim como à respiração.

Ana Piu
Br, 16.10.2014


terça-feira, 14 de outubro de 2014

MENINA ESTÁS À JANELA

Esta foto foi tirada em Coimbra no ano da graça do senhor de 1979. Dizem as más linguas que certa vez fiz uma birra tamanha que queria ir ao Portugal dos Pequenitos. Para quem não conhece é a versão very pobreta do Disneylândia, acrescido ao fato de na época os parques temáticos não estarem na moda e este Portugal dos Pequenitos foi construido em pleno regime fascista para enaltecer Portugal Colonial e suas colónias. Enfim, comentários para quê? Volto a sublinhar que sou anti colonialista e anti imperialista convicta. Mas naquela minha infância esplendorosa animada a Heidis, Tom Sawers, Conan o rapaz do futuro, Verano Azul, Sitio do Pica Pau Amarelo brincar às casinhas era no minimo delicioso.

Hoje olho para esta foto e lembro-me da janela do meu quarto de infância e do que estava para lá do lá do lá. Na verdade nunca fui muito caseira, mas gosto de ter a minha casa para voltar depois das caminhadas por aí. Olhar pela janela e colocar o tronco de fora já é sinal que se quer ir ao outro lado do lado de lá do lá.

Em que casas queremos viver? Como queremos viver? Em 1979 Portugal vivia-se alguma esperança. Do Brasil chegava a Gabriela cravo e canela, o Casarão, a Dona Chepa e o glorioso Sitio do Pica Pau Amarelo. Nessa época muitos estavam fora das terras tropicais por motivos óbvios que ainda hoje para alguns é tabu falar. Estavam porque se o fascismo em Portugal entre 1932 até 1974 foi terrível, a ditadura militar brasileira entre 1964 até 1985 foi horripilante. Tão horripilante que muitos ainda não querem falar.

Hoje quero , como sempre quis, viver no Brasil pelo que a música, e outras leituras amadas de Jorges e Verissímos. Não significa que não tenha querido nunca viver no Berlim da Alemanha, na Barcelona de Espanha, no Mindelo de Cabo Verde, na Copenhaga da Dinamarca, no Amesterdão da Holanda. Mas hoje quero viver aqui. E quero muito, mas mesmo muito que a Dilma ganhe. Não sou fã número dela, mas dentro do panorama a sua politica é o mais justo. E quem não acha que melhorou das duas uma: ou é muito esquecido da miséria dos miseráveis ou nunca se deu conta do que é estar desse lado. Aiiii e cansa tanto o pessoal não ter consciência social e politica e só se concentrar no seu dia a dai  fútil e egoísta.


Sim, quero que a Dilma ganhe para que a minha filha que aqui nasceu possa orgulhar-se de aqui viver. Deixo aqui um texto de uma amiga virtual que muito respeito e que sublinha o meu não querer voltar para trás:

a Holanda no seu melhor, ou o paraíso capitalista:

não sei qual foi o critério para escolha/convocatória de cerca de 15 mulheres todas elas com o "rendimento mínimo" cá do sítio... 
Mas tivemos de apresentar esta manhã num edifício pertencente à Câmara de Rotterdam. Posso dizer-vos q era a mais velha mas q haviam 2 senhoras com quase a minha idade. A maioria eram creio q marroquinas pelo tipo de indumentária q usavam.

Foram-nos apresentados os 2 locais para onde iríamos trabalhar caso aceitassemos. Se não o fizessemos teríamos de ter uma justificação bem válida sob pena de perdermos o subsídio. Duas estufas. Uma de vegetais e frutas e outra de plantas.

Trabalhar de 2ª a 6ª das 7 às 17 com uma hora de pausa.
Haverá 3 locais em Rotterdam em se deverá estar cerca das 5.30 da manhã onde passa uma carrinha q leva as pessoas aos respetivos locais.

Um dos locais/estufas foi avisado q é bastante frio.

Contrato de trabalho de 6 meses e evidentemente obrigadas a cumprir todas as regras das respetivas empresas.

Portanto: 9 horas efetivas de trabalho e como toda a gente q aqui trabalha em estufas sabe mais sempre cerca de 1 hora e tal para ser depositadas no mesmo local onde nos pegam... No meu caso de minha casa ao local de "recolha" demoraría cerca de 35 minutos...

Após ouvir tudo, disse q como poderiam verificar pelo uso do rollator e por papeis q levava q provam estar a aguardar operação a um joelho, pensava não reunir os requisitos necessários a ocupar tão honroso lugar para q tinha sido selecionada.

Uma das "palestrantes" veio então ter comigo e recolher os ditos papéis e mandou-me embora. O resto das senhoras ficaram a combinar os pormenores do seu novo trabalho.

No caminho para casa decidi comprar esta máscara (de gato). Acho q a usarei sempre a partir de hoje.



Anita no Portugal dos Pequenitos, Coimbra Portugal 1979


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DESCENDO DO VIGÉSIMO ANDAR

DESCENDO DO VIGÉSIMO ANDAR
As árvores custam a serem vistas. Uma bananeira surge do nada. A bananeira já lá estava, talvez. Nada vem do nada. Ou vem? A tendencia humana é cobrir o que já lá estava. Alguém terá plantado aquela bananeira numa fresta onde o asfalto esqueceu de ir?
O motorista do ônibus é prestável. Falamos de igual para igual. Gosto disso. A cidade é grande. Deixei passar o ponto que devia descer. Volto para trás com um malão. Ao fim deste tempo todo não sei fazer malas... Coloco coisas que não vou precisar e outras que deviam vir ficam para trás.... Mas vamos combinar! Mais vale levar roupa quente do que uma toalha de banho! A toalha de banho pode ser sempre improvisada com a blusa que vai para lavar! Quanto ao frio... Nunca se sabe! E rapar frio!? Caramba! Vai tu que eu não! Afinal sei fazer malas de viajem. Mas são muito incomodas para serem transportadas. Viva a velha mochila de campismo!
Chego ao teatro. "Boa tarde!", falo para o segurança que me abre o portão. "Agora sim é boa tarde!" "Porquê?", pergunto. "Porque você chegou!"
Gosto dessa simpatia que não é forçada. Gosto dessa simpatia que mesmo numa grande cidade, cinzenta tantas vezes acontece.
No final da apresentação há pessoas do público que se apresentam e demonstram que gostaram com um abraço, sorriso e palavras. Gosto muito disso. Não conheço muitos lugares fora do Brasil onde isso aconteça. Principalmente numa grande cidade.
Duas pessoas que conheço nesse dia 12 de Outubro, que no Brasil é dia da criança, dizem que já estiveram em Lisboa. Uma delas uma temporada, outra seis anos a viver. Ambas dizem que gostaram muito e que foram muito bem tratadas pelos portugueses, no caso lisboetas. Fico surpreendida. E eu que acho que os lisboetas são uns malcriadões, mal dispostões. Fico intimamente orgulhosa que dois brasileiros tenham tido essa experiência. Afinal sermos agradáveis uns para os outros não custa nada e não precisamos de ser amigos de longa data. Uma questão de leveza que permite uma vida um tanto mais respirável, mesmo que amontoada de carros e outras poluições externas ao nosso interior.
Não viveria diariamente em São Paulo, mas encheu-me as medidas a possibilidade de ali poder voltar. Para depois voltar para a roça entre cavalos, vacas, gatos, cachorros e passarada.
Ana Piu
Br, 13.10.2014



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

LAMPIANDO NAS ESTRADAS DE BOM CAMINHO


Em 2011 nascia Maria Bonita com as suas aventuras e desventuras. Ainda por terras além mar, perto daquela praia mais ocidental da velha Europa. Tentava esticar o pescoço para ver se avistava girafas e outros animais da savana em terras do norte de África. Pareceu-lhe escutar muito ao longe um tucano.  Do outro lado do mar como quem vira um pouco o tronco e a cabeça. Esticou o tronco para norte e viu vikings e vikingas. Ainda pensou refastelar-se na terra das bolas de Berlim, mas o canto do tucano era mais forte. Respirou fundo, passaram-lhe várias nuvens pela vista e pensou:"Ai caraças! Ou eu não me chamo Maria Bonita e não me lampeio daqui para fora e vai tudo num virote!" E assim foi. E assim é! Hoje é Má Ri Bô! Para dar um ar chique e aquela piscadela de olho como quem diz:
" Alto e pára o baile! Oh que eu faço cara de Má, mas que Ri e depois até sou Bô(azinha), mas só depois de fazer Bôôô.Só para ver quem se assusta, mas fica. Só para ver se assusta a si mesma, mas não desiste. Sim, porque isso de ficar e não desistir, de desistir e ficar, de não ficar e de não desistir tem muito que se lhe diga. Mas essa Má Ri Bô! Vou-te contar! Canta que é uma maravilha! Até o avião abana! E quem canta seus males espanta e para a frente é que é caminho! Enfim, vidas!


Este texto foi escrito na sequência das seguintes palavras publicadas on line por uma amiga que por acaso, mas mesmo muito por acaso fomos colegas na terceira classe, aos oito anos. E muito mas muito por acaso (?!) fizemos aquele encontro das emigras agora na última visita a Lisboa. Não estive com muitos amigos que vivem em Lisboa ( está o recado dado eheheh) , mas estive com a Sara que vive com a sua cria em Moçambique. Partilho aqui estas palavras que tanto me emocionaram:


"Há quase dois anos que peguei nas "valises" e arranquei para a maior aventura da minha vida com o meu pequeno criaturo. Depois de aterrar na minha primeira escala (Macau), recebi esta bonita homenagem da minha amiga querida, Susana. Daí, depois de falhada essa primeira tentativa, "abalamos"para Maputo. Apesar de muitas vezes ter posto a hipótese de vir para Moçambique, foi difícil ter-me sentido obrigada a fazê-lo por esse desgoverno que vai dando cabo do meu país numa altura em que a imigração estava a léguas dos meus planos. A raiva já vai sarando, dois anos depois, mas as saudades dos amigos e família nunca vão ter grande solução. E com amigos destes dá para perceberem porquê."


Quanto a mim, também estou praticamente sarada. Não diria da raiva e sim da indignação. Indignada com um país deprimido, chorão, comido pelo neo liberalismo e que no final de contas pouca falta lá faço. Mas isso o que importa?!?! O MUNDO É GRANDE! É ENORME! Desejo que o meu país saia dessa neurose coletiva que nem se dá conta dos recursos que tem e chora muitas vezes de barriga cheia. Agora, deste lado do mar faço coro com a Maria Bonita, aliás Má Ri Bô: " Viva o nordeste e tudo o que o circunda!" Com a salvaguarda que a arma da Má Ri Bô é a sua arte, como os outros que fazem da cantiga uma arma pacifista. Nunca é demais sublinhar esse aspecto da luta.

Ana Piu
Br, 10.10.2014

Dádá, Maria Bonita, Lampião na estrada do Bom Caminho



Má Ri Bô olhando o seu país como se se olhasse ao espelho. Está assustadamente indignada


Demonstra a sua indignação

Má Ri Bô olha no horizonte, livra-se daquela maldita rede e abre a fuga. Isto é liberta-se de si mesma