quarta-feira, 30 de abril de 2014

DO CIMO DA MONTANHA


- Vês! Ali ao fundo, mesmo na linha do horizonte, passa o rio Nilo, Do outro lado está o rio Amazonas. Atrás de ti está a Patagónia. Daqui dá para ver tudo ou quase tudo, mas para melhor entender teremos de nos aproximar e longos dias teremos de atravessar horas para que sintamos a sede de quem lá vive.

- Não! Não quero passar sede. Prefiro olhar daqui e entender o que lá em baixo se passa.

- Por vezes é necessário passar sede para entender seja o que for. Oooops! O que se passou?

- Escorreguei! Dá-me uma mão!

- Espera um pouco!

(...)

- Há horas que espero!

- Ainda pronuncias todas as letras. Tens sede?

- Um pouco.

- Então,espera mais um pouco.

(...)

- Tens sede? Tás cansado?

- ......................

- Aqui tens a minha mão! Toma água, mas devagar. Vem! Estou aqui!


Ana Piu
Brasil, 30.4.2014



COM TANTA MODERNIÇE QUALQUER DIA JÁ FUMAS!

ilustração: Moustafa Soydan

Falar do dia e dos dias dos trabalhadores é uma aventurosa epopeia. Um desafio épico. Manter o equilíbrio para que gregos e troianos encontrem pontos em comum é uma tarefa um tanto árdua, porém apelemos ao bom senso. Quiçá o bom senso não seja nem universal, nem consensual, mas sermos explorados sem escrúpulos não é nada sensual.

Poderão, eventualmente, existir mil e uma justificações para que horas extra ordinárias não sejam pagas e que passe a estar na ordem dia fazermos horas extra ordinárias sem que uma recompensa extra se vislumbre.  Não valorizar o trabalho alheio e o nosso é de bom senso? Talvez seja de bom tom, para que não nos denominem nem de conflituosos, muito menos de subversivos e mal agradecidos, pois tem muitos a quererem ocupar o nosso lugar. Então, mesmo que entre um café e um cigarro resmunguemos na hora de nos juntarmos e reivindicar nossos direitos, sem esquecer o dever de sermos bons profissionais e assíduos, nos dispersemos pois 'não estamos habituados" a nos organizar e à minima argumentação da entidade empregadora aceitamos, porque é assim.

Enfim, vou voltar ao trabalho. Depois voltarei para reflectir um pouco sobre a importância de estarmos juntos, sem panfletarismo. Quem sabe um outro se aproxime.


terça-feira, 29 de abril de 2014

ACORDA ACORDO. DE ACORDO? (série Diplomacias)


Estarmos sempre de acordo algo de errado se passa
Nunca estarmos de acordo algo de muito, mas muito errado se passa
E se tentarmos chegar a um acordo? Certo?

Ana Piu
Brasil, 29.4.2014

crayon alive José Laiño

O PODER DA ESCOLHA DE CONTINUAR (raps para dias viviveis)


Já vi que não ouvi.
Ouvi dizer que não vi.
Mas não comi.
Incomestivel.(3 tempos em silêncio=
Incomestivel. (3 tempos em silêncio)
Nem tudo o que brilha é ouro
e eu tenho um olho meio zarolho
mas encontro o detalhe onde está tudo ao molho
mas nem sempre vejo o que ouço ( 2 tempos em silêncio)
duro osso
o de roer
quando te querem convencer
que a vida é somente para vencer
mas o que eu sei, bem sei
é que a sabedoria está no saber perder
para depois reaver
o que ficou
porque o que ficou
é o que durou
o que sempre lá esteve
nos dias mais longos
e também nos dias mais leves
yôôôô

OS FILHOS DA MADRUGADA


O pessoal, que nasceu em Portugal entre o final dos anos 60 até ao final do século passado do milénio passado, já nasceu num sistema de consumo e num formato quase preparado para o servir, com excepção do trabalho precário a que esteve na sujeito aqui e ali ou até mesmo numa constante até aos dias de hoje.Enfim, somos os filhos da madrugada da revolução e também "somos os filhos da mãe drogada", viciada no consumo e no conformismo dea aceitarmos condições de trabalho precárias, onde o contrato de trabalho não existe, muito menos qualquer direito laboral em caso de gravidez, doença e invalidez. Somos os filhos do recibo verde (por aqui nota fiscal). Somos obrigados a pagar impostos altissimos que não reverberam nas obras públicas como deveriam reverberarar, nomeadamente na qualidade de ensino e na resposta do sistema de saúde pública face à necessidade da população.Como trabalhadores precários, o despedimento nem se chega a efectivar, para descarga de consciência do patrão. Basta dizer que não precisa mais dos serviços prestados pelo colaborador. Há trabalhadores, nomeadamente professores entre outras profissões mais e menos qualificadas, que trabalham durante anos para o Estado nestas condições.
Devo sublinhar que o pessoal que nasceu entre o final dos anos 60 até ao final do século passado do milénio passado, na sua maioria, teve acesso ao ensino superior e a viajar, contrariamente a muitos pais e avós desse pessoal.
Porém, muitos, durante os seus verdes anos, diziam à boca cheia:"EU NÃO GOSTO DE POLITICA, NÃO ME INTERESSO POR POLITICA. SÃO TODOS UNS LADRÕES!" Pois...
Relato ainda um breve episódio que me fez, não recuar, e sim parar e pensar. Aos 15 anos, estava eu no 8ºano, houve uma manifestação contra a Prova Geral de Acesso (PGA) que consistia numa prova de cultura geral em sistema americano (cruzinhas, esperas o quê?).  Foi a primeira vez que saí à rua. Lá fomos nós para o centro de Lisboa. Enfim, eu já estava habituada a ser a ave rara do pedaço numa escola onde as pessoas na sua maioria ostentavam roupas de marca e vinham pedir o meu capacete da moto para mostrar que elas tinham moto. Adiante, assim que chegámos dei por mim num parque temático do Woodstock. Logo pensei:"Eh pá! Viemos saltar o Carnaval a fingir que somos todos hippies? E o propósito que aqui nos trouxe? Bom! Assim sendo! Vou dar uma voltinha e já volto!"
Hoje, mais que nunca, está à vista o quanto necessário é estarmos politizados, mesmo que apartidários. Os movimentos sociais tem igualmente força e o modo como interagimos uns com os outros no nosso dia a dia é bastante revolucionário. Sei lá, só para dar uma dica ou duas, até: sabermo-nos escutar realmente e respeitar o outro mesmo quando não estamos de acordo e não optamos pelo mesmo e muitas vezes não optarmos pela mesma forma de falar e escrever. Não somos robôs. Ou somos? Bom, e não vou daqui sem esta! Não nos esquecermos de sermos solidários. Colocarmo-nos no lugar do outro. Esse é o grande passo da Humanidade. A essência do Conhecimento, diria.
Ana Piu
Brasil, 29.4.2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A OVELHA SONHADORA

A ovelha sonhadora que se a sua companheira de rebanho corre e o fio rebenta, a ovelha sai por aí e já ninguém a segura! 

Ana Piu
Brasil, 28.4.2014


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PENSAMENTOS INTUITIVOS COM A RACIONALIDADE DEVIDA PARA ENCARAR A VIDA

"Que mundo é este?", pensa o bebé. "Será que vou aprender a estar à hora certa no lugar quase errado, na hora quase quase errada no lugar certo? Oxalá! Oxalá!"

Ana Piu
Brasil, 28.4.2014


Deep Thought
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