De origem germânica achtung! servia como interjeção chamativa para perigos e paisagens deslumbrantes. Mais a norte, nos países escandinávos,ACHTUNG!! é considerado o espirro oficial dos vikings. Em terras lusas utiliza-se a expressão "Arre!!" quando alguém está arreliado. "Arretung!" é uma espécie de grito de guerra dos trabalhadores da classe precária, que desunidos nunca vencerão.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
COLORAR-SE COLORINDO-SE
Nos despojos de uma das minhas bolsas foi encontrado um folha de papel com umas frases do Daisuku Ikeda que escrevinhei da parede de um restaurante, assim que cheguei em Buenos Aires. Li-as hoje logo pela manhã e pensei sentindo que as palavras são como bálsamos quando em prática são colocadas. Achei que deveria traduzir, mas decidi que não. Pois em vez de um despojo largado num bolsa é uma memória de mais uma entre outras viajens. Quanto à foto não é minha, mas é de um lugar por onde passei. San Telmo em Buenos Aires. O senhor internet sabe tirar fotos melhores que eu que sou catadora de memórias sem fazer muito caso ao meu lado paparazzi.
Lá vai Daisuku Ikeda!
"La reflexion puede tener valor para el próprio crecimiento, pero dar se por vencido antes de Hacer el intento es una derrota.
Un espiritu dedicado y honesto se valora como un diamante comueve los corazones, porque en el arde uns llama iluminadora. Si somos sinceros, los demás comprenderán nuestras intenciones. Nuestras cualidades positivas resplandesceran."
Lá vai Daisuku Ikeda!
"La reflexion puede tener valor para el próprio crecimiento, pero dar se por vencido antes de Hacer el intento es una derrota.
Un espiritu dedicado y honesto se valora como un diamante comueve los corazones, porque en el arde uns llama iluminadora. Si somos sinceros, los demás comprenderán nuestras intenciones. Nuestras cualidades positivas resplandesceran."
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
SOLIDARIEDADES
Tenho andado a pensar o que é essa questão de
solidariedade, de entendermos o que vivemos e a vida alheia, também.
Para ser mais precisa, entendermos as paixões e sofrimentos nossos e
alheios e sermos solidários com a dignidade humana, já não
falando do respeito pelo planeta terra e seus seres vivos. Por vezes
torna-se dificil imaginar catástrofes, guerras, crises, ditaduras quando
nunca as vivemos na pele. Porém é possivel.Há uns meses atrás na cidade
de São Paulo conheci a menina judia mais pequena que se vê na foto.
Esta menina hoje está com 90 e tal anos. Conhecia-a através da sua neta
que foi minha colega numa turnê de teatro. Esta menina mais a sua mãe,
que está no meio, e a sua irmã foram sobreviventes do Holocausto. A
partir do seu testemunho que fala principalmente da sua mãe que deixou
as meninas num convento cristão e abriu fuga escrevi este texto que um
dia gostaria de pô-lo em cena. O texto é romanceado, porém com base em
factos verídicos.
FUGAS EM TEMPOS DE GUERRA
"Teriam de fugir. A guerra começara. E desta vez eram eles que eram presseguidos. Teriam de colocar as suas filhas a salvo e fugir. A bebé ficou com um casal amigo. As outras duas foram para um convento. Se por algum motivo se separam-se o encontro seria naquela mesma confeitaria onde degustaram o copo de leite com o bolo de chocolate. Fugiram a pé pelos Pirineus. Orpheu, Matilde e seu irmão mais uns tantos outros que igualmente fugiam em troca de ouros e pratas de tamanho suficiente para ser escondidos em recônditas partes do corpo. Subiram, desceram,caminharam horas e dias sem encontrar vivalma. No cume onde a neve cai abundantemente o passador ali os deixou à sua sorte. Mais uns dias sem avistar uma casa. Numa madrugada,ao nascer do sol sobre o branco da neve,viram vários telhados sobrepostos. Caminharam naquela direção enfraquecidos pela fome, exaustos da longa caminhada. Um gato preto atravessou-se no caminho de Matilde. Quase que caiu. Para ela aquele gato era um sinal de não entrarem na cidade. Tentou convencer o resto do grupo. Ninguém aderiu ao seu apelo, alegando que ela morreria de fome, sede e frio. Matilde, o irmão e o marido não entraram por ali. Procuraram outra entrada. Mais tarde escutaram os tiros que mataram o grupo que tinha prosseguido caminho.
Estão em alto mar. A brisa marítima bate no rosto de Matilde. Orpheu abraça-a por detrás. Respiram de alívio, convencendo-se que as suas filhas estão bem. Matilde sente frio, mas o calor de Orpheu acalma-a. À chegada, o seu irmão informa que seguirá viagem para a Turquia. Só se virão vinte décadas mais tarde.
Matilde sucumbe ao calor. Orpheu encantado com o olhar misterioso de Leila deixa-se levar pelas suas delícias. Matilde sózinha decide voltar para que Orpheu não decida pegar as meninas antes dela. "Naif, minha mãe. Naif. Meu pai nunca iria nos pegar." afirma uma das meninas já com 93 anos.
De semblante neutro Matilde embarca numa embarcação neutra esforçando-se para ter uma respiração neutra. O comandante olha-a de revés e cordialmente informa-a de que quando aportarem ele terá de entregá-la às autoridades. Sem perder a neutralidade no semblante, Matilde pergunta qual o motivo do barco não atracar. Doença e morte, responde o comandante. Matilde pensa que morrer não quer. Pelo contrário. Quer encontrar suas filhas vivas para as poder abraçar. Decide engolir um alfinete dentro do pão racionado a que tem direito. O comandante informa-a com neutralidade que este sairá nas fezes. Matilde decide, então, engolir um alfinete aberto.
No hospital escreve uma carta para o convento pedindo que as meninas não a visitem. Deseja-lhes bem, mas que tenham paciência que ela também tem. Dentro da carta coloca meia asa azul de uma borboleta.
Quando sai do hospital com uma pequena trouxa de roupa na mão vagueia pelas ruas. Oferece-se para varrer a frente de uma mercearia de escassos produtos À venda. Esse trabalho garante-lhe alguma comida e água. Numa tarde, quando a vassoura está sendo colocada no lugar de sempre, e a pá junto a ela soldados agarram-na pelos ombros e convidam-na a acompanhá-los. Falam que ela fará uma viagem de trem e que encontrará no destino um trabalho melhor. Ela pede para ir pegar suas mantas. Respondem que não necessita, lá há mantas que cheguem. A resistência já lhe tinha descrito como são os destinos desses trens. Matilde entra no trem e olha à sua volta, Cruza o seu olhar com uma menina de 16 anos. A sua pele é branca. Translúcida. O cabelo cor de mel batee no rosto da mãe. A menina tem a idade de suas filhas. A menina não está assustada. Resignada. Não sabe o que espera. A ergue o peito convencendo-se que vai correr tudo bem. Matilde tenta convencer as mulheres a fugirem. Mesmo que algumas sejam capturadas e mortas outras se libertarão. As mulheres, em silêncio, olham para ela como uma louca e desviam o olhar lá para fora para os campos. Matilde olha para a menina e arranca-a dos braços da mãe. A mãe grita, mas já não dá tempo. O trem começou a andar e elas saltam. Matilde torce um pé. Pede à menina para se esconder que depois ela a procura-a. Pede ainda para ter cuidado já que se livrou de uma morte que preserve bem a sua vida. Matilde encolhida entre duas pedras grande enrola o seu cachecol à volta do pé e descansa. No dia seguinte procura a menina. Não a encontra.
Orpheu recorda-se de Matilde com remorsos. Matilde uma lutadora que ele deixou , que a trocou por um mero desejo. Leila era carinhosa. Boa esposa, mas Orpheu sente remorsos. Anos, muitos anos passados depois da guerra acabar Orpheu procura Matile naquela esquina combinada. Passam-se dias, semanas, meses. Matilde acompanhada das três filhas também o procura secretamente. Guarda esse desejo só para si. E passam-se os dias, as semanas, os meses, anos. Certa vez, uma jovem mulher corre na sua direção ajoelhando-se a seus pés, beijado-lhe as mãos, agradecendo-lhe a sua existência. Era a menina, agora orfã, que ela tinha salvo no trem."
Ana Piu
FUGAS EM TEMPOS DE GUERRA
"Teriam de fugir. A guerra começara. E desta vez eram eles que eram presseguidos. Teriam de colocar as suas filhas a salvo e fugir. A bebé ficou com um casal amigo. As outras duas foram para um convento. Se por algum motivo se separam-se o encontro seria naquela mesma confeitaria onde degustaram o copo de leite com o bolo de chocolate. Fugiram a pé pelos Pirineus. Orpheu, Matilde e seu irmão mais uns tantos outros que igualmente fugiam em troca de ouros e pratas de tamanho suficiente para ser escondidos em recônditas partes do corpo. Subiram, desceram,caminharam horas e dias sem encontrar vivalma. No cume onde a neve cai abundantemente o passador ali os deixou à sua sorte. Mais uns dias sem avistar uma casa. Numa madrugada,ao nascer do sol sobre o branco da neve,viram vários telhados sobrepostos. Caminharam naquela direção enfraquecidos pela fome, exaustos da longa caminhada. Um gato preto atravessou-se no caminho de Matilde. Quase que caiu. Para ela aquele gato era um sinal de não entrarem na cidade. Tentou convencer o resto do grupo. Ninguém aderiu ao seu apelo, alegando que ela morreria de fome, sede e frio. Matilde, o irmão e o marido não entraram por ali. Procuraram outra entrada. Mais tarde escutaram os tiros que mataram o grupo que tinha prosseguido caminho.
Estão em alto mar. A brisa marítima bate no rosto de Matilde. Orpheu abraça-a por detrás. Respiram de alívio, convencendo-se que as suas filhas estão bem. Matilde sente frio, mas o calor de Orpheu acalma-a. À chegada, o seu irmão informa que seguirá viagem para a Turquia. Só se virão vinte décadas mais tarde.
Matilde sucumbe ao calor. Orpheu encantado com o olhar misterioso de Leila deixa-se levar pelas suas delícias. Matilde sózinha decide voltar para que Orpheu não decida pegar as meninas antes dela. "Naif, minha mãe. Naif. Meu pai nunca iria nos pegar." afirma uma das meninas já com 93 anos.
De semblante neutro Matilde embarca numa embarcação neutra esforçando-se para ter uma respiração neutra. O comandante olha-a de revés e cordialmente informa-a de que quando aportarem ele terá de entregá-la às autoridades. Sem perder a neutralidade no semblante, Matilde pergunta qual o motivo do barco não atracar. Doença e morte, responde o comandante. Matilde pensa que morrer não quer. Pelo contrário. Quer encontrar suas filhas vivas para as poder abraçar. Decide engolir um alfinete dentro do pão racionado a que tem direito. O comandante informa-a com neutralidade que este sairá nas fezes. Matilde decide, então, engolir um alfinete aberto.
No hospital escreve uma carta para o convento pedindo que as meninas não a visitem. Deseja-lhes bem, mas que tenham paciência que ela também tem. Dentro da carta coloca meia asa azul de uma borboleta.
Quando sai do hospital com uma pequena trouxa de roupa na mão vagueia pelas ruas. Oferece-se para varrer a frente de uma mercearia de escassos produtos À venda. Esse trabalho garante-lhe alguma comida e água. Numa tarde, quando a vassoura está sendo colocada no lugar de sempre, e a pá junto a ela soldados agarram-na pelos ombros e convidam-na a acompanhá-los. Falam que ela fará uma viagem de trem e que encontrará no destino um trabalho melhor. Ela pede para ir pegar suas mantas. Respondem que não necessita, lá há mantas que cheguem. A resistência já lhe tinha descrito como são os destinos desses trens. Matilde entra no trem e olha à sua volta, Cruza o seu olhar com uma menina de 16 anos. A sua pele é branca. Translúcida. O cabelo cor de mel batee no rosto da mãe. A menina tem a idade de suas filhas. A menina não está assustada. Resignada. Não sabe o que espera. A ergue o peito convencendo-se que vai correr tudo bem. Matilde tenta convencer as mulheres a fugirem. Mesmo que algumas sejam capturadas e mortas outras se libertarão. As mulheres, em silêncio, olham para ela como uma louca e desviam o olhar lá para fora para os campos. Matilde olha para a menina e arranca-a dos braços da mãe. A mãe grita, mas já não dá tempo. O trem começou a andar e elas saltam. Matilde torce um pé. Pede à menina para se esconder que depois ela a procura-a. Pede ainda para ter cuidado já que se livrou de uma morte que preserve bem a sua vida. Matilde encolhida entre duas pedras grande enrola o seu cachecol à volta do pé e descansa. No dia seguinte procura a menina. Não a encontra.
Orpheu recorda-se de Matilde com remorsos. Matilde uma lutadora que ele deixou , que a trocou por um mero desejo. Leila era carinhosa. Boa esposa, mas Orpheu sente remorsos. Anos, muitos anos passados depois da guerra acabar Orpheu procura Matile naquela esquina combinada. Passam-se dias, semanas, meses. Matilde acompanhada das três filhas também o procura secretamente. Guarda esse desejo só para si. E passam-se os dias, as semanas, os meses, anos. Certa vez, uma jovem mulher corre na sua direção ajoelhando-se a seus pés, beijado-lhe as mãos, agradecendo-lhe a sua existência. Era a menina, agora orfã, que ela tinha salvo no trem."
Ana Piu
SENSIBILIDADE
- Então o que vai ser hoje?
- Gostaria que me pesasse umas 236,78 gramas de sensibilidade.
- Olhe! Neste momento já não estamos a vender a peso a sensibilidade. Só em pacotes asséticos. Vai querer?
- Traz instruções?
- Olhe! Estamos a trabalhar com uma sensibilidade que neste momento não traz mais instruções. Vai querer?
- Vejo aqui que a sua composição é feita de atenção e cuidado ao outro. Não tem um outro pacote com sensibilidade refinada?
- Olhe! Como deve calcular a sensibilidade requer atenção e cuidado ao outro...
- Mas eu só queria uma espécie de sensibilidade que me fizesse olhar para o espelho e sentir-me sensível!
- Ahhh então procura um outro tipo de artigo. Um espelho! Compreendo ! Mas lamento informar, mas neste momento só temos espelhos da madrasta da Branca de Neve. Se indagar o espelho vai ter que se preparar para uma resposta menos... Como lhe dizer? Que a sua beleza não é a mais do mundo... Desculpe, mas o mercado está assim... Somos muitos...
pipiripiu
Br, 10.11.2013
- Gostaria que me pesasse umas 236,78 gramas de sensibilidade.
- Olhe! Neste momento já não estamos a vender a peso a sensibilidade. Só em pacotes asséticos. Vai querer?
- Traz instruções?
- Olhe! Estamos a trabalhar com uma sensibilidade que neste momento não traz mais instruções. Vai querer?
- Vejo aqui que a sua composição é feita de atenção e cuidado ao outro. Não tem um outro pacote com sensibilidade refinada?
- Olhe! Como deve calcular a sensibilidade requer atenção e cuidado ao outro...
- Mas eu só queria uma espécie de sensibilidade que me fizesse olhar para o espelho e sentir-me sensível!
- Ahhh então procura um outro tipo de artigo. Um espelho! Compreendo ! Mas lamento informar, mas neste momento só temos espelhos da madrasta da Branca de Neve. Se indagar o espelho vai ter que se preparar para uma resposta menos... Como lhe dizer? Que a sua beleza não é a mais do mundo... Desculpe, mas o mercado está assim... Somos muitos...
pipiripiu
Br, 10.11.2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
CAMINHOS BAILANTES SOBRE UM CÉU IMENSAMENTE ABERTO
Munir Mustafá no pé tinha um espinho. Só ele, consigo mesmo, poderia tirar aquele espinho para continuar a caminhar. Os povoados já juntos faziam Naima projetar o peito no espaço como uma estrela cadente. Já não sabia onde começava e terminava um povoado, por que essas fronteiras deixaram de existir, se é que alguma vez existiram. Naima olhava nos olhos daqueles e daquelas com se cruzava. Se sorrisem sorriria, se não sorrissem ofereceria o brilho do seu olhar. Naima girava sobre si, em espiral. Munir Mustafá tinha um espinho no pé. Naima soprava de longe para aliviar a sua dor, mas seria ele que com precisão de um cirurgião feiticeiro que teria de tirar aquele espinho do pé, para depois deixar-se levar pelos seus próprios pés nos caminhos que dançavam diante de si sobre um céu aberto. Um céu imensamente abertoooo a perder de vista.
a piu
Br, 8.11.2013
a piu
Br, 8.11.2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
BIA
Esta é a minha mãe no dia 8 de Agosto de 1968 junto às ameias do Castelo dos Mouros em Sintra. Esta é a Bia ( 17.01.1947/ 11.01.1985). É a minha mãe naquele tempo dos happy sixtie mais do Maio de 68. Só que em Portugal nada disso chegou. A noite obscura do fascismo só veria a finalizar no dia 25 de Abril de 1974...
Ontem bateu umas saudades de Lisboa, dos meus amigos, das noitadas na minha casa com crianças aos pulos, muitos comes e muitos bebes. Das longas conversas. De nos rirmos juntos de nós mesmos. Acho que isso é uma caracteristica muito alentejana. Como eu tenho costela alentejana. Olha!... A coisa pranteia-se nestes modos. Senti saudades dos almoços domingueiros com a familia. Saudades do mar e de peixe fresco. Enfim, aqui a emigrolas "refugiada" mesmo não fazendo tensões de voltar de vez em quando tem vontade de uns miminhos. É bom tere miminhos. Já nem falo dos da mãe. Enfim, enfim dessa trago aqui, cá dentro. Olha! Tenho uma ideia! Vou dedicar-lhe esta do Zeca, já que se apresenta diante de umas ameias e os tempos pedem utopia!
Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
Ontem bateu umas saudades de Lisboa, dos meus amigos, das noitadas na minha casa com crianças aos pulos, muitos comes e muitos bebes. Das longas conversas. De nos rirmos juntos de nós mesmos. Acho que isso é uma caracteristica muito alentejana. Como eu tenho costela alentejana. Olha!... A coisa pranteia-se nestes modos. Senti saudades dos almoços domingueiros com a familia. Saudades do mar e de peixe fresco. Enfim, aqui a emigrolas "refugiada" mesmo não fazendo tensões de voltar de vez em quando tem vontade de uns miminhos. É bom tere miminhos. Já nem falo dos da mãe. Enfim, enfim dessa trago aqui, cá dentro. Olha! Tenho uma ideia! Vou dedicar-lhe esta do Zeca, já que se apresenta diante de umas ameias e os tempos pedem utopia!
UTOPIA, José Afonso
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
NUNCA É TARDE
colocou-se diante de si
quem era aquele ser que se estranhava a si mesmo, repetindo incessantemente o mesmo padrão?
percorreu com o olhar o chão que diante de si se apresentava
baixou os olhos, até fachá-los quase
esvaziou um possível orgulho
esvaziou
mais
um pouco mais
ainda mais um pouco
quando sentiu que velhos fantasmas o tinham abandonado de vez sentiu-se capaz de se pôr novamente de pé
colocou um pé diante do outro
novamente o pé anterior
depois o é seguinte
e por aí afora
AGORA SIM
poderia atravessar desertos
subir montanhas
mergulhar no mar
e
e
abraçar a lua sobre o sol da meia noite
a piu
br, 6.11.2013
quem era aquele ser que se estranhava a si mesmo, repetindo incessantemente o mesmo padrão?
percorreu com o olhar o chão que diante de si se apresentava
baixou os olhos, até fachá-los quase
esvaziou um possível orgulho
esvaziou
mais
um pouco mais
ainda mais um pouco
quando sentiu que velhos fantasmas o tinham abandonado de vez sentiu-se capaz de se pôr novamente de pé
colocou um pé diante do outro
novamente o pé anterior
depois o é seguinte
e por aí afora
AGORA SIM
poderia atravessar desertos
subir montanhas
mergulhar no mar
e
e
abraçar a lua sobre o sol da meia noite
a piu
br, 6.11.2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)




