quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A DIFICULDADE DE LIDAR COM O AMOR


Todas as cartas de amor são ridículas escrevia um sujeito que se chamava Pessoa que escrevia cartas de amor. Esse sujeito, que se chamava Pessoa e que escrevia cartas de amor apesar de as achar ridículas, viveu num tempo ridículo, uma vida ridícula, num país ridículo. Ser ridículo tem a sua graça. Uma dose de vulnerabilidade oferece emoção, humanismo no caso dos seres serem bípedes e de se comunicarem. Todavia, depende da ridiculite. Há ridiculitude cuja a inocência, a ingenuidade são tocantes. Porém a ridiculitude pode assumir contornos para lá do ridículo, quando se assola uma cegueira, uma surdez que incapacita que o fluxo espiramidal flua. Lidar com o amor é uma grande dificuldade, pois lidar com a vulnerabilidades e a ridiculitudes é um caso muito sério! Fluirmos espiramidalmente é uma emboscada! Uma vida, diria! A transcendência da fluição espiramidal faz com que nos exponhamos aos nossos mais profundos sentimentos e isso!!!... Assusta! Demonstrar amor por quem amamos ou gostaríamos de amar mais profundamente coloca-nos num lugar de fluidez espiramidal que nos leva ao receio do afogamento. Cultivar o amor ou "pelo menos" a disponibilidade para aquele que é diferente das nossas "crenças", "inquietações" e "desejos" é dupla, tripla, quadruplamente assustador! E porquê? Porque morremos de medo de sermos dilacerados nas nossas mais profundas convicções. Recusamos subir a escada, pois receamos não voltar. Só ignoramos uma coisa que lá em cima existe, no cima dessa escada que flui espiramidalmente , um céu imenso. Um espaço sideral imensurável. E que!... Ao descobrimos tal descoberta já não queremos voltar para trás. Bom, mas como quase tudo na vida essa emboscada, essa aventura, esse empreendimento dá trabalho. Requer dedicação. Mas sendo de uma fluidez espiramidal é só uma questão de disponibilidade.

Partida, lagarta, fugidaaaaaaa....

a Piu
Br, 28 de Fev. 2013

This is another spiral staircase, now in the inside, that takes you to the turret, the highest spot in the house!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

EU ESTIVE MESMO AQUI DESCONECTADA DAS CONEXÕES, MAS CONECTADA COM OUTRAS CONEXÕES


Ora pois bem, vemos aqui uma mocinha num retrato de grão à la 70's. A mocinha parece estar contente. A mocinha parece estar de férias. A mocinha trabalha e estuda (uuufff a alma já tá salva!). A mocinha tem a mania, mas não passa de uma mocinha com a mania. A mocinha ergue os deditos e abre os braços como quem diz:
" Finalmente um pedaço de verde neste país tropical e bonito por natureza, mas que beleza! " A mocinha lembra-se dos "Tristes Trópicos", mas agora não vem ao caso.

A piU
Br, 26 de Fev. 2013

Cachoeira



" O tema das idades da vida inspirou pintores.(...) Um outro tema popular é o da Fonte da Juventude. No século XV,é o tema de inúmeras gravuras: numa delas,

vêem-se as mulheres mergulharem numa piscina e, assim que saem, rejuvenescidas caem nos braços dos belos jovens."

Beauvoir, Simone "A Velhice", Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

Meu querido diário, finalmente um banho de cachoeira! Rejuvenesci! Iuuuu! Não sei se fiquei mais jovem! Nem sei, nem me interessa. Gosto da minha idade!

Aaaaahhhh! GOSTO! Qual cremes, qual quê! Ler rejuvenesce-me. Escrever também. Tomar banho de cachoeira. Nem falo. Viver. Conversar. Olhar nos olhos. Rir. Comover-me. Indignar-me. Tanta coisa que a vida tem para desfrutar! Esta viagem tem sido muito louca. A quantidade de personagens, de episódios que se abeiram e se cruzam! Viajar é uma viagem! É muita booooommmmm! Encontramos o que não esperávamos encontrar, procuramos o que já lá estava, confrontar-nos com o nosso (des)conforto. Eu sou tu. Tu és eu. A diferença entre nós é que somos iguais e diferentes na nossa igualdade. Antes de ontem conhecemos o Reinaldo. O Reinaldo é uma personagem de desenho animado. Gordinho, jeans, blusa branca, suspensórios e chapéuzinho de xadrez. Mais os óculos e o seu violão. Um músico solitário e só, embriagado. Uma personagem da noite de New Orleans.Tocou para nós e connosco e bebeu cerveja à nossa custa. Porque não? Presenciei um ato de profunda solidariedade. A Teca pagou a sua dormida no hotel sem segundas intenções. ihihih O que será daquele homem depois? Continuará a

beber até cair no escoamento das ruas? Ele toca bem e também tem uma bela voz.

Continuamos viagem. Temos passado por lugares tão opressivos de tanto que são feios e precários. Imagino para quem lá vive. Entramos numa daquelas igrejas de culto com o som altissimo. Ao fim de poucos minutos um cansaço e uma tristeza abate-se em mim. Sinto vazio. Sinto alienação a zumzibar nos meus ouvidos.Olho à volta e observo nas pessoas uma grande necessidade de se encontrarem. Mas parece-me que quanto mais correm atrás de um sentido, mais fogem de si mesmas. Uma necessidade de se encontrarem no meio de tanto ruído. de encontrarem respostas numa entidade exterior a si mesmas. Será?

As paisagens por onde tenho passado são de um ruido visual e auditivo... Sinais da contemporaneidade? Excesso de estímulos. Apelos. Muita quantidade para

pouca qualidade. Pelos lugares onde passamos as casas estão inacabadas. Começadas precariamente são reflexo de vidas precárias, desenraizadas?
Nas ruas há lojas e mais lojas de inutilidades. Inúteis porque em excesso. Excesso de objetos, de drogarias repletas de fármacos, excesso de poluição de

carros que não param para o pedestre passar e salões de beleza. Desejo tanto a leveza da beleza. Sonho com a beleza da leveza. Por vezes, só desejo um pouco

de silêncio. Uma melodia que amacie o sentir e o pensar. Como pôr término a tanta loucura? Como pôr fim a todos estes novos contornos de escravatura?

Escravatura espiritual, mental, material, laboral? Parece-me que hoje, mais do que nunca, somos escravos de nossos hábitos. Hábitos de consumo. Hábitos de

manter a cabeça ocupada mesma que essa ocupação espremedinha não tenha nada de nada.E cá andamos nos nossos afazeres, super ocupados para nos sentirmos

realizados. Úteis.Promissores. Temos também o hábito de acharmos que estamos conectados. Que estamos aí. Uffff que canseira. Algumas vezes estamos conectados

outras não. Nem sempre estamos conectados com nós mesmos!Mas o que eu acho mesmo... O cá acho muita coisa! Que canseira! ffffffff Eu cá acho que nos

esquecemos de respirar. Encontrarmos-nos na plenitude, respirando, nos escutando internamente. ffffffffff De nos encontrarmos-nos na plenitude do verde da

paisagem, do cheiro da maresia, no banho da cachoeira. Um cadinho de natureza,um cadinho cadão do tamanho do quarteirão, é tão bããããõooo.Rejuvenesce e faz

bem ao coração e ao pulmão!



A piU
Br, 26 de Fev.2013

LITERALIDADES BILATERAIS

Jerônimo (Jô)- Oi tudo bom?
Jerónimo (Jó)- Vai-se andando.
Jô- Vai-se andando?
Jó- Vai-se andando no carrinho do Armando, umas vezes a pé outras caminhando.
Jô- Tou vendo.
Jó- Vendo? Vendo o quê? Eu não tou no carrinho do Armando!

(...)

Jô- Cê tem horas?
Jó- Tenho.
(...)
Jô- Que horas são?
Jó- Horas de comprares um relógio.
Jô- Sendo assim não lhe posso pedir um cigarro.
Jó- Poder pode!
Jô- Pode me dar um cigarro?
Jó- Não vai dar!... Só tenho 23!...
Jô- Podemos ser amigos?
Jó- Olha-me este! Queres ver que te dou uma pêra! Claro, que podemos!
Jô- Uma pêra?! Pô, cê é tão gente boa! Bora ser amigo!
Jó- Combinado!
Jô- Combinado?
Jó- Já comia um combinado!
Jô- Um combinado comigo?
Jó- Um prato feito. pá! Que literal que tu és paaaa! Tou feito com este gajo! Este gajo é um prato! Não entende nada de nada!
Jô- Sou um prato!? O cara tá louco! Vou cair fora!
Jó- O chefe! Quem cai também se levanta!

A piU FEV 2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CONFISSÕES DE FACA ALGUIDAR SÓ PARA EXAGERAR E A SÉRIO NÃO LEVAR, TANTO AQUI COMO EM QUALQUER LUGAR

A beleza da leveza é de uma subtileza que encontramos na mãe natureza. A Ana Teresa é uma força da natureza? A Ana Teresa é uma tesa. Conta os trocos, mas vai tudo bem. Tudo come e repete. Até a sobremesa!Com certeza! Ela é portuguesa ou holandesa? Cá para mim ela é francesa! Polonesa? Escocesa! A Ana Teresa não existe. A Ana Teresa nunca existiu. Ana Piu, se institui.
A natureza é uma invenção? Viva a beleza! Viva a leveza da beleza! A beleza tem aspereza? E a leveza é somente leveza? A leveza tem um toque de singeleza. A leveza pousa suavemente em cima da mesa. A beleza não é uma certeza. A leveza da beleza da natureza da Ana Teresa cujo o Teresa caiu e somente ficou o Piu.
Piu pipiripipiu piripipipipiu

imagem: Anita no ensaio. Anita catita ,amiga da Rita, é uma senhorita.

dedicado a Débora Gonzalez que me emprestou a expressão beleza da leveza (ou leveza da beleza?)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Nouvelle cousine

Eu cá trato o pessoal por tu
Gosto de bacalhau e também de peixe cru.
Eu cá sou muito chique
pego na minha bicla e desço a ladeira a pique.

Eu cá sou muito choque
Gosto de comer legumes daquela panela que se chama wok
Eu cá manifesto-me em português
Tenho a mania que não tenho, mas até tenho aquele hábito pequeno buguês de comer o prato japonês

Eu cá gosto de comer bem
degustar  acepipes
e o tal do pastel de Belém

Eu cá até trato o pessoal por você
gosto de colocar na comida óleo de dendê
                                                                Eu cá digo muito "pá!"
                                                                Também não digo que não a um belo vatapá!

imagem: prato de nouvelle cousine concebido pela maestrina Anne Pi oui (sashimi, agrião, genfibre, sementes de sésamo / gergelim, , molho de soja)



A HISTÓRIA DE UM FILHO DE UMA MULHER EMANCIPADA

Cresceu com aquele odor no nariz. Aos ombros da mãe saía em grandes passeatas. Passeatas da queima do soutien.
Sempre teve problemas de ar. Asmáticos. Pobre menino. A mãe deixava o cabelo do menino João crescer. As companheiras, camaradas e amigas  exclamavam:" Que linda menina! Como se chama?" O menino João franzia os olhos e emburrava, não respondendo. "Maria João?! Que lindo! Maria João é um lindo nome para uma criança revolucionária que vem abalar com todo um conceito de género!" O menino João arrancava um moco do nariz e fazia pontaria ao buço da senhora. Mesmo à frente da mãe! A mãe não dizia nada. Alegava que a criança deve ser livre, longe das amarras e imposições sociais!
Depois o João cresceu. Muitas primaveras se seguiram até os cravos murcharem. João começou a namorar. Aliás! Levou tempo até João começar a namorar! A mãe defendia que namorar era uma imposição social e que o amor livre é que é! É que deve ser o caminho! João aos poucos foi-se emancipando de toda aquela emancipação imposta. Namorou. Casou com pompa e circunstância. Depois foi quele viver juntos. Aquele partilhar de tempo e espaço. João e Rosa (de Luxemburgo, filha de uma grande amiga da mãe). João não fazia nada em casa e ligava a meio do dia para informar que chegaria tarde, para não esperar por ele para o jantar que mandasse um beijo aos filhos.


 # Série "Ser mulher é fogo ou as mulheres emancipadas que se esqueceram de emancipar os filhos"

A piU
Br, 22 de Fev. 2013