quarta-feira, 17 de julho de 2019

SE A POESIA ESTÁ NA RUA, A RUA É POESIA PORQUE PÚBLICA


" Uruboru" , dirigido por Judite da Silva Gameiro do Teatro Ka foi apresentado entre 2003 e 2010 em Festivais de Teatro de Rua em Portugal, Itália, França, Holanda e Alemanha. Este recorte de jornal data de 2005 em França no Festival de Teatro Chalon Sur Saone, contracenando com o grande ator francês Jean- Pierre Billaud, que partiu em 2015 nas asas do destino de todos nós. Enquanto isso, lotou praças em cima das suas andas / pernas de pau. Vida longa para todos os artistas de rua, sala, espaços alternativos. Que a sua arte possa tocar a todos.


A Piu
Br, 17/07/2019

tradução livre: Um pintor sobre andas/ pernas de pau propõe-se a fazer retratos do público do festival. Até que a sua vizinha, a bela florista entra em cena. Então ninguém compete com ela. Mas como seduzi-la para obter um sorriso, um encontro? Esta comédia sobre andas/ pernas de pau conta simples e ternamente  uma história de amor com os preparativos do primeiro encontro até à concretização duma relação! No final o amor triunfa numa encenação muito original!

Estreia no Festival de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira Portugal 2003

 " Uruboru"  Teatro Ka dir: Judite S. Gameiro
Pintor: Jean Pierre Billaud
Florista: Ana Piu


terça-feira, 16 de julho de 2019

SOMOS TOD@S SUJEIT@S HISTÓRIC@S

Antes de tudo para vivermos em democracia precisamos de saber o que realmente é democracia. Liberdade de expressão, respeito por visões de mundo diversos, capacidade de conjugar esses mesmos pontos de vista para um bem estar social que abranja idealmente toda a população, respeito e igualdade pelo papel da mulher enquanto sujeito social, entre outros sujeitos socais considerados minorias, e por aí vai. Não esquecendo que a autonomia da mulher passa não só pelo financeiro, que é bastante importante, como pela sua realização pessoal que está naturalmente associada à auto estima. Passar isso às gerações seguintes, assim como transmitir factos históricos, que não são opiniões, são factos. Ter havido uma ditadura ou um holocausto não é uma questão de opinião se houve ou não houve. Aconteceu. Ponto. Agora se a pessoa concorda com as atrocidades que se cometem nesses períodos ou nem sequer estar informada sobre os contornos de tais atrocidades... Isso cabe a cada um e cada uma parar e comprometer-se a trabalhar a sua consciência do que é aceitável ou inaceitável. Invadir o espaço de outro ser vivo, humilhá-lo, difamá-lo, mal tratá-lo e ao limite tirar-lhe a vida é aceitável, independentemente da bandeira que erguemos? E se em vez de levantarmos bandeiras furiosamente cuidarmos do nosso jardinzinho interior? Escolhermos cuidadosamente o que pensamos, sentimos e expressamos? Escolher como nos relacionamos com o ' outro ' que somos também nós? Que desafio!!! Principalmente quando passamos séculos e séculos a focar num olhar patriarcal que é de guerra, combate, invasão, estupro, roubo, anexação? Quem estuda nas escolas sobre a história das mulheres? O que elas criaram? Como elas têm contribuído para o mundo, além de serem mães condicionadas à lógica acima descrita?

Se tem havido muitos avanços no último século, principalmente depois do sufrágio universal em que as mulheres podem votar assim como novas formas de controle de natalidade, pelo uso de contraceptivos, muito ainda há avançar diante de alguns aparentes retrocessos que se tem observado não só no Brasil, como em várias partes do mundo ocidental dito desenvolvido. Num sistema neo liberal onde o vínculo empregaticio é quase, se não totalmente, desprezado. A precarização do trabalho é efetiva.


Perder a nossa autonomia financeira, mesmo que momentaneamente, porque as leis trabalhistas neo liberais só enxergam o trabalhador e a trabalhadora como força de trabalho descartavel em que a sua doença. invalidez, gravidez ( gravidez não é doença) , maternidade, velhice não são da sua responsabilidade é uma violência que podemos chamar de simbólica, porque não é física.

Há uns dias atrás assisti a uns episódios na netflix : guerras do Brasil. com. Como estrangeira para mim é importante não só saber a história do Brasil, mas como ela é contada. Muito interessante os dois primeiros episódios com a fala do Krenak e outros sobre a chegada de "nós" portugueses e o que se fez com os povos indígenas e africanos. Sinto muito e só desejo que esse projeto de genocídio tenha fim o mais rápido possível. Mas qual não é o meu espanto que do penúltimo episódio há um salto de décadas!.... Passa-se de 1930, com a chegada do ditador populista Getúlio Vargas, para 1969 superficialmente e  sem falar a fundo do Júlio Prestes e somente citá-lo também superficialmente. Da ditadura militar nada se fala e vai logo para os anos 1990 e 2000 sobre a guerra entre facções dentro e fora dos presídios entre si e com o Estado... Enfim, de algum modo está explicado todos este samba do criolo doido no Brasil em que parte da História é omitida, escondida, apagada. Quem não deve não teme nem treme. Então não se esconde ou pinta o rosto da História com talha dourada... Apareça, olhe nos olhos, assuma a sua humanidade! Isso nos mais pequenos detalhes da vida. Muitas vezes reproduzimos inaceitabilidades porque as mesmas foram naturalizadas. Termos a coragem de rirmos saudavelmente dos nossos vícios de comportamento é um caminho de cura individual e coletiva. E agora lá vai clichê, mas que é efetivo: " SÓ O AMOR CURA!"

E por falar nisso! Você conhece estas personalidades femininas brasileiras? Eu reconheci a psiquiatra Nise da Silveira e as atrizes Leila Diniz , aquela que veio abalar com as certezas e práticas libidinosas da época que se perpetuam até hoje, e a Cacilda Becker, aquela que um dia falou: "Não me peçam para oferecer a única coisa que tenho para vender!" Que é o quê? A sua arte cênica que é a sua profissão, o seu ofício. Pois é, ser atriz é uma profissão digna, que não precisa de passar pelo do teste do sofá nem do tapete. Requer muita dedicação e estudo. Assim como a arte da palhaçaria. Uma boa palhaça ou um bom palhaço sabe atuar em cena e isso trabalha-se. Ninguém nasce ensinado, como ninguém nasce a saber o que é democracia e liberdade de expressão sem ofender e invadir gratuitamente o(s) outro(s). Cabe a cada um e cada uma de nós dar continuidade a esse exercício ao invés de apontar dedos e enxergar os outros como rivais, inimigos. Ao final isso é uma grande infantilidade, porque somos todos espelhos uns dos outros. Se sorrirmos e rirmos para a vida, mesmo nos momentos mais precários logo desafiadores, será que esta retribui? ;)

Bom! Até ao próximo texto nesta página sobre palhaçaria feminina e relações abusivas!

Ana Piu
Br, 16/07/2019


Ah não se esqueça de curtir, se curte, a página no facebook " Ar Dulce Ar"- espetáculo de palhaçaria feminina sobre erradicação da violência contra a mulher com Geni Viegas e Ana Piu com direção de Leonardo Tonon e assessoria artística de Adelvane Neia. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/


Você conhece a história destas mulheres brasileiras? 



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domingo, 14 de julho de 2019

HERMANAS E HERMANOS

" Hermanas,

        Eu assumo, neste momento, a responsabilidade pela cura de minhas relações com todas as mulheres.
Peço perdão por cada momento que me movi em direção à competição, ao territorialismo, à agressividade passiva... e por cada momento em que respondi a isso tudo em desamor.
Peço perdão por cada vez que olhei nos olhos de outra mulher e não consegui ver que via somente a mim mesma... Caindo no julgamento, na crítica e no distanciamento.
       Peço perdão por toda  e qualquer traição de confiança e perdoo pela expectativa alheia.
       Peço perdão pelas palavras ditas indevidamente que criaram desarmonia, intriga ou desavença.
       Peço perdão por minha vitimização, pela falta de responsabilidade em minhas relações, pela falta de carinho e cuidado...  Sinto muito, por ter sido em muitos momentos, o reflexo obscuro de mim mesma e muitas outras mulheres que encontrei em meu caminho. Sinto muito se a expressão de meu Ser, em algum momento, ter causado dor ou desconforto.

       Eu perdoo... Por ter sido traída, julgada, maltratada, hostilizada e subjugada por tantas mulheres.
       Perdoo as mulheres por ainda hoje criarem os futuros homens do patriarcado.
       Perdoo por não ter sido acolhida em minhas fragilidades, por não ter sido aceita em minhas imperfeições e por não ter sido aceita em minha exuberância.
        Perdoo, e peço perdão.
        E aceito... Recebo minhas irmãs em meu ventre e meu coração... Me abro, e recebo.  Me abro, e acolho. Enquanto faço da minha alma o palco de uma revolução de flores.
        Sinto muito, me perdoe, obrigada e eu amo você.
        Que as nossas armas e escudos sejam o amor, a união e o fortalecimento de nossa irmandade o matrístico que que nos salta, de dentro pra fora. "


                                                                                            Morena Cardoso
                                                                                            in: Mandala Lunar 2019
                                                                                            www.mandalalunar.com.br
                                                                                            instagram.com/mandalalunar
                                                                                            facebook.com/mandalalunar

No texto desta semana compartilhamos aqui iniciativas, reflexões de outras mulheres e homens inspirador@s. A Mandala lunar é uma agenda criada a várias mãos. Além de ser uma ótima agena com ilustrações belíssimas, tem vários textos, como o de cima, " convida você a perceber os ciclos da natureza e da Terra, da Lua e do seu próprio corpo.. (...) O mundo atual pede presença e união. É chegada a hora de agir com amor - a mais poderosa medicina- para desestruturar as forças desagregadoras e obsoletas e plantar sementes de um novo amanhã. Nessa caminhada, é importante que possamos nos apoiar, escutar, nutrir e cuidar." - in: Mandala lunar -


Nesta caminhada de sabermos quem somos e como lidamos com o que sentimos, compartilho ainda o trabalho inspirador da querida Raquel Anwar que convida também os homens a chegarem mais perto e junt@s transformar dor em amor.

" O ciclo vicioso do machismo -

Insta dos meninos: @italomazzonipsi @pedroratton O ciclo vicioso do machismos que meninos e homens vivem pode não ser tão gritante quanto às consequências que as mulheres sofrem com o machismo, mas sim... há perdas e dores nos dois lados. Dores e traumas diferentes, mas existe e não pode ser negado! Precisamos cuidar dos nossos meninos também, afinal são eles que aprendem que está tudo bem bater na coleguinha que gosta da escola, ou que chorar é sinônimo de fracasso e que ele tem que virar homem! Não pode se negar que a partir do momento que o menino entra neste ciclo vicioso ele perde algo que é fundamental para seu equilíbrio emocional: o contanto com suas emoções, ou seja: o contanto com o seu feminino. Site: www.raquelanwar.com Instagram: @raquel_anwar Fanpage: https://www.facebook.com/RaquelAnwar/

Parte 1 - https://youtu.be/hJ0kT7xzk8w
Parte 2 - https://youtu.be/TeapWQdd8GE
Parte 3 -   https://youtu.be/g5Sibez81Wc

Abraços, beijos e abreijos e até ao próximo texto!
A Piu
Br, 14/07/2019

Ah não se esqueça de curtir, se curte, a página no facebook " Ar Dulce Ar"- espetáculo de palhaçaria feminina sobre erradicação da violência contra a mulher com Geni Viegas e Ana Piu com direção de Leonardo Tonon e assessoria artística de Adelvane Neia. https://www.facebook.com/AR-DULCE-AR-162965127817209/

terça-feira, 9 de julho de 2019

MEMÓRIAS COLORIDAS E A PRETO E BRANCO DA POLÓNIA DOS ANOS 90

Não sei por acaso ou não começo a escrever sobre a chegada a Varsóvia enquanto no you tube o Caetano canta Sampa. Por incrível que pareça, o que até pode até parecer estranho, São Paulo com todas as suas bizarrarias e friezas é uma cidade onde as pessoas sorriem e consoante a forma como nos relacionamos e com quem nos relacionamos, por vezes até nos esquecemos que estamos naquela selva de pedra.

Depois duma breve passagem por Pilsen, na atual República Checa onde nos hospedamos no anexo independente duma casa duma senhora super simpática e atenciosa que nos levava logo pela manhã um saboroso pequeno almoço/ café da manhã por uma quantia irreal, o que era uma festa para aquelas estudantes que viajavam com algumas economias básicas. Ainda não se falava de hostel nem de airbnb. Visitamos assim a cidade da cerveja pilsen e dos emblemáticos e coloridos carros da skoda. Já dá para ver que fazíamos uma espécie de visita de estudo com baladinha. Ihihih

Chegar à Polónia, leio à distância, que foi mesmo uma prova dos nove se realmente queríamos ali ir e ali estar e fazer o que nos tínhamos proposto. O Xico já tinha avisado que depois de Berlim voltaria para Lisboa ou até mesmo antes. Mas nós os três estávamos dispostos a visitar o campo de concentração de Auschwitz. A primeira paragem seria Carcóvia. Como viajámos durante a noite adormecemos e às 7/8 da manhã estávamos em Varsóvia. A carruagem vazia, o comboio/ trem a andar. O Xico ainda deu um salto à para quedista e eu o Tiaguini a entrar para dentro dum túnel. achamos que iríamos direto para a garagem. Não! Fomos ter aos subúrbios de Varsóvia, onde massas de pessoas caminhavam em sentidos únicos. O ambiente era cinza, pesado. Tentamos pedir informações em inglês e francês. Inglório. Nunca me senti tão turistona ocidental colorida como naquela situação. Eu que passara a vida inteirinha na Península Ibérica, entre Portugal e Espanha, e a primeira vez que fui a França fora no ano anterior para apresentar num festival de teatro estudantil curiosamente " Os Possessos" do Dostoievski encenado por uma polaca/ polonesa que adorava cueca cuela e o ocidente.

Conseguimos voltar a Varsóvia e encontrar, após várias peripécias, o nosso amigo Xico. Ah! Mas queríamos ligar para casa para informar que estava tudo a correr sobre rodas! Em 1992 até já deveria haver aparelhos eletrónicos, mas a maioria não os tinha. Eu fui ter em 98. Ligavamos de cabines telefónicas/ orelhões ou dos correios. Este gesto que aqui mostro foi o gesto que fiz para perguntar onde havia um telefone público em Varsóvia. " Telephono", " Telefone" " Tel fonne". Nada. Nem o gesto... Deram-me um cigarro. Pena que não tinham um cachimbo igual ao do gesto ou um charuto havana. Bom acho que foi o blá blá que salvou. Não lembro.

Descemos finalmente para Cracóvia e depois para Auschwitz. É uma redundância dizer que essa visita foi a mais marcante e pesada da viagem. Se muitos não sabem o que é um campo de concentração, seja nazi ou não, urge informarem-se. Aqui no Brasil é muito urgente o cidadão comum informar-se sobre tudo isso. O que é comunismo, fascismo, etc. Ah! E hoje é feriado no Estado de São Paulo ao movimento contra a ditadura de Getúlio Vargas realizada pelos paulistas em 1932. Conhecermos a História é um ato de cidadania consciente para que não defendamos princípios, ideias e pessoas que seguem o caminho da mediocridade e ao limite da boçalidade nefasta. O Jair Coisinho é um medíocre e quem o ainda defende, não porque acredita nele mas por orgulho ferido de ter apostado no cavalo errado só para não dar um voto ao PT, precisa de escutar o seu coração, abri-lo para desejar felicidade a todos os seres e que estes se libertem do seu sofrimento e do sofrimento que causam aos outros e ao meio ambiente.

Em Auschwitz tive um piripaque - adoro esta palavra que aprendi no Brasil, soa a onomatopeia de desenho animado. E que piripaque foi esse? Na época eu tinha o cabelo muito curto. O nariz e os olhos de sempre. Claro! Revi-me nas fotos das prisioneiras. Eu tenho rosto de judia e também entre polacos/ poloneses perguntam se sou uma deles. Mas nesse campo não estiveram só judeus. Estiveram ciganos, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e défices mentais, todos os que se opunham ao nazismo, nomeadamente alemães. Por isso, muita atenção quando se fala, como já escutei, que todos os alemães são nazis....Também há que estarmos atentos ao lobby judeu, cujo respeito nutro  pelas vitimas e todos que contribuem para a Humanidade, que só fala deles próprios como vitimas do Holocausto e que até hoje são cometidas atrocidades na Palestina com o povo que já lá vivia, em que muitos são árabes.


Bom, depois da Polónia seguimos para Berlim onde ainda vimos pedaços de muro, mas desta vez eu ainda me alojei na parte oeste. Nos anos seguintes conheceria Berlim leste que ainda estava assarapantado com o capitalismo. Numa dúvida existencial se afinal tinha sido uma boa escolha ou não. Qual o preço da liberdade? Esse é o próximo texto para quem gosta de ler e compartilhar a sua escrita  nestes tempos de rapidez e imagem.

A Piu
Br, 09/07/2019

Hello! Salut! Tele phone? Tele fono! Telephen!
Cigarro? Só se for um havana com sabor a banana!


segunda-feira, 8 de julho de 2019

PRAGA PRAHAHAHA

Naquele Agosto de 1992, e não de 1991 como meti na cabeça que era - sim, num ano acontecem muitas coisas!- saímos da cidade do Fernando Pessoa, passamos por Budapeste que foi uma cidade que inspirou o Chico Buarque a escrever um dos seus romances. A paragem seguinte seria Praha - Praga- a cidade que naquele ano já tinha virado um parque temático para turistas alemães, como Lisboa virou em meados de 2015/ 2016. Porém, Praga ou Prague ou Praha o pop star era e talvez ainda seja  Franz Kafka. Ao passo que Lisboa, o parque temático é a portugalidade dos pasteis de bacalhau, de nata, das sardinha, do vinho e do fado. Ah! E do enaltecimento quinhentista com os seus monumentos à beira rio. No entanto, antes de ser um parque turístico já era um destino de pintores japoneses pela sua luz e podiam-se ver alguns poetas alemães e escandinavos nas velhas e abandonadas rua da antiga Lisboa com os seus chapéus a la Fernando Pessoa.

O turismo é uma praga. Não é? Tudo vira produto. Uma imitação do próprio lugar, uma folcolorização da identidade individual e coletiva. Há um tempo atrás, de passagem por Portugal, entrei numa loja para ver umas sandálias. Um casal alemão ficou impressionadissimo com a minha fluidez no português! Eheh! Sim, mesmo na minha terrinhona natal quase sempre passo por estrangeirola, gringa, bifa. Qualquer dia fantasia-me de mim própria e viro atração turística no meu país natal. ;)

Voltemos à ex Techecoslováquia , hoje Republica Tcheca. Por essa altura eu já conhecia Milan Kundera, assim como Frnaz Kafka. Milan Kundera estava na estante de casa, ombro a ombro com José Saramago. Ironia? Foi Milan Kundera, aquele da " Insustentável leveza do ser" , com o seu humor crítico mostrou-me o lado B riscado do Regime Komuna.  Através de " A brincadeira", " O livro do riso e do esquecimento" e outros soube o que era a Sibéria, e como os que pensavam, refletiam ou riam eram uma ameaça para um Regime Totalitário e por isso perseguidos e punidos. Ala para a Sibéria para saber o que é bom para a tosse!

Praga é uma cidade muito charmosa e eu conhecia-a no Verão. Ainda era tudo muito barato para três kompanheiros kamaradas da vida airada que com os seus 18, 19 anos - eu era a garota mais nova, depois vinha o Xico ou o Tiago. Isso não interessa. A idade nem o género não são postos - viajavam de comboio/ trem dormindo de noite nas viagens ou ao relento nas estações centrais das cidades. Passeamos pelo centro, onde havia espetáculos de rua. Uma novidade para mim! Procuramos sair do centro para comer algo dum lugar que não turístico e beber - claro - uma cerveja techeca! Encontramos. Claro! Uma questão de sair do fluxo turístico para ir ao encontro de pessoas que ainda vivem a cidade com outros focos que não meramente o turístico. Alguém entrou para vender bouquês de flores. Um senhor que estava ao balcão comprou e ofereceu-me. Eu gosto de receber flores, e nem sempre recebo. Fiquei feliz com o gesto e não tomei como um gesto malicioso. Tomei como um gesto de amorosidade poética. Principalmente porque visivelmente estava acompanhada e quando há respeito tudo pode ser viável. Seguimos viagem, passando por aquelas pontes lindíssimas, onde um dia Kafka não desejou mais passar por ser judeu perseguido, não pelos alemães e sim pela URSS, e ser atormentado com a relação com o pai. Era no mínimo justo que Praga lhe prestasse essa homenagem. Mas que o turismo é uma praga do capitalismo... Lá isso é! Ufa!... Ninguém merece! Ai fadinho! Atira-te ao maaaar e diz que te " empurraaaareeeeem"!

Numa das pontes de Praga joguei o ramo de flores brancos e vi-o descer rio abaixo num serpenteio poético. Como uma ode à vida que vai para lá das ideologias que servem poderes que tolhem ou ou que pelo menos tentam.



A Piu
B'Olhão Geralzen Bêerre 08/07/2019







Franz Kafka Andy Warhol, nascido como Andrew Warhola (Pittsburgh, 6 de agosto de 1928 — Nova Iorque, 22 de fevereiro de 1987) Andy Warhol, nascido Andrew Warhola, foi um pintor e cineasta norte-americano, bem como uma figura maior do movimento de pop art.
FERNANDO PESSOA por Júlio Artur da Silva Pomar (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 — Lisboa, 22 de maio de 2018) foi um artista plástico/pintor português.) Pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses, sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura, com importantes desenvolvimentos nos domínios da tridimensão ou da escrita.



domingo, 7 de julho de 2019

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UM ABRAÇO ECO LÓGICO

" What Else Mag Cultura Arte-Pop Art" Andy-Warhol

Naquele Agosto de 1991 a primeira cidade que paramos para ficar, após vários dias de comboio/ trem, foi Budapeste. Era incrível perceber a riqueza e o desenvolvimento de cada país através da qualidade e conforto das carruagens. Portugal era aquela zoeira. Por vezes parecia que estávamos na segunda grande guerra. Um monte de rapazotes fardados que cumpriam o serviço militar, mais um monte de gente com um monte de cacarecos que parecia que saíam às pressas da sua casa. Bom, em Espanha a coisa melhorou um pouco. Mas quando chegamos em França, ao norte glamouroso da Itália, que nada tem a ver com o sul, e a Áustria ali sim era a Europa que todos sonhavam; cheia de conforto, instâncias balneares de perder o fôlego. Se não passamos por Cannes andamos lá perto. Mas era o estilo, mas visto da janela da carruagem. O destino era Budapeste.


Eu já tinha bebido coca cola. Claro! Quem nunca! Bom, até 1974 em Portugal não entrava essa água barrenta do imperialismo norte americano. Penso que era proibido. Assim, como nesses países do Leste Europeu até 1989. Quando lá chegamos em 91!!!! Caramba, parecia que estávamos a entrar num filme do Tarantino ou do David Lynch. Nós que vínhamos da terra das bifanas, dos pregos, das sandes de molho e das sopas como comida rápida era só os burgueres e as fritas em estilo "amaricano"! Estavam entregues. O muro caiu, a Perestroika abriu as portas e lá vai " american way of life" para o Leste. Assim os "amaricanos" ganharam com estilo a guerra fria. Não foi só assim, mas o consumismo é onde pega as pessoas. Termos consciência do que consumimos é transformador. E não falo só de como nos alimentamos com comida! Podemos ser vegetarianos, veganos, macrobióticos e nos alimentarmos de pensamentos, sentimentos e ações negativas.

A grande maioria das pessoas ainda quer ter, consumir. É compreensível que a pessoa que nunca teve acesso a nada ou quase nada queira experimentar. Queira ter aqueles sapatos, aquele boné, aquela tecnologia topo de gama como vê nos clipes de música. Aquele carro branco com mulheres em cima dele de peito e nádegas fartas, como se fosse também um produto de consumo. Se formos observar bem, num contexto onde o consumo é exacerbado a mulher, assim como o homem, são aquisições momentâneas e descartáveis.

Então, o que o PT  - Partido dos Trabalhadores - no Brasil fez foi tirar muita gente do limiar da miséria. Estas não se tornaram ricas, "só" saíram de miséria. Criou Pontos de Cultura, democratizou uma série de coisas nomeadamente a educação. O PT também abraçou o discurso de país emergente, enquanto o resto do mundo  ocidental estava em mãos com a especulação imobiliária, taxa alta de desemprego, pessoas nos EUA morando nos carros por não terem como pagar as suas dívidas E o Brasil era emergente. Porquê? As multinacionais e os bancos estavam de olho num dos países mais ricos do mundo, com tecnologia avançada e uma série de recursos naturais. O PT também vendeu a floresta amazônica e também delegou aos ivan bélicos o trabalho que eles deveriam ter feito entre a população, nomeadamente nas periferias. Desmobilizou movimentos sociais. Não abriu mão da corrida ao poder nas últimas eleições. Porque não fez uma coligação? Ou mesmo sem coligação e deu foco em alguém que fizesse frente aquele Coiso?

Agora lá vai bufonada: a classe mérdia não suporta que a maioria da população saia da mérdia, porque querem ser os tais. Os que viajam para a Europa ou para Disney e Miami e comem tomate seco e uma boa posta de carne. E ainda alegam que a escola pública não é boa e eles andaram em escolas distintas, diferenciadas. Essa lógica é mesquinha, mas quando escutamos o que tem para dizer sobre a história do Brasil, as conjunturas sócio económicas e politicas nacionais e internacionais... A pessoa só se pergunta: por onde viajaram e que escolas são essas? Devem ser aulas transmitidas pela Globo.

Enfim, a mudança está na forma consciente do nosso consumo e qual o lixo que produzimos e damos foco. Se estamos sempre a compartilhar coisas negativas para provar que o mundo está errado, talvez não saímos do mesmo lugar. Começar por nós a cultivar mais leveza, cultura da paz, caminhos possíveis de ação como as coisas fixes legais que já se fazem: hortas comunitárias, bancos de tempo, ações culturais e artísticas. Enfim estarmos mais presentes no nosso presente e também contemplar mais, observar mais quem está na nossa frente e que nem nos demos conta por estarmos ininterruptamente na frente do telemóvel, do celular. Esse objeto da democracia capitalista que pode e dever ser usado a nosso favor e não contra nós. Nada como sermos gente de carne e osso, onde os olhos são o espelho da alma. E assim os equivocos, os mal entendidos e acontecimentos fakes virtuais se dissolvam num abraço com a vida.


A Piu
B'Olhão Geralzen Bêerre 06/07/2019



sexta-feira, 5 de julho de 2019

ISTO NÃO É UM CACHIMBO COMO ISTO É O QUE NÃO É MAS É - este texto é longo, pense antes de dispender o seu tempo

Como quase iniciante das práticas meditativas e seus ensinamentos dentro duma linha budista tibetana, muitas vezes pego-me a pensar: " Será que a irreverência não cabe na reverência à vida? "
Bom, se seguimos esses ou outros ensinamentos que nos levem a estarmos cientes de quem nós somos tudo é possível de ser verbalizado, dentro da prática do silenciamento da mente. A questão não é nos omitirmos e sim como expressamos o que pensamos. Não sei se pensar dá muito trabalho. É uma prática como outra qualquer. Pensar pela nossa própria cabeça mais do que ser trabalhoso é um ato de coragem. Porquê um ato de coragem? Porque assumirmos quem nós somos, com as nossas sombras e claridades, é audaz.

Vamos ao que interessa para quem não se importa de ler até ao fim, e que ao invés de afirmar que é confuso e longo o texto, coloca o seu ponto de vista, questiona e pergunta o que não entende.
Antes de tudo, este texto não pretende ter uma escrita nem seguir uma lógica acadêmica nem ideológica. Então, quem bater pala cegamente ao academicismo e aos ismos pode ir beber um choppe sem alcóol, pois não pretendo que ninguém se sinta fora do estar a gosto.

Primeiramente, o comunismo acabou faz muito tempo. Talvez nunca tenha existido  de facto como se propunha. Ou talvez a sua proposta ditatorial não era um vislumbre dos utópicos. Desde o stalinismo que o comunismo virou algo autoritário e totalitário, configurando-se de igual modo ou pior aos negros anos do domínio alemão.

Nesta foto aí minha, com os meus 17 anos e um ano antes de viajar de mochilão com uns amigos pela Europa de Leste para constatar  a queda do regime komuna e o seu muro de Berlin, o meu olhar é de alguém que está a começar a vida que já estava aí. Antes de nós sermos o mundo já existia e se renovava e se repetia e se reinventava.

Como sou jovem há já algum tempo, mas não tanto como o Tom Zé e o Mick Jagger, em 1991 constatei com o Tiago e com o Xico que a Hungria, Ex Tchecoslováquia, Polónia e Alemanha estavam entregues ao consumismo, logo ao capitalismo. O PT comunista? Democratizou entre o povão o cartão de crédito!!!! Mais consumista e capitalista que isto não há!!!

Como europeia, que não me faz mais nem menos que ninguém, vivi na Europa até 2011. Em 2012 passei a morar no Brasil. Alguém vir falar do perigo do comunismo a esta altura do campeonato causa-me surpresa e até alguma preguiça. Não é legal ter preguiça, principalmente para quem está aberto para dialogar. Agora quem faz da sua ignorância arrogância eu vou meditar para quebrar com as estruturas cármicas que trago dentro de mim e tornar-me uma libertária om de verdade sem sarcasmo nem chute nas mesas e cadeiras. Ihihih Embora a ironia seja uma ótima ferramenta de humor, desde que usada com intenção de beneficiar verdadeiramente todos os seres do reino animal, vegetal e mineral. Sim, porque também há quem se use de nobres causas mas com raiva e juízos de valor. Isso é também uma questão a ser trabalhada. De que vale levantarmos bandeiras de nobres causas se não somos honestos e sinceros para com nós mesmos? Se é para meter alguém no barulho que seja para  meter os outros ao barulho do nosso silêncio. VITÓRIA AO AMOR E AO DISCERNIMENTO! VITÓRIA AO AMOR COM DISCERNIMENTO!

A Piu
B'Olhão Geralzen Bêerre 06/07/2019




Anita ainda é isso aqui?

Isto não é um cachimbo, mas é!