segunda-feira, 13 de março de 2017

O MENINO QUE AMA UMA AVE RARA

" Oh Tati! Eh... aquela palhaça é diva e é liiinda!". Olha só o rebusque da situação! Esta criaturinha de metro e mais ou menos meio dá-se ao trabalho de mandar um voice no zap zap da produtora do festival! Claro que aqui a ave rara derreteu-se toda e respondeu que iria de avião e o levaria no coração. A criaturinha, cujo nome é Augusto, continua: "Eu vou-te amar mais que um diamante!'
Eu vou-te amar mais que um diamante... A conjugação do verbo e a comparação!... Tudo indica que este menino tem sido educado para amar incondicionalmente. Veja-se que um menino que ama e vai amar como um diamante uma palhaça que esperneia punk rock, mas que também toca mais ou menos no clarinete 'Silent night", dificilmente chamará e tratará uma mulher como galinha.
Primeiro temos que nos lembrar como a galinha animal se comporta. Além de ter um cérebro pequenito ela é muito nervosa, pois pode estar ao lado da saída do galinheiro mas anda ali às voltas, a soltar uma mão cheia de penas pelo ar. Isto era o que eu observava no galinheiro do quintal lá de casa na minha infância. E eu que sempre adorei animais... Mas as galinhas... Tinha dificuldade em ter afinidade com as suas limitações.
Já me aconteceu uma ou outra vez uma criança da plateia chamar-me galinha. Uma das vezes eu contracenava com dois amigos e colegas. A minha personagem era andrógena e representava alguma liderança no trio. Esse comentário dessa criança que deveria ter entre os 6 e os 8 anos deu-me que pensar. O que ele escuta em casa? Como vê as mulheres do seu circulo de relações serem tratadas. Como estas se comportam entre si? Disputam quem tem o vestido mais lindo do planeta? Disputam o mesmo homem, seja este medíocre ou transcendental? Se for transcendental mais uma razão para se admirarem uma à outra ao invés de se galinharem e tentar serem as gostuzudas. Isso é medíocre. Ou não? Enfim... No entanto o pais deveriam ser veganos, pois a apresentação foi feita numa feira vegana. Dá que pensar.
Sei que este meu querido Augusto pode ser o imperador da amorosidade e admiração. Nas horas de fracasso da Bell Trana, ele gritava da primeira fila da imensa plateia: " EU TE AMO!" Isto ao lado do pai. Também dá que pensar um pai que leva sozinho o seu filho a um festival de mulheres palhaças num sábado às 19h. É igualmente um pai especial. E vivam os pais, os amigos, os educadores que prezam pela sociedade da paz e do amor incondicional. Podemos levantar muitas bandeiras, mas se a ecologia emocional não estiver latente... Béu béu.
E com esta me vou com uma das últimas mensagens do meu querido imperador do amor Augusto, porque o humor anda de mãos dadas com o amor:
" Oi palhaça cara de pato. Tchauuu au au. Paratati paratata.Caratatacha caratatachi"
Piu
Br, 13/03/2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

O CARNAL PODE SER TRANSCENDENTAL?

dedicado aos adolescentes de hoje, aos adolescentes que já fomos e aqueles que ainda são embora já tenham passado a idade de o ser

Na verdade é-me difícil de entender o que é ser carnal, assim num conceito encolhido, num alibi para não superarmos as grandes sombras seculares que nos esvaziam de nós mesmos. Ser carnal por ser carnal não é uma colonização do nosso corpo e do corpo do outro? Explora e vai embora? Talvez seja uma limitação minha, uma dificuldade de entendimento. Apesar de tudo somos todos tão diferentes e tão iguais. Mas duma coisa tenho-me apercebido. Quem se vislumbra como "carnal" está a uns, muitas vezes largos, passos da felicidade, do amor pleno, do tal do amor próprio. 

E o que é essa coisa de abraçarmos a felicidade e sentir esse tal amor pleno? Olha... assim de repente, sem muitas delongas, é estarmos perto do nosso próprio coração. Não estarmos dependentes duma aprovação para que sejamos nós mesmos. Bastarmos-nos e emparceirarmos-nos quando assim faz sentido. Quando nos amamos a nós mesmos na sua plenitude vamos nos atrair e quem sabe atrair seres que também estão nesse caminho. O tal do caminho do meio, onde o equilíbrio é uma bifurcação com a leveza e o desafio de respirar. Se somos parasitas emocionais ou se atraímos vampiros igualmente emocionais é nosso dever dar aí uma revisada e uma faxinada interior. Essa de que tem gente por quem nos apaixonamos estar espiritualmente menos evoluído ou que não está à altura do nosso brilho... Delicada essa visão. Colocamo-nos num lugar de superioridade duvidosa. Pois se somos assim tão evoluídos porque é que essa atração acontece? Não nos atrairemos por seres que de algum modo vibram o que nós potencializamos? Seja fragmentado ou pleno. É fixe legal caminharmos uma vida  inteirinha para estarmos mais plenos. Porque ser só carnal é um fragmento de algo muito maior do que podemos SER.

A Piu
Br, 06.03.2017


um corpo é mais que um par disto e daquilo. Um corpo contém alma e espirito. 

Sermos parasitas emocionais e relacionarmos-nos com semelhantes a esse parasitismo é toxico. Faz muito mal à saúde psico motora.

PALHAÇAS DO MUNDO

Pessoal de Brasília e arredores desde o leste até ao oeste, passando pelo nordeste, sudeste, norte e sul! A gente encontra-se já já jazzinho!
A Piu in Braziule
Palhaças do Mundo em CCBB Brasília.
Ana Piu é uma palhaça portuguesa que contará como é sobreviver aos ventos de mudança com um olhar num novo paradigma onde as questões sociais e de gênero são superadas pelo simples de fato se ser.
Espetáculo: Os Numbros de Bell Trana (Portugal)
11 de março, às 19h
Teatro 1 CCBB Brasília
R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)
Vendas na bilheteria do CCBB ou www.culturabancodobrasil.com.br/portal/palhacas-mundo
* Mulheres pagam meia entrada

sexta-feira, 3 de março de 2017

OFICINA DE PALHAÇARIA

Foto de Ana Piu.

SEXO JÁ NÃO É TABULE E AS RECEITAS DA CHERIFA

dedicado aos adolescentes de hoje, aos adolescentes que já fomos e aqueles que ainda são embora já tenham passado a idade de o ser


Não, esta publicação não tem a ver com o que ando comendo ou não tampouco uma ostentação dietética por escolhas várias. Sim, porque o que comemos é um posicionamento politico como tudo na vida. Não confundamos, no entanto, posicionamento politico com panelinhas partidárias e dogmas diversas.
Em criança e adolescente tive a oportunidade de entrar em contato com umas revistas ditas feministas da 'nha tia. 'Revista Mulheres", assim era o seu nome. Entre artigos vários, cuja visão era sempre de um grito de vitimização feminina e revolta, detetando machismo ao minimo suspiro por parte dos homens. Um dos artigos que a memória guarda tinha o titulo era: Sexo já não é tabu. Ora, isto foi nos anos 80 lá no Portugal sedento de atirar as chaves dos cintos de castidade para o fundo do mar com os seus respectivos moralismos. Esse mesmo Portugal que escutava com admiração " Mania de você" da Rita Lee, achando nós (portuguesas e portugueses)  que as mulheres brasileiras eram todas muito livres e emancipadas. Assim como os homens brasileiros... Xiiiii conversa que dá pano para mangas. Volvidos uns trinta e troca o passo de anos, visto de perto não é bem assim. Se as portuguesas precisam de sacudir mais a poeira secular, as brasileiras idem idem aspas aspas. Ambas fruto de sociedades em que as relações libidinosas muitas vezes não passam de masturbações a dois. Podemos assim concluir que as bombas sexuais que andam por aí não passam de bobas e bobos sexuais, independentemente das nacionalidades e sociedades. E podemos até recorrer a estudos científicos sobre a energia quântica e à filosofia tântrica que ser bomba sexual não é somente satisfazer os seus impulsos libidinosos sem entrega espiritual. Em não havendo essa entrega... é só mais um prato de fast food que se engole. A pessoa até se pode achar o máximo naquele momento, mas pode correr o risco de alimentar rancor e ressentimento quando o seu "objeto" desejado não corresponde aos seus apetites. O que se pode concluir que o mais profundo do seu ser mascara-se de bomba, mas a essência está boba. Há aqueles, que não guardando esses sentimentos negativos dentro de si, chegam a um momento da vida que estão exaustos. Cansadíssimos de tanta vazio e de tanta dificuldade em gerir egos. O seu e dos demais. Logo, ser bomba sexual pode ser uma armadilha. Não temos que ser castos o tempo todo, mas tanta bobagem de confundir amor livre, que contempla admiração e respeito, com sexo numa lógica consumista, capitalista ( mastiga e joga fora como a chiclete com banana). E quando estamos cheios e inteiros.. A história é outra.

Em suma, a cherifa considera que se sexo pode não ter nada a ver com amor romântico, pode e deve ter a ver com amor próprio. É o minimoooooooo.

A Piu
Brasil, 03/03/2017


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

SERÁ QUE SOMOS ASSIM TÃO LIVRES?

'Ah visitei a sua terra! Que linda! Estive em Portugal e em Espanha. Não tive tanto sucesso com as portuguesas. Mas as espanholas!.... Olé! As portuguesas parecem que querem mais uma amizade profunda e parece que temem o pecado". Pois... Pois, pois... Uma longa e profunda reflexão para nos reduzirmos a esterótipos e a leituras de ocasião. Antes de tudo e qualquer coisa pergunto: Depois da tal da revolução sexual lá nos idos anos 60 as mulheres e os homens, e outros géneros assumidos, libertaram-se sexualmente assim tão significativamente? Qual a diferença entre pornografia e erotismo? Qual a diferença entre sensualidade e antropofagia sexual e emocional?
Como portuguesa entendo que possamos ser até um pouquinho menos destemidas, mas como filha do anti fascismo com algum 'culto' ao anti clerical ;) também observo o quanto é degradante a banalização do erotismo (?) ao ponto de "nos olharmos e abordarmos" uns aos outros como se fossemos monstros das bolachas. Olhem que comer tudo e todos sem critério é gula e faz mal ao estômago, pois a digestão pode não ser fácil! Coisificarmos nos uns aos outros não rima assim tanto com liberdade. E bora lá pensar juntos: As energias trocam-se. E estar com alguém que troca energias muitas vezes carregadas ou levianas deliberadamente. melhor encontrar o seu cantinho e estar de boa com os seus dedinhos, as suas fantasias e afins. Mais vale só que acompanhado desacompanhado ou ao limite mal acompanhado.
Enfim... Por ora é isso neste primeiro dia de quadra carnavalicia.
A Piu
Brasil, 24/02/2017
imagem: Inês de Medeiros (atriz portuguesa) no papel de Anais Nin no filme "Henry and June"

Foto de Ana Piu.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ZECA SEMPRE NA MEMÓRIA! FASCISMO NUNCA MAIS!

No dia 23 de Fevereiro de 1987 o meu professor de português avisou com os olhos tristes que iria faltar na aula seguinte, pois iria homenagear uma última vez o Grande José Afonso. Um homem que acreditou e deu o seu melhor para uma sociedade mais justa. Foi muito maior que as mesquinhezes partidárias e como pensador e ativista, muitas das causas que ele defendeu se hoje estivesse vivo lamentaria. Nomeadamente os oportunismos do governozeco oportunista angolano que se mantém no poder. Durante o fascismo português (1932-1974) foi proibido de exercer a profissão de professor. Pois é, existem momentos assim em que os governos são obscurantistas. Há que estarmos atent@s!
Claro que aos 13 anos eu já conhecia o Zeca. Mesmo antes de nascer lá estavam em casa as 'Cantigas de Maio' junto com os outros vinis. Um disco de 1971 com as suas devidas manobras poéticas para driblar a censura. Mas a "Grândola vila morena" era cerejinha em cima do bolo.
Virem-me dizer, nos dias que escorrem, que todos os homens são machistas e isto e aquilo eu só me pergunto que referencias e relações estabelecem. Este, por exemplo, como outros muitos, foram homens solidários que defenderam os direitos de mulheres, negros e pobres. E isso não é subversivo... E se isso para muitos é subversivo , algo está muito errado nos conceitos de cidadania. E para quem lê e não conhece nem Portugal nem todos os portugueses, há a resistência anti fascista e anti colonialista. Embora não conste nos manuais escolares. Já a geração de Abril, aquela que alega que fez a revolução e que a geração seguinte ( a minha) é rasca (rasa), terá de rever uma série de posturas em relação à sua forma déspota de exigir liberdade e democracia.Um pouco mais de doçura e escuta não faz mal e só faz muito bem.
A Piu
Brasil, 23/02/2017
Grândola Vila Morena
Zeca Afonso


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987), foi um cantor e compositor português. É também conhecido pelo diminutivo familiar de Zeca Afonso, apesar de nunca ter utilizado este nome artístico.