terça-feira, 7 de junho de 2016

PAULO FREIRE NÃO SAI DE MODA, PORQUE NÃO É UMA MODA E SIM UMA URGÊNCIA

" Pensar certo (...) demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interação dos fatos. (...) O pensar certo é dialógico e não polêmico. (...) Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. "
Freire, Paulo "Pedagogia da Autonomia, saberes necessários à prática educativa. Coleção Leitura, RJ: 2000


OSVALDO SIVIRA

Osvaldo já teria os seus 60 anos, mas aparentava ser mais novo. Um pouco mais novo, não muito, digamos. Dizem que os negros sempre aparentam ser mais novos...
Todos simulavam levá-lo a sério, mas de facto ele andava aos caídos. No final da semana era o momento que podia comer e beber sem se preocupar.
Osvaldo já pouco se questionava. Se o fizesse ficaria triste e indignado. E o que esperavam dele era alegria e bons momentos. Era essa a sua rotina: quebrar a rotina daqueles que não se preocupavam demasiado sobre o que iriam comer ou até mesmo onde dormir. Se no fundo sabia que isso não era justo, de não lhe darem a mão para sair daquela situação, por outro lado tentava convencer-se que ninguém tinha a obrigação de fazer algo por ele.
Tocava em noites de lua cheia, de quarto minguante, quarto crescente e mesmo quando a lua não se via. Osvaldo Sivira tocava na casa dos ricos e em botecos para os ricos darem aquele democratizada. Ele era como que a mascote. Uma mascote querida, mas carente de um abraço com o coração todo.
As festas iam até altas horas. Entre um " não posso ficar, moro em JassaNão!" e " viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar!" a madrugada ia entre olhares lânguidos e desejos embriagados, assim como risos despreocupados.
Osvaldo tocava, comia e bebia. Esse era o seu reconforto da semana. Assim que se punha a calcular no que se gastava numa só festa voltava ao seu violão para afugentar possíveis revoltas.
Nunca mais se ouviu falar de Osvaldo. Osvaldo Sivira voltara para as margens da margem da sua existência, porque lá encontraria tantos outros como ele. Cansara-se das festas regadas a cerveja e espetinhos de coração de galinha e coxinhas de mandioca com carne seca em que nas eventuais conversas a improdutividade do assunto sobre reforma agrária e imposto de renda era mais conversa de senhores que leem jornais e assistem tv mas não interpretam o entorno palpável. Mas mesmo assim Osvaldo Sivira sentia gratidão pelas madrugadas bem passadas e futilmente divertidas.
Ana Piu
Brasil, 06.06.2016

DIALÉTICAS

onde há luz há sombra
onde há sombra há água
onde há água também há pedra, nem que seja no fundo do mar
onde há fundo há distância até à superfície
onde há superfície há volume
o volume é consistência
a consistência é essência
na essência a sombra só existe porque há luz
Ana Piu
Br, 07.06.2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

COMO IDENTIFICAR UM MACHISTA

 


Por vezes @s machistas nem se questionam que o são. Isso pode acontecer pois como já o Pierre Bordieu o habitus é aquela base. A nasce e cresce num ambiente cujos valores se naturalizam independentemente da sua racionabilidade. A pessoa cresce a achar que pode desprezar o outro e que o outro é o seu cesto de lixo emocional, pois a visão de si mesmo é duma segurança tão insegura fruto da falta de Amor.

Muitas vezes a tendência é procurar a infelicidade ao invés da felicidade. Isso até pode ser inconsciente, mas essa tendência para o sombrio está lá. Não podemos nos deixar cair no canto da sereia! O Amor não é uma enfermaria para curar feridas sentimentais passadas. O Amor não é um placebo para as nossas carências afetivas. Por isso eu não curto o Tinder! O Tinder Surpresa. Sou antiquada. Pois sou. Mas o desafio de nos conhecermos pessoalmente sem máscaras é muito mais instigante e excitante também. Agora acampainha do fecho da biblioteca por motivos grevistas tocou. Tenho de ir! Mas quem é vivo sempre aparece!

Ana Piu
Brasil, 03.06.2016

APESAR DE TUDO ADORO VIVER NO BRASIL

Hoje comecei o dia a pensar qual o texto seguinte para dar continuidade à série ‪#‎NaoQuerSerMachista‬. Sobre aqueles machistas que chegam em pezinhos de lã tal qual Barba Azul em dias de nevoeiro ensolarado. Ah e pois que te dizem que somos o amor da sua vida e que muito nos admiram, para que à primeira oportunidade zás acham que podem pôr e dispôr do nosso tempo físico e mental. Achando que somos tod@s farinha do mesmo saco e que nivelar por baixo é mais fácil que nos admirarmos, respeitarmos e cuidarmos uns dos outros de verdade.
Mas eis se não quando recebo este elucidativo presente dum amigo tuga igualmente em terras brasileiras. Presente esse que é escrito pelo seu próprio punho. Amigo com quem celebrei no dia da minha defesa de mestrado o fim desse ciclo que mais parecia uma pedra no sapato da Cinderela. Brindamos os dois a nós e à vida e este ainda em jeito de provocação exclamou: "Para sermos explorados prefiro roubar!" Pois é, nós portugueses da geração do precariado que apesar de tudo tivemos acesso à educação e já viajamos por esse mundo somos assim! Somos da ala que viemos cutucar as oligarquias e outras ignorâncias inerentes à lógica das mesmas. Eu continuo a acreditar na força dos movimentos sociais e na escrita, assim como nas manifestações artísticas, como voz ativa no meio desta maluqueira toda. Nós os portugueses que não somos da ala dos colonizadores, tampouco dos imperialistas e até mesmo carreiristas.Aqui estamos. Viemos para ficar e cutucar! Seremos utópicos? Pode ser! Mas a vida sem aquela pitada de utopia fica insonsa. E aos sonsos e sonsas nós fazemos buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhh.
Eu Ana, nome comum como Maria, partilho deste jeito maneira o artigo do meu querido amigo Manuel a quem chamo de Manuelson, pois Manueis portugueses no Brasil há muitos. E uma abrasileirada na nossa identidade não faz mal nenhum. Por exemplo eu sou Ana com B. É algo diferenciado, digamos. B de buuuuuuuuuuuhhh e de bunda no chão quando a situação desbunda! ehehehe
Boa leitura acerca da situação dos acontecimentos sucedidos.
Grande Manuel! Aliás MANUELSON! Et buala! ( modo de dizer no norte de Portugal Et voilá! Também está bem!)
Ana Piu
Brasil 03.06.2016


quinta-feira, 2 de junho de 2016

COMO LIDAR COM UMA ATITUDE MACHISTA

Nem sempre é visível de primeira uma atitude e/ou postura machista. Quem está mais desavisad@ pode até ficar, por momentos, paralisado e recorrer a um valente beliscão no seu próprio braço para confirmar se tudo não passa dum sonho de mau gosto. A esta altura do campeonato ele há coisas que a alma tenta compreender, mas não compreende de todo. É que a queima dos sutiãs já foi há 48 anos atrás. E dos longuíssimos debates acerca da caducidade da instituição casamento assim como do eterno amor muita saliva e tinta já foram gastos, impulsionando alianças e divórcios de visões e escolhas.

Para todos os efeitos uma atitude machista é fruto duma enorme carência afetiva. Um(a) machista precisa é dum valente, sincero e empático abraço com muita dose do humor e amorosidade. Se esse recurso for viável temos em mãos, em braços e no peito a alegre esperança que todos nós nascemos com bom fundo mas que ao longo da vida precisamos de limá-lo.

Quando isso não é possível o melhor é mantermos a distância com firmeza, pois um(a) machista não passa de alguém que com arrogância recorre ao seu pequeno mundo de referências para tentar subjugar. Porque acha que tudo pode decidir, controlar, desprezar e exigir atenção quando assim quer.

A primeira coisa para lidar com tal situação é afinarmos o olhar, a escuta e não temermos fazer tudo por tudo para não nos deixarmos isolar. Um(a) machista sofre de cobardia e quando a sua tirania é exposta e divulgada este mete o rabinho entre as pernas, mesmo que tente caluniar, vitimizar-se, manipular com as suas mentiras e infantilices sofisticadas.

Muita luz e paz para tod@s nós!

Ana Piu
Brasil, 02.06.2016


Sensualista (Las Luces Primeras) Cuidarmos uns dos outros é como cuidar duma planta. E isso é revolucionário!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

POR NÓS TOD@S!

Hoje na minha terra natal é dia da criança. Hoje também na Praça da Figueira, nessa cidade que se chama Lisboa e que deixei para trás,mas que continua no coração haverá uma concentração em solidariedade ao caso no Rio de Janeiro da menina que foi estrupada por 30 monstros, porque de Homens nada têm. Há quatro anos que vivo no Brasil e a minha alma ainda continua aparvalhada, abobalhada como a sociedade brasileira reproduz diariamente, em pequenos detalhes muitas vezes inconscientes, o seu conservadorismo e machismo.
Eu vim para trabalhar e é muito, mas muito chato MESMO ter que muitas vezes ser clara com as minhas intenções e que não entro em joguinhos de lençóis com trabalho. Muito menos de vassalagem. Desculpem aqueles que assim estão habituados. Enfim, estamos no país em que uma grande maioria considera-se uma gostozice sem precedentes. E isso é uma granda bosta! Porque geram-se mal entendidos, ficando num cacarejar de galinhagem de parte a parte. Esse síndrome de gostozice é uma manifestação de machismo reproduzido tanto pelos homens como pelas mulheres. Obviamente que existem excepções à regra e eu quero conviver então com as excepções, cuja inocência da nossa criança livre e madura faça a diferença. Enfim, eu não quero ser machista e faço questão de manter distância dos e das machistas. Daqueles e daquelas que acham que o outro tem de aturar abusos de confiança. E isso não é Amor, muito menos respeito. Ai sai daqui que nem este corpo nem esta alma e espirito te pertencem! EU ADORO, ADMIRO E RESPEITO HOMENS COM E DE EMANCIPAÇÃO E MULHERES COM L DE LIBERDADE DE SEREM, DE TRABALHAREM E AMAREM SEM MERDINHAS INFANTILOIDES, IMATURIDADES SECULARES ‪#‎NaoqueroSerMachista‬
Ana Piu
Brasil, 01.06.2016