segunda-feira, 11 de maio de 2015

SER MÃE ( série dia das mães)


Ser mãe é nunca ter tido piolhos na vida e agora!... De vez em quando, eles visitam desde de lá até aqui.
Ser mãe é não pensar só em si e também não se esquecer que tem vida pópria. Que tem nome e que não passa a ser a mãe de fulaninha de tal.
Ser mãe é praticar o "estamos juntas!".
Ser mãe é contar com o que o que se tem e se é no momento, porque só faz falta quem está. Quem está, está. Quem não está estivesse.
Ser mãe é dar beijinhos e abraços e fazer cara feia quando é preciso e explicar o porquê.
É saber que quem gosta de nós gosta dos nossos filhos e o resto é converseta pendureta, blá blá para boi dormir.Ser mãe é ser mãe dos filhos biológicos e adotivos e não ser mãe dos parceiros amorosos. (amorosos!...ehehehe). Venham os libertários, sensiveis e open mind que a malta da minha turma está mais que mais cansada de perguntar ao Freud: "Porquê?!". Alê hop!
Ser mãe é muita fixe bacana, embora às vezes dê vontade de apertar o garganiço, quando depois de um dia longo e cansativo e ainda termos de aturar parvoices e dramas do caracácá.
Ser mãe é assumirmos que não somos perfeitas e que ser perfeito é só nos livros da Anita e isso é deveras assaz aborrecido, entediante, chato e irreal.
Ser mãe é crescermos juntas.
E isso é mais que demais!
Ana Piu
Br, 09.05.2015
foto: Lisboa, 2005 com a menina Flor.

ANITA MAMÃ (série dia das mães)


Ser Anita mamã é ser, de antemão uma mamã perfeita. O que muitas mamãs e vovós desejariam que as suas filhinhas e netinhas fossem.
Impecáveis, as Anitas mamãs montam os quartinhos dos seus petizes, muito antes destes nascerem. ( isso em mim dá cá uns atravancos. Uns chamarão superstição, mas cá no meu entender nada como ver a criança ao vivo e a cores com os pulmanitos a expirar, inspirar e berrar).
A Anita mamã dá muita importância ao pediatra. "Ai não vou poder fazer isto porque o pediatra disse que não convém."; " Ai não vou poder fazer aquilo porque não consegui falar com o pediatra." A decisão do pediatra, no caso, é decisiva para o desenvolvimento cognitivo, psico motor da criança moderna. Desse modo, uma criança hoje com 4 anos é facilmente considerada hiper ativa com déficit de atenção. Resultado: encharca-se a criança com calmantes e outros estupefacientes, iniciando-a assim ao consumo de drogas "legais".
Para a Anita mamã parece que a Humanidade não existe há milhares e milhares de anos. Começou a partir do momento que o seu ventre acolheu a sementinha da vida intra uterina.
Fala da sua cria como se ainda não tivesse cortado o cordão umbilical. Vejamos:"Ai o meu mais novo agora já "me" largou o bacio. Mas faz-"me" tudo pela casa. Estou aqui que nem posso!" Repare-se no "me" que vem sinalisado com aspas e no detalhe de ser o "seu mais novo" e não ser denominado pelo nome. Enfim, continuemos:
" Ai a minha anda-"me" a comer muito bem, desde que o pediatra receitou aquelas vitaminas. E o dentista já disse que quando os dentes de leite cairem vai ter de usar aparelho! Inevitável!"
Ser Anita mamã é também não deixar o pai da criança participar das tarefas, mas depois queixar-se que está exausta.
Ser Anita mamã é um assumir da idade adulta como se a vida tivesse parado. Uma espécie a.c (antes da criança eu vivia a minha vida e os meus sonhos e saía com os meus amigos) e d.c.(depois da criança sou Anita mamã).
Ser Anita mamã é uma mamã quase quase moderna, porém tradicional contemporânea.
Ser Anita mamã é tão perfeito que deve ser cá uma coisa filha da mãe ser filho da Anita mamã.
Ana Piu
Br, 10.05.2015

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CORPO MATÉRIA

Lera algures que quando se migra dum técnica para a outra ao inicio a sensação é de confusão. Assim era com as línguas, os costumes e outros modos de fazer,sentir, pensar e expressar.

 Deu um salto e linhas no espaço desenharam-se.

Ali estava num canto entre amigos imaginários que a inspiravam a continuar.

Num segundo imaginou uma sequência de passos que criariam linhas no espaço até à porta. Lá fora um espaço imenso a esperava.

Os amigos imaginários ficavam para trás, no canto da sala. Lá fora o chão era de terra. Corpo matéria entre outros corpos matéria nos seus quereres e desejos mais profundos.
Calma e tranquilamente.
Com energia


Ana Piu
Br, 08.05.2015

PROFESSORES, MÉDICOS DUMA SISTEMA CALHAMBEQUE

Pois... Quando são mais jovens, os intelectuais tais e tais, até acham graça ao marxismo, trotskismo e outros ismos, mas entre um ismo e um modismo o tradicionalismo "conservaduradouro" continua.

A suspensão esculhambou. O calhambeque está manco. Uma espécie de torre de Pisa. E o mecânico entre um orçamento e um entabular de conversa:
"Você viu o que está fazendo com os professores lá no sul? Batendo neles. E as redes sociais são uma coisa!... Pessoal falando que estão tratando os professores como tratam os sem terra! Comparar professores com os sem terra?!"
" Ninguém merece ser tratado desse jeito, seja professor seja sem terra.", digo eu...
" Professor é como médico..." Tem razão, mas!....Cof cof de rompante digo o que é mais forte que eu... wink emoticon "Mas médico quase de certeza que não é tratado assim. Os médicos são elite."
"Ah mas os professores deveriam ser tratados como elite!"
Não concordo mas se ficar ali o mecânico, que é uma profissão tão necessária assim como os que cultivam a terra, não vai cuidar do meu carro. E eu que tenho tanto que ler, escrever e agir nas minhas artes do viver das artes!... Que seria de nós sem arte, sem educação? Por isso as elites são dispensáveis mais as suas lógicas feudais. Muito dispensáveis mesmo.
Sim, o médico dos carros tem razão. Sem educação está tudo esculhambado, manco, como o meu calhambeque.
Brasil, 08.05.2015

Um intelectual respeitável, porque praticante da amorosidade que não rima com caridade e sim com solidariedade. É justo.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

NA ETERNIDADE CABE LÁ TODO O MUNDO

                                                        Pina Bausch 

E os dias ficaram claros e as estrelas que há milhares e milhares de anos desapareceram ainda continuavam a iluminar as noites escuras e de luar. Todo o mundo lá estava naquela dança ora suave, ora delirante. Todos os sentidos numa pele que já fora matéria, mas que ainda continuava a ser pele. Porque na eternidade cabe lá todo o mundo, mesmo as estrelas que há milhares e milhares de anos iluminam as noites de luar e as mais escuras teimam em iluminar o céu. Um céu estrelado é um céu cheio de seres vivos mas duma outra maneira.

Ana Piu
Brasil, 07.05.2015


quarta-feira, 6 de maio de 2015

 Dum lado está a Babilónia, do outro a Paleobabilónia. Se desviarmos o olhar e nos colocarmos entre montanhas podemos apreciar o sol derretendo-se atrás duma montanha para logo de seguida, mesmo do outro lado, a lua surgir gorda e amarelada. Nós somos o que olhamos e apreciamos, mesmo quando as nuvens passam pela frente do sol, parecendo que este tornou-se lua ou desapareceu. Tudo uma questão de esperar. O sol sempre está lá numa dança cósmica com a lua. Quanto à Babilónia e Paleobabilónia... Tudo invenção dos homens na ilusão de controlar o que não é para controlar, pois quem controla o espaço sideral? Quem? Ah! Num vem que num tem!

Ana Piu
Brasil, 06.05.2015



terça-feira, 5 de maio de 2015

OLHOS DE VER


Eu sempre fico muito impressionada quando do meu pequenito país à beira mar plantado atravesso os Pirineus e subo até aos nortes da Europa. E no meu idealismo romântico, entre uma bom selvagem e boa civilizada ( seja o que isso possa significar....) penso como quase toda a gente que vem dos países periféricos aos considerados desenvolvidos:" Que organizados! Como as coisas aqui funcionam! Porque é que todo o mundo não vive nesta harmonia social?"
Depois surge aquela frase do inspirador Eugenio Barba ( não o vou apresentar como mestre porque tenho algum temor de cair em seguidismos. E como quase todos sabemos o seguidismo cega): 'A Europa é um hotel de luxo medíocre."
Olhando de perto e à distância cheguei a uma conclusão que talvez muitos já tenham chegado: A velha Europa está cansada porque carece de auto consciência, de observação profunda de si mesma. Em suma, carece de espiritualidade.
Os europeus, duma maneira geral, tem um pensamento cartesiano. Compreende-se. Depois das instituições religiosas terem feito ao longo de séculos das suas as pessoas não estão para religiões. Mas não é disso que se trata a espiritualidade. Aliás, a espiritualidade está para a religião como os grandes ideais humanistas (que é espiritualidade) estão para os partidos.
As pirâmides egípcias lá estão até hoje para deleite das massas turísticas e para curiosidade de historiadores,arqueólogos e outros. Mas essas pirâmides foram feitas por quem? Por escravos. Os livros de história ilustram isso.
E a velha e civilizada (?) Europa tem sido construída, reconstruída e mantida por quem? Pelos países periféricos, os ditos em vias de desenvolvimento. É não é? Neo escravatura camuflada de democracia europeia.
Mas para que a coisa se mantenha do jeito que está, vertical e desigual, há sempre que favorecer alguns, normalmente uma massa que se deseja critica e até se considera critica. Hoje a Angela Merkel favorece o seu povo alemão com o discurso que é anti nazi, que a história não poderá repetir-se. Porém....
Fechar os olhos para observar ou fechar os olhos por que não se quer ver há um fosso tão grande como a distância que vai duma favela a um condomínio fechado.
Ana Piu
Brasil, 05.05.2015