Os dias nem são fáceis nem difíceis. Uns dias mais fáceis, outros mais difíceis. Muitas vezes dificultamos a vida uns aos outros porque achamos que assim é que deve ser. Fugimos da simplicidade como se ela não fosse profunda, como se a simplicidade não fosse aquele traço que abarca complexidades, paletas de mil fatores para que o mundo não se encerre no nosso ponto de vista, não se encerre no nosso circuito de vivências, nas nossas ideias preconcebidas até mesmo de que não somos preconceituosos. Quantas vezes o nosso preconceito é alegar que não somos preconceituosos?
Porém, quando os nossos alicerces, aquilo que achávamos como quase certo começa a ruir tentamos sorrir e fingir que não se passa nada. Sofisticadamente encontramos nomes, conceitos, conjecturas tais para pensar o que outros, até mesmo alguns de nós em algumas circunstâncias, sofrem na pele.
Ontem, José Eduardo Soares deu uma aula de Antropologia inaugural. É interessante escutar pessoas que expõem ideias com clareza e despojamento, que não precisam de afirmar que são, porque já são. É bom, até diria delicioso, escutar uma pessoa erudita que sorri e tem humor. Tantas vezes isso é raro que quando acontece é como uma lufada de ar fresco. Não será o humor é uma capacidade que não se ensina, mas que se aprende e exercita-se que revela inteligência emocional? Uma coisa, entre muitas, que foi marcante na sua fala e que é para levar bem guardado no cérebro, no coração e em todo e qual parte do corpo alma que reproduza e manifeste inteligência foi a seguinte: "Quando alguém aponta uma arma está estendendo uma mão. Estender uma mão é um pedido de socorro, de empatia, um pedido de reconhecimento pela sua existência. Tirando aqueles que a usam tecnicamente." Interessante, não? Quando alguém não é inserido, reconhecido, logo violentado muitas vezes procura mecanismo desajeitados para chamar a atenção. Dá que pensar quanto a nós, atores sociais, como nos colocamos. Será que muitas vezes não agredimos, mesmo que involuntariamente? Será que quando alguém nos tenta agredir a nossa resposta pode ser mais empática? Manter a calma é um desafio, reagir é uma prática. Enfim... Ser e estar aprende-se com a vida vivida.
Nessa aula cujo o titulo era :" Escravo, xamã, parangolé e rolezinho: escrever o social depois de Junho na primeira pessoa" falou-se também da luta dos garis. Pois... Quem limpa o "nosso' lixo se esse pessoal pára?
No debate final falou-se com algum tom de preocupação que jornais internacionais europeus cobriam a noticia dos garis (homens do lixo em greve no Rio de Janeiro) que no Brasil a escravatura ainda vigora! Claro que vigora! Qual é a dúvida? Os gringos não dormem, por vezes sonham com o trópicos, mas a escravatura, a segregação, a homofobia, o machismo está à vista de todos. Ou não? Ou quem se desloca de helicóptero não olha pela janela enquanto lê a Time e o Le Monde Diplomatique? E quando chega a casa bebe um suco de laranja servido por alguém e toma um banho no seu jacuzzi de sorriso cansado, porque amanhã é mais um dia de reuniões e escritório? Ou andamos tão preocupados com a nossa vida o nosso futuro individual que esquecemos voluntaria ou involuntariamente de olhar para o que nos rodeia e interagir?
O professor José Eduardo dos Santos ainda afirmou a uma dada altura que muitas vezes as pessoas que não são acadêmicas sabem mais do que se passa na vida social. Sim. Não? Talvez? Qual é a dúvida?
Ana Piu
Brasil, 13.3.2014
De origem germânica achtung! servia como interjeção chamativa para perigos e paisagens deslumbrantes. Mais a norte, nos países escandinávos,ACHTUNG!! é considerado o espirro oficial dos vikings. Em terras lusas utiliza-se a expressão "Arre!!" quando alguém está arreliado. "Arretung!" é uma espécie de grito de guerra dos trabalhadores da classe precária, que desunidos nunca vencerão.
quinta-feira, 13 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
O KISPO, O CASACO VINTAGE, O CAPUCHINHO VERDE COM AS SUAS BOTAS ORTOPÉDICAS
Do lado esquerdo está o mano velho com o seu Kispo bestial. Sim! Porque um Anorak não é resistente aos dias invernosos madrilenos. No meio está a mãe Bia com um casaquinho, pá! que se eu o visse agora no armário faria o mair sucesso nas noites frias de Buenos Aires e até mesmo de São Paulo! Grande estilo! Gosto das golas! Depois estou eu com aquela capinha verde que durou anos até chegar à cintura. Um ponche e peras! Já as botas... ortopédicas... Fizesse chuva, sol, calor, Verão, Inverno... Enfim... Acho que depois desse calvário nunca me habituei a toda e qualquer coisa que fosse ortopédica!!!... Já não falando daquele aparelho para os dentes cuja fala saia cuspida...
Esta foto data de 1979. Madrid. Penso que foi a minha primeira saída ao estrangeiro. Memorável. Ficamos vidrados, eu e aquele ali do Kispo, colados numa vitrine a olhar para uma tv color! Não desgrudávamos tal era o entusiasmo! Também comi pela primeira vez yogurtes da Danone e recebia cromos em troca, cromos do Ursinho Jackie. A Fanta e a Coca Cola também era um" tu cá tu lá" nunca antes visto. Enfim, o consumo galopava em Espanha muito, mas muito mais que no Portugalito. "Nós" somos sempre os últimos, mas depois não nos ficamos atrás! Temos os maiores shoppings da Europa e uma árvore de Natal muitaaaa grande que se vê via satélite!
Hoje penso que curto mesmo é o calor! Em todos os lugares do mundo há maluqueiras, a vida e a morte convivem de perto. Na Colombia o cidadão comum tem de levar com as maluqeiras dos narcotráficos e outras indústrias de armamento financiadas pelos Big Brothers, na Dinamarca entre a plataforma e a linha do metro tem uma uma parede fibra de vidro para as pessoas não se suicidarem ali, no Brasil a desigualdade é tão grande que o perigo espreita em cada esquina ora das forças da autoridade ou ora pelo segregado, em Portugal algumas pessoas morrem aos poucos num slogan "No future", em Paris quando lá vivi a linha de metro para minha casa foi alvo de atentado bombista. Naquele dia e naquela hora tinha ido ao cinema, caso contrário não estava aqui a escrever estas babozeiras.
Enfim, não temer viver! Não temer aceitar que mais tarde ou mais cedo voamos para o espaço sideral. Enquanto isso aproveitemos para aquecer alma com Kispos, com casacos vintage, com folhas verdes de bananeira com abraços sinceros. E mais! Não esquecermos que podemos ser muito bacanas sem sermos bananas! Bananas no sentido de andar por cá só por andar. Porque andar por cá é muita boooom!
Pipiripipiu
Brasil, 11.3.2014
A BELEZA DAS MULHERES E DOS HOMENS (acerca dos dias internacionais das pessoas)
Há muitas mulheres bonitas
homens também há
há homens e mulheres bonitas por dentro e por fora
há quem se fixe na boniteza exterior e se esqueça de alimentar o interior
há quem guarde a sua beleza como um diamante dentro de um cacto
só acede quem está disposto a abrir caminho entre os espinhos e se surpreender
há quem transborde beleza interior que a exterior rende-se à sua insignificância
andamos muito preocupadas e preocupados em competir com uns e com outros que perdemos a oportunidade de sermos mais competentes entre nós
muitas vezes trocamos solidariedade por rivalidade
assim como preferimos a mentira à verdade
a obscuridade à transparência
ser livre é ser transparente?
ser transparente é deixarmos-nos afetar pelas outras belezas
já agora interiores?
ser livre é então libertarmos-nos do nosso ego.
não?
obter conhecimento é conhecermos quem somos?
Ana Piu
Brasil, 8.3.2014
ALGUMAS PERGUNTAS QUESTIONÁVEIS
Uma mulher é punk quando é o que é e já está?
É punk porque reativa?
Reage e isso não é suposto.
O que é suposto é sentir-se amada pela sua aparência, porque a sua essência até poderá ser admirável mas apresenta perigo?
Uma mulher punk deve ser queimada na fogueira como as bruxas da Idade Média?
A mulher que não compete com as outras mulheres nem homens por momentos de êxtase e de felicidade empacotadas é menos mulher, é menos ser humano?
Uma mulher que se solidariza-se com as outras mulheres e homens que desejam o que ela mesmo deseja é ingénua? É babaca? É parva? É utópica?
Uma mulher que orienta a sua sexualidade e a sua vida como muito bem entender é frígida? Porque não sabe o que é BOOOOOOM!
Então que sejamos frígidas e frígidos até que um ou vários abraços quentes, calorosos, amigáveis,companheiros aqueçam as mulheres e os homens que se engasgam com a mentira.
A na piU
Br,8.3.2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
O QUE FAZEMOS QUANDO PENSAMOS EM SEXUALIDADE
O QUE FAZEMOS QUANDO PENSAMOS EM SEXUALIDADE
Amanhã é dia Internacional da Mulher. A dia 8 de Março de 1917 mulheres russas manifestavam-se contra a entrada da Rússia Czarista na Primeira Grande guerra e por melhores condições de vida e t...rabalho. Um dado que desconhecia e que passei a conhecer no google amigo.
Este Maio faz 46 anos que o Maio de 68 apontou para uma viragem na página da História.
Até que ponto viramos a página?
Até que ponto conseguimos virar a página?
Até que ponto aprendemos com a História ou simplesmente esquecemos os seus contornos, tornando-os algo difuso, algo distante e quase inexistente?
Até que ponto é que desejamos sermos vistos como heróis e heroínas em tempos de obscuridade?
Até que tempo temos a coragem de sermos quem somos, de errar, rectificar e continuar sem fazer dos outros seres desprezíveis?
Até que ponto estamos dispostos e dispostas a tratarmos-nos de igual a para igual?
Não foi assim há tanto tempo 1917, muito menos 1968. O que desconhecemos? O que nos esquecemos de nos lembrar na hora de agir e de nos relacionarmos?
Há uns 14 anos atrás tive a oportunidade de viajar pelo Brasil quase todo. Falo quase, porque o Brasil é imenso e diverso, assim como as pessoas que nele habitam. Do Amazonas até ao Paraná tem gente de diversas cores, tamanhos, feitios, ambições e modos de se relacionar. Há 14 anos atrás cruzei-me com alguns viajantes de estrada, malucos beleza, artesões. Uma experiência inesquecível do que é viver "à margem", de forma alternativa onde os laços de solidariedade são efetivos. Porém algo foi bastante marcante nesse encontro e viagem. O machismo, o modo pouco respeituoso e até mesmo violento dos malucos tratarem as suas namoradas, companheiras e amantes é constrangedor, revoltante. Nessa hora a paz e o amor passa a ser uma bandeira irónica para tanta maluquez insana. Maluquez essa que contemplava os machos de se envolverem com esta, outra e mais outra, mas há minima suspeita muitas vezes imaginada que as suas meninas, mulheres ficassem com alguém era motivo de violência psicológica e física.
Olho para o meu caderno de anotações e transcrevo para este texto:
O que é sexo de qualidade?
Existe sexo sem amor?
Amor e afeto são a mesma coisa?
Sexo sem afeto tem qualidade?
Deixo este texto em suspenso para voltar mais tarde a ele na esperança de escutar outras vozes. Deixo o texto em suspenso, ainda por escrever porque a nossa História também ainda está por escrever nas nossas mudanças de comportamento, no nosso modo de nos relacionarmos, nesse grande desafio que é gerir a nossa auto estima e estarmos realmente atentos uns aos outros.
dog shave the queen
um dia seremos mais, eu bem sei
A Na Piu
Brasil, 7.3.2014
Amanhã é dia Internacional da Mulher. A dia 8 de Março de 1917 mulheres russas manifestavam-se contra a entrada da Rússia Czarista na Primeira Grande guerra e por melhores condições de vida e t...rabalho. Um dado que desconhecia e que passei a conhecer no google amigo.
Este Maio faz 46 anos que o Maio de 68 apontou para uma viragem na página da História.
Até que ponto viramos a página?
Até que ponto conseguimos virar a página?
Até que ponto aprendemos com a História ou simplesmente esquecemos os seus contornos, tornando-os algo difuso, algo distante e quase inexistente?
Até que ponto é que desejamos sermos vistos como heróis e heroínas em tempos de obscuridade?
Até que tempo temos a coragem de sermos quem somos, de errar, rectificar e continuar sem fazer dos outros seres desprezíveis?
Até que ponto estamos dispostos e dispostas a tratarmos-nos de igual a para igual?
Não foi assim há tanto tempo 1917, muito menos 1968. O que desconhecemos? O que nos esquecemos de nos lembrar na hora de agir e de nos relacionarmos?
Há uns 14 anos atrás tive a oportunidade de viajar pelo Brasil quase todo. Falo quase, porque o Brasil é imenso e diverso, assim como as pessoas que nele habitam. Do Amazonas até ao Paraná tem gente de diversas cores, tamanhos, feitios, ambições e modos de se relacionar. Há 14 anos atrás cruzei-me com alguns viajantes de estrada, malucos beleza, artesões. Uma experiência inesquecível do que é viver "à margem", de forma alternativa onde os laços de solidariedade são efetivos. Porém algo foi bastante marcante nesse encontro e viagem. O machismo, o modo pouco respeituoso e até mesmo violento dos malucos tratarem as suas namoradas, companheiras e amantes é constrangedor, revoltante. Nessa hora a paz e o amor passa a ser uma bandeira irónica para tanta maluquez insana. Maluquez essa que contemplava os machos de se envolverem com esta, outra e mais outra, mas há minima suspeita muitas vezes imaginada que as suas meninas, mulheres ficassem com alguém era motivo de violência psicológica e física.
Olho para o meu caderno de anotações e transcrevo para este texto:
O que é sexo de qualidade?
Existe sexo sem amor?
Amor e afeto são a mesma coisa?
Sexo sem afeto tem qualidade?
Deixo este texto em suspenso para voltar mais tarde a ele na esperança de escutar outras vozes. Deixo o texto em suspenso, ainda por escrever porque a nossa História também ainda está por escrever nas nossas mudanças de comportamento, no nosso modo de nos relacionarmos, nesse grande desafio que é gerir a nossa auto estima e estarmos realmente atentos uns aos outros.
dog shave the queen
um dia seremos mais, eu bem sei
A Na Piu
Brasil, 7.3.2014
DIÁRIO DE BORDO DUMA GRINGA E OUTRAS MEMÓRIAS
Hoje acordei com uma imagem na cabeça. Uma foto a preto e branco no mato de Cabinda, Angola. A foto é de 1972. É uma foto com crianças de uma escola. Meia dúzia delas branquelas e as restantes,... que são muitas, negritas. No meio dessa criançada está a minha tia. É a professora primária de 20 e pouquinhos anos. Está-se em plena guerra colonial. Ela foi, de Portugal, para acompanhar o marido que foi recrutado para tal façanha. Corajosa tia. Ela e o filho de 2 anos.
Lembro-me, anos mais tarde, da minha tia falar que o que não estava de acordo não poder falar. E o que não estava de acordo tinha que ver com o tratamento que o colono dava aos nativos. Pudera! Além de se viver ainda no colonialismo, vivia-se no fascismo... Toda e qualquer opinião e posicionamento era subversivo e sofria-se retaliações nefastas.
Hoje esfolheio um livro cheio de fotos e textos. "Memória do SPI, textos, imagens e documentos sobre o serviço de proteção aos Índios (1910-1967)". Tem fotos de evangelização, de "pacificação dos indios", e de continências várias.
Confirma-se que o projeto colonial continua em curso.
A primeira vez que conheci pessoalmente um índio e um antropólogo foi em 1999 durante uma turnê/digressão de teatro pelo Matogrosso. Lá em Cuiabá conheci o Vitor da aldeia Bacairi. As suas palavras marcaram-me definitivamente:" Estudo antropologia, sou antropólogo porque quero que o meu povo tenha voz. Preciso de conhecer as armas do branco, neste caso as intelectuais, as argumentativas."
Uns dias mais tarde viajamos para a aldeia Bacairi para apresentar o espetáculo. Sinto que a nossa visita foi fugaz, distante. Talvez os índios daquela aldeia estejam cansados de serem visitados pelos brancos. "Toleram-nos", mas os dois dias da nossa estadia não são suficientes para um contacto mais aprofundado. Claro!
Dormimos numa escola jesuita abandonada.
Os índios estão abandonados?
Olho as fotos do livro mais as suas legendas e penso: "Deixem esse pessoal em paz! Qual proteção, qual quê? Deixem-nos em paz! O Brasil é grande, há lugar para todos!" Pensamentos ingénuos os meus. Há muitos interesses nos recursos naturais e para muitos índio não tem alma... É ocioso... Quanto a esse tema do ócio fica para outro texto.
Ontem, alguém me pergunta se se fala português em Portugal. Já não é primeira vez que me perguntam isto.
As perguntas que me faço é:"Quem somos se desconhecemos a nossa História? Quem somos se não nos responsabilizamos Históricamente para pensar e agir no presente?"
a A na Piu
brasil, 7.3.2014
foto retirada em http://uipi.com.br/noticias/politica/2013/11/26/governo-anuncia-construcao-de-120-escolas-indigenas/
quinta-feira, 6 de março de 2014
E AÍ, GATINHA?
Ao escrever este título mesmo, mesmo agora por lapso escrevi gatunha. Renhauuuuu! A gata que se usa da unha. Pois, aviso já que alguns de entre nós se sentirão unhados. Até eu, eventualmente, me sentirei unhada. Mas bora lá! Que se o Carnaval é pura ilusão, merece pelo menos alguma reflexão.
Dizem que quando é Carnaval ninguém leva a mal. Que pode tudo! Eu cá acho, eu também acho muita coisa, que pode quase quase tudo desde que ambas as partes concordem. O pessoal beija a boca de quem não devia. Se se arrepende ou não no dia seguinte isso já é com cada um.
Ora no segundo dia de folia começa na Vila São João que lembra o bairro da Pipi das Meias Altas mas em versão tropical e segue até à Praça do Coco. As palhaças e os palhaços combinaram sair à rua. Na verdade, depois de duas semanas intensas de oficina tanto de mulheres palhaças como de Labirintos Urbanos apetece-me relaxa e ser simplesmente eu na folia. De vez em quando coloco o nariz vermelho para brincar, mas quando sou eu no meu corpo que não extra cotidiano tiro o nariz.
Estamos num grupinho de mulheres, de vez em quando e por acaso até. Que quanto a mim andar na folia é ir e voltar, sou selvagem demais para estar sempre em grupo. Porém é bom reencontrar o grupo. Como tudo na vida.
Um grupo de uns 3 ou quatro jovens rapazes acercam-se de nós, de mim e de uma amiga, ou eu acerco-me deles. Já não lembro. A conversa entre nós não é sim nem não. É nim. Sem problema! Estamos na folia!
A uma dada altura os jovens de 20 e poucos anos retiram-se ligeiramente ao que parece combinam quem fica com quem. Aproximam-se de olhar brilhante e sorriso cúmplice entre eles. "Aiiiiii santa Engrácia da Aparecida do Axé do Murungá Cum Escamartilhãoooooo! Qu'esta m..... ? Moçalhada, prontus!" Nem dá luta! Aiiii! Por favor! Pensam o quê? Que é estalar os dedos e bora lá que se faz tarde! Aiiii! Amigos, conhecidos, eventuais leitores desconhecidos as coisas não funcionam assim! Se há quem curte ser carne para canhão força!
Enfim, nem falámos mais e eu acho que involuntariamente um sorriso cinico estampam-se-me no rosto e afasto-me. Pensando bem aquele pessoal podia ser meu filho. Vixeee má ria! Mas isso num é pruglema! A sedução e o amor não escolhe idades. Ah pois! Sim! Porque tem muito maduro por aí que ainda não amudereceu. Acha que não precisa de tratar bem o seu "objeto" de amor, que ao invés de valorizar desvaloriza assim que acha que ganha um pouco mais de confiança, faz do ciúme um joguete de sedução. Eh pá! Quanto à parte que me toca considero deprimente disputar homens com outras mulheres ou até mesmo com outros homens. Não considero as pessoas como troféus, muito menos bibelôs. Na verdade, verdadinha já cheira a alho tanta virilidade mal canalisada, tanto macho latinidade fora de prazo. Não dá para se acavalheirarem um cadinho e já agora não dar razão ao Vinicius quando ele canta:"que quem não vai porque tem medo de sofrer, porque a vida só se dá para quem se deu, para quem amou, para quem chorou, para quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não!"?
Quanto ao sofrimento aqui a Doroteia Verborreia coloca algumas reticências. Que sofrimento? Gratuito não! Podemos até sentir achaques de saudade da ausência do ser amado. Mas a Doroteia Verborreia considera que podemos nos poupar uns aos outros no sofrimento e realmente nos entregarmos. E Brutus e Popeys do meu coração o pessoal cansou de fazer o papel de Olivias Palito. Caso contrário, mais vale só que mal acompanhad@s. Num é mesmo?
pipiripipiu
Ana Piu
Brasil, 6.3.2014
Dizem que quando é Carnaval ninguém leva a mal. Que pode tudo! Eu cá acho, eu também acho muita coisa, que pode quase quase tudo desde que ambas as partes concordem. O pessoal beija a boca de quem não devia. Se se arrepende ou não no dia seguinte isso já é com cada um.
Ora no segundo dia de folia começa na Vila São João que lembra o bairro da Pipi das Meias Altas mas em versão tropical e segue até à Praça do Coco. As palhaças e os palhaços combinaram sair à rua. Na verdade, depois de duas semanas intensas de oficina tanto de mulheres palhaças como de Labirintos Urbanos apetece-me relaxa e ser simplesmente eu na folia. De vez em quando coloco o nariz vermelho para brincar, mas quando sou eu no meu corpo que não extra cotidiano tiro o nariz.
Estamos num grupinho de mulheres, de vez em quando e por acaso até. Que quanto a mim andar na folia é ir e voltar, sou selvagem demais para estar sempre em grupo. Porém é bom reencontrar o grupo. Como tudo na vida.
Um grupo de uns 3 ou quatro jovens rapazes acercam-se de nós, de mim e de uma amiga, ou eu acerco-me deles. Já não lembro. A conversa entre nós não é sim nem não. É nim. Sem problema! Estamos na folia!
A uma dada altura os jovens de 20 e poucos anos retiram-se ligeiramente ao que parece combinam quem fica com quem. Aproximam-se de olhar brilhante e sorriso cúmplice entre eles. "Aiiiiii santa Engrácia da Aparecida do Axé do Murungá Cum Escamartilhãoooooo! Qu'esta m..... ? Moçalhada, prontus!" Nem dá luta! Aiiii! Por favor! Pensam o quê? Que é estalar os dedos e bora lá que se faz tarde! Aiiii! Amigos, conhecidos, eventuais leitores desconhecidos as coisas não funcionam assim! Se há quem curte ser carne para canhão força!
Enfim, nem falámos mais e eu acho que involuntariamente um sorriso cinico estampam-se-me no rosto e afasto-me. Pensando bem aquele pessoal podia ser meu filho. Vixeee má ria! Mas isso num é pruglema! A sedução e o amor não escolhe idades. Ah pois! Sim! Porque tem muito maduro por aí que ainda não amudereceu. Acha que não precisa de tratar bem o seu "objeto" de amor, que ao invés de valorizar desvaloriza assim que acha que ganha um pouco mais de confiança, faz do ciúme um joguete de sedução. Eh pá! Quanto à parte que me toca considero deprimente disputar homens com outras mulheres ou até mesmo com outros homens. Não considero as pessoas como troféus, muito menos bibelôs. Na verdade, verdadinha já cheira a alho tanta virilidade mal canalisada, tanto macho latinidade fora de prazo. Não dá para se acavalheirarem um cadinho e já agora não dar razão ao Vinicius quando ele canta:"que quem não vai porque tem medo de sofrer, porque a vida só se dá para quem se deu, para quem amou, para quem chorou, para quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não!"?
Quanto ao sofrimento aqui a Doroteia Verborreia coloca algumas reticências. Que sofrimento? Gratuito não! Podemos até sentir achaques de saudade da ausência do ser amado. Mas a Doroteia Verborreia considera que podemos nos poupar uns aos outros no sofrimento e realmente nos entregarmos. E Brutus e Popeys do meu coração o pessoal cansou de fazer o papel de Olivias Palito. Caso contrário, mais vale só que mal acompanhad@s. Num é mesmo?
pipiripipiu
Ana Piu
Brasil, 6.3.2014
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