quarta-feira, 5 de março de 2014

ORA ISTO AQUI ESTÁ MUITO BOM, ISTO AQUI ESTÁ BOM DEMAIS. ORA QUEM QUISER PODE ENTRAR, MAS QUEM ESTÁ DENTRO NÃO SAI. POIS É! (bis)



  Escrevo um titulo comprido para um fim de semana prolongado cheio de emoções contraditórias e em sintonia. P...enso no que quero escrever enquanto cozinho. Penso nas minhas leituras fugazes dos livros que foram deixados na minha casa enquanto a minha amiga, que faz o mestrado sobre a ditadura militar, se presta a ir para campo.

Penso no que quero escrever sem ser demasiado extensa. (?!) Descubro passado uns minutos que frito as batatas com vinagre. Além de não costumar fritar batatas, não costumo ter vinagre em casa. Penso numa passagem de um dos livros editados pela universidade onde me encontro. Passagem essa que tem a ver com o movimento feminista brasileiro dUrante o Maio de 68, numa França onde as faxineiras são para uma elite, logo as feministas francesas lavam os seus pratos e fritam, talvez, batatas com vinagre enquanto pensam nos seus pensamentos que desejam partilhar.Desta vez não me alongo sobre esse assunto. Adiante.

Gosto sinceramente do Brasil. Queria entitular este texto de:
"O Brasil é paraíso a mais para ser realmente paraíso. Há sempre alguém que quer o paraíso só para si".

O Brasil, de maneira geral, tem um clima realmente gostoso. Um previlégio. Se sorrirmos as coisas de alguma forma facilitam-se. Muitas vezes não sorriu por fora, mas sorriu por dentro. Muitas vezes não tenho vontade nenhuma de sorrir. Talvez perca com isso. Não sei. Mas a minha verdade sei que não a perco e isso faz-me sorrir.

Mesmo tendo vontade de chorar vou para o Carnaval. No segundo dia de folia recebo a derradeira noticia que eu tanto temia e esperava há anos: a minha grande mãe partiu. Vou para o bloco. Assim que escuto os batuques sai um "Aaaaaahhhhh" do fundo de mim. O Brasil sem batuques, sem africanidade não seria a mesma coisa. Não seria. Logo a seguir as lágrimas caem não lembro se olho para cima ou para baixo e falo dentro de mim: "Estas batucadas são em homenagem a ti, minha querida grande mãe. Sei que não me vais levar a mal da vida continuar. Assim sei. Quero te muito bem e toda e qualquer música que me faz vibrar será para te enviar boa energia, querida grande mãe!"

No dia seguinte voltamos para o bloco. Gosto de Barão. As meninas estão cansadas e voltamos mais cedo para casa. Mais tarde a policia militar atua sobre os foliões com bastonadas e gás lacrimogénio. Diz-se que o pessoal do funki, os funkeiros não tem autorização para se juntarem à festa, muito menos com a sua música. Pessoalmente não aprecio a sua música, porém festa é festa. Autorização para festa é mais uma burocracia, mecanismo de control com resquicios ditatoriais.

Desta não me vou estender demasiado, porém não posso deixar passar a oportunidade de dizer: quando vem com a conversa que a burocracia brasileira é herança dos portugueses... Xina maaaan! Bora lá combinar! Das duas uma ou estamos a brincar à cabra cega ou ao esconde esconde, que na minha santa (?) terrinha denomina-se por escondidas. Bora lá olhar para o século XX e confirmar que foi pautado pela ditadura "uma no cravo outra na ferradura" do Getúlio Vargas", mais a silenciada verdade da mais recente ditadura militar.E convenhamos! O portuga colono já saiu daqui há 200 anos! Não vem que não tem! Aaaaaahhhh! Queres ver que tenho que ajustar contas com os romanos que imperaram as terras lusas há uns bons séculos atrás ou até mesmo com os mouros, mais os espanhois assim como com os franceses napoleónicos que invadiram o Portugalito?!? Vááááá! Vamos nos concentrar!

Enfim, não me vou alongar mais. Deixo aqui um trecho do Mia Couto para rematar esta fala, na sequência da ação da PM no Barão folião a uma população que ao que consta ainda se insurgiu contra os funkeiros, os pobres, os bagunçeiros, aqueles que são fruto da maior violência. Violência essa que é sentirem na pele a desigualdade social no seu dia a dia (mas atenção! estas minhas palavras para muitos podem soar panfletárias. Curioso pensar de que lugar nos encontramos quando pensamos e agimos de determinada forma). Lá vai trecho do Mia:

Há um jovem sociólogo moçambicano, chamado Patrício Langa que escreveu o seguinte:"Ninguém é mais ou menos moçambicano por tocar aquilo que toca.Todos nos podemos moçambicanar no que fazemos, todos podemos moçambicanar o que fazemos. A música não é uma excepção. Não suportaria viver num país em que se escutasse apenas a música de José Mucavale, por mais moçambicana, moral, politicamente correcta que fosse, por mais educada e etnomusical que fosse. Tenho verdadeira fobia da pretensão do que se apresenta como "genuíno" ou como "autêntico". Foi essa pretensão que criou os nazismos, foi essa pretensão que Mobutus com suas ideias de autenticidade africana. Não queremos mais produtores de identidades assassinas" (Mia Couto "E se Obama fosse africano e outras interinvenções", Caminho, Lisboa: 2009)

Pipiripipiu
Ana Piu
Brasil, 5.3.2014
 
 

terça-feira, 4 de março de 2014

E DEPOIS DE NÓS?



Enquanto mordisco um pãozinho de queijo crocante e preparo-me para pedalar penso:" Caramba! A minha mais remota memória de infância é mudarem-me a fralda, naquele tempo das fraldas de pano com o respectivo alfinete de ama."... Tenho a memória do sol entrar pelo quarto de paredes cor de rosa bebé e a minha mãe ou a minha avó segurarem-me as pernas, e quando estava doente falarem de mim denominando-me por "menina". Vamos pensar que usei fraldas até aos dois anos, não é?

Ter quem cuide de nós marca quem somos, penso.Cuidarmos dos outros é igualmente marcante.

A Nina pergunta se a avó foi ter com Deus. Respondo que depende. Se ela acreditar nele ela não vai ter, ela já está com ele.

Falo para a membra da minha recente familia que eu acredito mais nas energias que circulam por aí , entre nós e o cosmos. Somos energia. Não lhe falo desta vez o porquê da minha espiritualidade não permitir apoiar instituições como a Igreja Católica, das suas atrocidades cometidas durante séculos feudais, inquisitórios, industriais onde em nome da crença das pessoas exercem um poder nefasto que não posso apoiar (com todo o respeito por quem é crente de coração).

Olho para a Nina e para a Flor e penso nestas novas gerações, incluindo a minha, que não tem filhos. Como serão as suas velhices? Não tenho filhas somente para cuidarem de mim na velhice, mas oxalá não se esqueçam de mim. Vou fazer por isso, apesar de já ser um tanto ou quanto rabuja, resmungona.

Estou triste e aliviada da a avó ter ido. Chegava a ser "cómico" ela zangar-se com a vida por ainda andar por cá. Isso dá que pensar quando as pessoas já não querem mais viver porque estão em sofrimento, porque o seu eventual prazer em viver se esvaiu.

Talvez esteja com Deus ou com os seus, a minha alentejanita meio cristã, meio laica. A minha grandmother, a minha grande mãe que me mudou a fralda e aturava as minhas maluqueiras e a de muitos outros.

De uma coisa tenho a certeza! A minha grande mãe está dentro do meu coração, que dentro do meu corpo que está onde existe uma alma que se conecta com o chão e se expande no espaço sideral.

Ana
Brasil, 4.2.2014
 
 

segunda-feira, 3 de março de 2014

ADULTO CRIANÇA

"Um adulto criativo é uma criança que sobreviveu"

Uma criança criativa é alguém que é estimulada para crescer.
É bom sorrir mesmo quando nos fazem caretas.
É bom sorrirem-nos mesmo quando somos caretas.
É bom sorrir mansamente quando os ta...mbores tocam, relembrando-nos da batida do coração

É bom ser adulto criança
Criança e adulto
e sorrir
sorrir para a vida
sorrir para os nãos
para as conquistas e frustrações

É bom sorrir mesmo quando nos sentimos uns caretas
e a vida faz nos caretas
e somos "obrigados" a dar piruetas

É bom estar cá
estar aqui

a piu
Br, 3.3.2014

 
 
OBS: encontrei estes sinónimos para survecu, pois não estava segura da minha tradução. gostei dos sinónimos que encontrei: survécu : 9 synonymes.
Synonymes continué, demeuré, persisté, résisté, resté, s'étant éternisé, subsisté, surnagé, traîné.
 
 

PERMITIR-NOS SER


humildade não é o mesmo que submissão
humildade é sabermos intimamente que não somos mais que os outros e que intimamente podemos ser melhores para nós e para os outros
nós e os outros
os outros e nós
humildade é sabermos de onde nós vamos e sabermos quem somos e o que poderemos vir a ser
insubmissão é sabermos que somos donos da nossa história e que esta história tem surpresas boas, menos boas,assim assim e assim vivermos gratos por saber que existe principio, meio, fim e novamente meio, principio, meio, fim
como uma espiral
humildade é estarmos dispostos a essa louca espiral
humildade é não aceitarmos ser submissos
permitirmos-nos ser
estar
ir
voltar
ser várias coisas e uma
ser o que intimamente sabemos que somos
nem mais nem menos que os demais
superando-nos
em espiral

a na Piu
Brasil, 4.3.2014




ALMA MATER

A Rosarinha partiu. A minha querida avó segue o seu caminho nesta nossa passagem por cá, cheia de encontros, desencontros, partidas, chegadas. Obrigada minha querida avó por teres me passado principios éticos que considero fundamentais, mui...tos deles começados por H: humildade, honestidade, humanismo, palavra de honra (compromisso).

Que descanses em paz, com muita paz. E se existir uma continuidade nesta nossa existência que voltes a encontrar aqueles que amas e que também já partiram.

Abraço com muita ternura nesta homenagem que faço a ti publicamente. Trago-te viva no coração. Sabes que não gosto nem de despedidas, nem de funerais. Mas não é por isso que não trago no meu coração aqueles que desejo e quero bem.

Ana
Brasil, 2.3.2014
avó Rosária (4 de Novembro de 1922- 2 de Março de 2014)

sábado, 1 de março de 2014

O ANTES E O DEPOIS DA MINHA ÉPOCA DOS GUINCHOS, SIM PORQUE A VIDA NÃO COMEÇA E ACABA NO NOSSO UMBIGUITO



 Meu querido diário, ontem entrei num universo paralelo. O universo para o lelo. Enfim, e o festival de teatro a encerrar e arte está na rua e o carnaval também e eu ali correndo para pegar uma garota alfacinha amazónica em pleno shopping!!... Não vou discursar sobre os entretenimentos do capitalismo, tampouco tecer observações sobre os atores sociais deslumbrados com tanto... neon e facilidade (?) em consumir.

Finalmente o dia chegou! O filme do Justin Bierber (é assim que se escrever? vou é timar uma bier, just one para continuar a relatar tal fenómeno de massas) estreou após longos meses de espera.

Ali estava eu à espera da mocinha que chegaria perto do meu espaço axial comovida de lágrimas nos olhos. INCRIVEL! Lembrei-me das logo das fãs dos Beatles, lá da época da minha mãe. Com a salvaguarda de que no Portugalito dos anos 60 à beira mar pranteado o pessoal era mais missa e lavores. Não havia cá pop art e outras modernices!

Enfim, para finalizar! De repente além de me encontrar no meio do shopping tive o especial prazer de presenciar um bando, um enxame de meninas de cabelo esticado e aparelho nos dentes aos GRITOOOOOOOOS à saída do filme. Aiiiiiiiii os timpanos que vibram com os decibeis! Depois todas, inclusive a garotinha alfacinha amazónica, de voz enroquecida por tanto delirio (dentro da sala, que a pessoa em causa é timida) e paixão fizeram-se fotografar junto ao cartaz do figurão.

Quanto a mim, nos meus 13 anos... Tinha timidamente um cartaz da revista Bravo do Tom Cruise como Top Gun. uuuuuuuh ele era muita giro! Muita querido. Mas não podia correr o risco de ser zoada pelo meu irmão e primos. Olho vivo e pé ligeiro!

Aos 13 anos também assisti ao show da Maria Bethãnia, mas a minha emoção timida só permitiu pedir autografos, à saida do Coliseu dos Recreios em Lisboa, aos músicos. Mas o meu ideal de beleza e de entusiasmo tranquilo era o Caetano Veloso com o seus cachos e sorriso largo.

Enfim, cada um(a) com os seus delirios, alguns mais outros menos comedidos.

A Ana Piu
Brasil, 1.3.2014
 
 

ALGUNS PONTOS SOBRE O DAR E RECEBER

1. Quando se dá, dá-se com o gosto de simplesmente dar ou dá-se porque se dá para gostarem mais de nós e darem-nos algo em troca, como por exemplo o reconhecimento?

2. Não ter reconhecimento de quem recebeu é desmotivante?

3. O que é dar? Dou para alimentar o meu ego e sentir-me uma bondade divina ou dou por que o fluxo da vida é fazer as trocas circularem?

4. Quando dou, dou os meus restos, as minhas sobras ou divido ao meio?

5. Muitas vezes damos o nosso melhor, mas não é o melhor para o outro. Porque isso acontece?

6. Saber receber é dos maiores gestos de generosidade. Mais até, tavez, que dar.

7.Receber elogios alimenta a alma, amaciando-a. Receber criticas construtivas também.  Se estamos preparadxs para recebe-las a nossa alma e as nossas ações expandem-se no espaço.

8.Acolher e agradecer elogios e criticas é um gesto de generosidade. Assim como saber receber amizade, amor e outras coisas que nos fazem crescer por dentro e para fora.

9.Saber receber é dos maiores gestos de generosidade. Mais até, tavez, que dar.

A na Piu
Brasil, 1. 3.2014