Menina de cabelo preto comprido. Olhos arregalados. Nariz de lado, sorrindo. Corpo verde de braços abertos.
ana piu
Br, 7.2.2014
De origem germânica achtung! servia como interjeção chamativa para perigos e paisagens deslumbrantes. Mais a norte, nos países escandinávos,ACHTUNG!! é considerado o espirro oficial dos vikings. Em terras lusas utiliza-se a expressão "Arre!!" quando alguém está arreliado. "Arretung!" é uma espécie de grito de guerra dos trabalhadores da classe precária, que desunidos nunca vencerão.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
LA VIDA FUE Y ES UN DON
Unas imágenes de hombres y mujeres que no hacen llamiento alguno, que no piden nada, y que, sin embargo, declaran que están vivos, como lo está quien las esté mirando. Encarnan, pese a toda su fragilidad, un respeto hoy olvidado por uno mismo. Confirman, pese a todo, que la vida fue y es un don.
John Berger
John Berger
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| Untitled © L E E • J E F F R I E S |
SERÁ QUE OS PEIXES TÊM CALCANHARES?
Meu querido diário, aqui há uma semana atrás recebi um mail de um figura que não era figura pois nem sequer uma foto apresentava escrevendo:"Você é baderneira love you. parabéns pelo seu blog."
Ora, logo pensei:"Quem me escreve para o meu mail sem se apresentar e sem o conhecer e vai logo falando LOVE YOU?"
Enfim, como não colocou nem I, nem We, nem they a coisa fica em aberto. Lê o meu blog. Olha! Alguém que lê o meu blog e que curte e se manifesta. Fixe bacana. Perguntei:"Ser baderneira é bom ou é mau?' Sim, porque é um termo usado muitas vezes de forma pejorativa. Pelos vistos, no caso, deve ser bom.
Fui ao facebook ver se o conhecia e fui dar num rapaz que não conheço mas que tem um amigo em comum e vive na mesma cidade do mesmo. Coincidência. E depois do que relatarei a seguir espero mesmo que seja coincidência, visto o "admirador" não se identificar alegando que não era uma " pessoa real"e dizer que estava "a fim de mim" e que nem tinha facebook.... Tudo bem.. Olha! Atraio pessoas irreais e surreais.
Atalhando, fui percebendo que o rapaz estava a pôr-me à prova não se identificando e sugerindo que eu falasse das temáticas do meu trabalho artístico: do vazio, do nada, da espera. Enfim... Relativizei o seu anonimato e partilhei um livro sobre budismo que o Sérgio Veleda acabou de publicar. ".... kkkkk Isso é livro para donas de casa maltratadas de classe média", respondeu.
Peguntei o que ele considerava ser maltratado e o que era classe média no Brasil. Não obtive resposta. Depois a pessoa não real manda uma referência dos "Três anéis" do Tolkien. Na verdade é um tipo de literatura fantástica best seller que nunca me suscitou curiosidade. Mas bora lá! Porém não entendo porque alguém não se apresenta, desconsidera o livro que não leu e auto denomina-se "legal e inventivo" por ter lido os 'Três anéis". Eu não li, posso ler, mas não entendo porque alguém não sai do anonimato e vai-me chamando burra e portuguesa por eu comparar a literatura do Tolkien ao Harry Potter e considerar que sermos legais e inventivos temos de responder pela nossas palavras.
Em suma, sou burra por não papar grupes, não cair na conversa da carochinha. Tenho quase a certeza que esse personagem não real não tem nada a ver com o amigo desse meu amigo, muito menos com o meu amigo. ASSIM ESPERO! Pois, esse personagem não real, pela minha leitura, estava a ver se encontrava o meu calcanhar de Aquiles. Ter até tenho, mas assumo-o. Uma maneira de aprender a nadar. Gosto de ser peixe com e sem calcanhares e nadar com pessoal good vibrations.
pipiripipiu
Brasiu, 6.2.2014
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| Vision © M A R I A • F R O D L |
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
A violência invisível - com Monja Coen Roshi
Ontem recebi este presentinho de uma amiga. E como não sou garganeira partilho antes sequer de ter visto. Partilho devido à sua descrição. Vi também que o Sérgio Veleda escreveu um livro sobre Budismo: A arte de equilibrar-se sobre um fundo vazio. Não conheço o Sérgio pessoalmente nem a Evânia, mas inspiram-me confiança intelectual e espiritual. Em suma, não são panfletários, nem dogmáticos. Pelo menos é isso que me transmitem. Resumindo, tenho curiosidade de escutar a Cohen Roshi como conhecer melhor campos que já poderei ter pensado, mas não nesta linha espiritual assim como ler as palavras do Sérgio. Sem seguidismo e sim com disponibilidade.
NOTAS
As pessoas fazem os lugares, os lugares fazem as pessoas.
A vida não tem significado e si um sentido (ou vários)
Ana Piu
diário de bordo Agosto de 2011
foto: LAS GRANDES CIUDADES
BAJO LA LUNA
Un espectáculo musical del Odin Teatret en el espiritu di Bertolt Brecht
Actores: Augusto Omulu, Kai Bredholt, Roberta Carreri, Jan Ferslev, Donald Kitt, Tage Larsen, Sofía Monsalve, Iben Nagel Rasmussen, Julia Varley y Frans Winther
Dirección: Eugenio Barba
A vida não tem significado e si um sentido (ou vários)
Ana Piu
diário de bordo Agosto de 2011
foto: LAS GRANDES CIUDADES
BAJO LA LUNA
Un espectáculo musical del Odin Teatret en el espiritu di Bertolt Brecht
Actores: Augusto Omulu, Kai Bredholt, Roberta Carreri, Jan Ferslev, Donald Kitt, Tage Larsen, Sofía Monsalve, Iben Nagel Rasmussen, Julia Varley y Frans Winther
Dirección: Eugenio Barba
HAPPY SIXTIES, diário de bordo durante o Odin Week 2011
Estou no Odin Teatret em Holsterbo, Dinamarca. Pleno Verão escandinavo. Decorre o mês de Agosto de 2011:
Final de um dia de treinamento, demonstrações de trabalho, palestras e apresentações de espetáculos. estamos à conversa na casa do Jan. Jan Fersley é músico, compositor e ator do Odin e é dinamarquês num grupo de noruegueses, italianos e outras nacionalidades. Está também o querido Augusto Omolu que além de bailarino é coreógrafo, além de brasileiro é baiano. Que descanses em paz, querido Augusto.
Na sequência da nossa conversa escrevo este texto:
HAPPY SIXTIES
Quando escutei esta expressão proferida por um dos membros do Odin senti uma certa tristeza. "Happy sixties....'
Os meus pais, assim como a sua geração em Portugal não pôde de modo algum viver esses happy sixties.
Uma guerra colonial obtusa sem saída, uma ditadura mesquinha como qualquer ditadura. Uma ditadura do "orgulhosamente sós". (1932/1974)
Sad sixties.
O que seria hoje Portugal se os sixties tivessem sido happies? Como seria hoje a geração dos meus pais? Como seria a minha geração e as que vieram a seguir?
Enquanto o resto da Europa e os EUA celebravam o Flower Power, como uma alternativa quase inglória de combater a lógica do lucro, Portugal despedia-se da jovem população masculina que embarcava para além mar, para terras africanas e alegando com uma batida de mão no peito que tais terras eram deles. Partiam para combater no meio do mato. E lá ficavam as portuguesas em frente ao mar nesse jardinzinho à beira mar plantado. E com toda a certeza os seus homens não embarcariam numa trip Lucy in the Sky with Diamonds. Não, não era uma trip colorida, poética e alucinante. A alucinação era outra e quem sobreviveu passou anos a ser assaltado por pesadelos na noite da escura. Os fantasmas teimavam assombrar os ex soldados já numa democracia que se apresentava como um bebé recém nascido.
Porém, do outro lado do mar em terras de África a censura salazarenta não era tão apertada e uma pitadinha de happy sixties espreitava no auge de uma guerra que durou 12 anos (1962/ 1974). Essas arzinhos da sua graça poderiam chegar em formato vinil.
Do outro lado do Brasil vivia-se também uma ditadura (1964/1985). Uma ditadura militar que ao mesmo tempo que agrilhoava criava a necessidade, a urgência de reagir quer fosse pela música, pelo teatro, pelo cinema, pela literatura.
Em Portugal essa emergência também acontecia, mas em dimensões menores. Portugal pequeno, encurralado em si e rodeado por uma Espanha franquista. (1939/1975)
Quarenta e oito anos de opressão, de analfabetismo, de pobreza, de censura, de tortura. Enfim... Mais o peso da igreja católica secular que cultivou o medo, a desconfiança, a delação e o falso pudor.
Como 48 anos podem ser tão decisivos para as gerações vindoras. Como pode influenciar o modus vivendis de um povo.
O Odin estás prestes a completar 48 anos, quase meio século de envolvimento, implicação que obviamente deixaram marcas profundas no modo de pensar e fazer teatro e viver a vida. O seu trabalho tem expressão, vai ficar na História, mesmo que a percentagem de afetados possa parecer insignificante para uma conjectura mundial.
Terá uma ditadura maior impacto que uma proposta pragmática de um grupo teatral que segue trabalhando e divulgando a sua pesquisa interminável pelos quatro cantos do mundo? Parabéns Odin!
Ana Piu
Barão Geraldo, Brasil 5. 2.2014
(texto escrito em Agosto de 2011 com pequenas alterações sem tirar o sentido realizadas hoje)
Final de um dia de treinamento, demonstrações de trabalho, palestras e apresentações de espetáculos. estamos à conversa na casa do Jan. Jan Fersley é músico, compositor e ator do Odin e é dinamarquês num grupo de noruegueses, italianos e outras nacionalidades. Está também o querido Augusto Omolu que além de bailarino é coreógrafo, além de brasileiro é baiano. Que descanses em paz, querido Augusto.
Na sequência da nossa conversa escrevo este texto:
HAPPY SIXTIES
Quando escutei esta expressão proferida por um dos membros do Odin senti uma certa tristeza. "Happy sixties....'
Os meus pais, assim como a sua geração em Portugal não pôde de modo algum viver esses happy sixties.
Uma guerra colonial obtusa sem saída, uma ditadura mesquinha como qualquer ditadura. Uma ditadura do "orgulhosamente sós". (1932/1974)
Sad sixties.
O que seria hoje Portugal se os sixties tivessem sido happies? Como seria hoje a geração dos meus pais? Como seria a minha geração e as que vieram a seguir?
Enquanto o resto da Europa e os EUA celebravam o Flower Power, como uma alternativa quase inglória de combater a lógica do lucro, Portugal despedia-se da jovem população masculina que embarcava para além mar, para terras africanas e alegando com uma batida de mão no peito que tais terras eram deles. Partiam para combater no meio do mato. E lá ficavam as portuguesas em frente ao mar nesse jardinzinho à beira mar plantado. E com toda a certeza os seus homens não embarcariam numa trip Lucy in the Sky with Diamonds. Não, não era uma trip colorida, poética e alucinante. A alucinação era outra e quem sobreviveu passou anos a ser assaltado por pesadelos na noite da escura. Os fantasmas teimavam assombrar os ex soldados já numa democracia que se apresentava como um bebé recém nascido.
Porém, do outro lado do mar em terras de África a censura salazarenta não era tão apertada e uma pitadinha de happy sixties espreitava no auge de uma guerra que durou 12 anos (1962/ 1974). Essas arzinhos da sua graça poderiam chegar em formato vinil.
Do outro lado do Brasil vivia-se também uma ditadura (1964/1985). Uma ditadura militar que ao mesmo tempo que agrilhoava criava a necessidade, a urgência de reagir quer fosse pela música, pelo teatro, pelo cinema, pela literatura.
Em Portugal essa emergência também acontecia, mas em dimensões menores. Portugal pequeno, encurralado em si e rodeado por uma Espanha franquista. (1939/1975)
Quarenta e oito anos de opressão, de analfabetismo, de pobreza, de censura, de tortura. Enfim... Mais o peso da igreja católica secular que cultivou o medo, a desconfiança, a delação e o falso pudor.
Como 48 anos podem ser tão decisivos para as gerações vindoras. Como pode influenciar o modus vivendis de um povo.
O Odin estás prestes a completar 48 anos, quase meio século de envolvimento, implicação que obviamente deixaram marcas profundas no modo de pensar e fazer teatro e viver a vida. O seu trabalho tem expressão, vai ficar na História, mesmo que a percentagem de afetados possa parecer insignificante para uma conjectura mundial.
Terá uma ditadura maior impacto que uma proposta pragmática de um grupo teatral que segue trabalhando e divulgando a sua pesquisa interminável pelos quatro cantos do mundo? Parabéns Odin!
Ana Piu
Barão Geraldo, Brasil 5. 2.2014
(texto escrito em Agosto de 2011 com pequenas alterações sem tirar o sentido realizadas hoje)
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| (Julia Varley em O Castelo de Holstebro II. Foto: Jan Rüsz / Odin Teatret) |
PIADINHAS DO CÓRÓCÓCÓ
Eyes
© N I C O L I N O • S A P I O
Meu querido diário,
alguém me pergunta se eu sei porque é que se conta piadas de português no Brasil. Respiro fundo depois de uma manhã de palhaçaria com crianças. Respondo de pronto: porque a incapacidade do pessoal se rir de si próprio é escassa. Rirmos-nos de nós mesmos manifesta humildade e inteligência. Também sei porque se conta piada de português, porque aqui a desigualdade de oportunidades, as relações de poder são tão grandes e mesquinhas que cada um quer se mostrar mais inteligente que o outro e não se toca que ao rir-se do português lerdo e colonizador está-se a rir de si mesmo. Também penso que não é pela erudição dos livros que as pessoas se destacam. Destacam-se por serem empáticas, caso contrário perpetuam relações de violência e descriminação. Também há piada de português, brasileira bunda na Europa, brasileiro querendo ganhar vantagem na Europa e outras xenofobias que não tolero. Sou intolerante com a intolerância e descriminação que é um ato de violência.
Durante a minha infância contavam-se muitas piadas de negro. Considero degradante e pouco honroso.
Por outro lado tenho amigos brasileiros desde os meus tempos de escola em Portugal e outros que fui fazendo em terras lusas e europeias. Guardo a nossa amizade com carinho e respeito.
Ana Piu
Brasil, 5.2.2014
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