terça-feira, 13 de agosto de 2013

EVA ou BELEZA PARA QUE TE QUERO?

Eve, de Balla Demeter
A Eva no paraíso estava. Momentos houvera que Eva queria ser interessante. Acordava de manhã com uma angústia! Às voltas na cabeça saltavam ideias, procurava rasgos de genialidade e nada encontrava. Bonita fora para os seus semelhantes. Pelo menos era assim que a reconfortavam. Em tempos fora uma bela mulher, diziam! Hoje sentia-se disforme. Procurava um sentido para a vida. Os sete filhos alisavam os seus cabelos escorridos e beijavam-lhe as bochechonas. Aconchegavam-se na sua celulite minuciosamente distribuida pelo corpo de uma mulher que ainda era. "És a mãe mais bonita do mundo! És uma GRANDE mulher!" Mas Eva não se conformava. Ela tomava essa grandeza como um tamanho que ela considerava disforme e incómodo. Pobre Eva. Escondeu-se no meio da floresta e aí reencontrou-se nas grandes árvores seculares. Encontrou-se na (h)umidade dos caminhos timidamente acariciados pelo sol. Afortunada Eva que agora era ela, sem ter que provar aquilo que não era nem nunca tinha sido. Afortunada Eva que agora poderia encontrar semelhantes a ela sem angústias.

Br, 13. Agosto de 2013

COMO UMA FOLHA


suspenso
alguns rasgos aqui e ali
amaciado pelo vento amacia-o
quem move quem?
é o vento que o move ou é ele que move o vento?
como uma folha de árvore
mas suspenso no ar
quase como por magia
um coração folha
folha de papel por escrever sobre letras apagadas
folha de árvore esperando anichar-se numa enraízada árvore
para que do alto possa sentir o vento bater
e suspenso, seguro possa dançar
porque suspenso suspende o rasgo?
tantas palavras em ão
que são grandes e delicadas são
destituidas da moral da religião
ganham outra dimensão
uma revelação?
uma dimensão maior que diz respeito ao coração
revelando paixão, perdão, compaixão, admiração, outra vez perdão, mais uma vez paixão, intuição, compreensão, uma vez e outra compaixão, suspensão, paixão, ai que lá vem o perdão, compreensão, fixação (oooops), solução, coração, pulsação, ão, ão, ão, ão, ão
miauuuuuuuu
pipiripupiu

a piu
10 Agosto de 2013

PENSAMENTOS VESPERTINOS DOMINICAIS


A Clarice pintava as unhas dos pés
e as das mãos também
A Clarice trazia dentro de si um enorme vazio
A Lispector não gostava de dar entrevistas porque pintava as unhas à Clarice
A Lispector considerava-se uma pessoa normal, comum, mortal
A Lispector trazia a morte dentro de si e tornava-a viva através da escrita
A Clarice e a Lispector são fruto das insanidades impostas por guerras, perseguições e fugas

A Carmen tinha um sorriso largo
Mira a Miranda que é roliça
Não mires a Carmen que está submissa
Ao seu esplendor
Passa noites fechados num quarto com dor
Passa os dias como cobaia dos avanços da medicina psiquiátrica
Pobre Carmen que empobreceu com a riqueza do seu exterior

Será que para nos transcendermos precisamos de sofrer?

Aquele meu amigo, de gestos generosos, limpa a bosta de um estábulo como limpeza espiritual. Uma tarefa precisa.
Uma semana retirado do mundanismo do dia a dia
Alegria (?), agonia, silêncio

Não somos nada e somos todos. Somos matéria. Somos espírito. Somos bosta. Somos ar. Somos água límpida. Somos água turva. Somos monstros. Somos grandes. Somos monstros frágeis. Somos grandiosamente monstruosos. Somos fogo que aquece. Fogo que queima. Fogo que destrói. Somos mar. Mar de amor, de horror, de dor, de sabor. Somos odor. Somos também paz.

Será que para nos transcendermos precisamos de sofrer ou existem outros caminhos? Caminhos percorridos nos veios de uma folha que baila ao vento...

(esta última frase soa mesmo aquela "poesia" vespertina domingueira de sarau do grupo recreativo de São José de Sericaia mas fica assim. Gosto da imagem, apesar do cliché)

a piu
11.Agosto.2013

PONTOS DE VISTA


- Tu acreditas no amor?
- Nesse gajo, pá?
- Nesse gajo pá? É assim que tratas o amor?! Por gajo?
- Se ele acreditar em mim eu acredito nele.
- Como é que ele pode acreditar em ti se o tratas por gajo?
- É que eu gosto de relações informais.
- Ahhhh!... tou a ver...

a piu
11. Agosto. 2013

ALGUNS EXEMPLOS DE CONVERSAÇÕES FLUENTES


- A menina quem é?
- Eu sou eu.
- O seu nome.
- Lili.
- Chama-se Lili?
- Sim.
- Bom. Tá bem. É filha de quem?
- Do meu pai e da minha mãe.
- Vá. Facilite.
- Sou filha de Marie e de John.
- Aaaaah bom! Marie e John quê?
- Quer saber se são importantes?
- Sim.
- São muito importantes para mim. (........) Quer saber se são importantes importantes?
- Claro!
- Agora não me apetece... Sabe como é? Nós, os aristocratas, somos caprichosos. Somos un petit negligé. Temos um savoir faire capriché. Não me leve a mal.

A piU
12.08.2013

DICAS PARA DAR NAS VISTAS


1. Corra para o seu calhambeque, de preferência empoeirado a dar ares de on the road.
2. Tenha um pneu ligeiramente vazio para que a possibilidade de furar seja maior
3. Pare num subida e deixe o carro ir abaixo. Aliás, assuma que ele vai abaixo sempre que para numa subida e dê daquelas acelaradelas de impestar o espaço com fumo e ruído. Pode sempre argumentar que apesar de poluente é uma atitude de sustentabilidade perante a indústria automobilistica.
4. Dê a volta ao quarteirão e faça uma travagem na curva de fazer os pneus chiarem, pois há um carro está a sair do estacionamento.
5. Não tendo música no carro pode sempre cantar em altos berros levantando as mãos do volante.
6. Caso a gasolina estiver na reserva, o que é sempre conveniente, encontre uma estratégia "convincente" para parar e esperar que alguém venha ajudar. Pode ser que algo misterioso aconteça!....

a piu
12. agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

TO BE AVE RARA OR TO BE AVE RARA. NÃO HÁ SOLUÇÃO? ou SOU UMA AVE RARA COM UMA CRISTA PUNK LIGHT FREAK FASHION


Definitivamente eu sou uma ave rara. Talvez não tão diferente de todas as outras aves que se espassarinham por aí. Mas ao fim de todo este tempo de existência que até parece longo mas que até curto fico sempre abismada, admirada, estupefa(c)ta, e até mesmo expectante de saber se algum dia terei esse jogo de cintura. Refiro-me exatamente aquele lema do "Rei morto, rei posto". Enfim, aquele espaço de luto relacional que efusivamente é preenchido com outro alguém para que o silêncio não se instale. Muito menos a solidão! Esse monstro de mil cabeças. Também fico assaz admirada, abismada, estupefa(c)ta e até mesma indagativa, interrogativa, meditativa no poder de sedução em canône. Talvez sofra do síndroma de patinho feio, mas outro dia dei de caras com uma sugestão de página de relacionamentos amorosos.  Quase quase uma gargalhada explodiu do peito, mas fiquei tão "oh messa! quem me sugeriu uma coisa destas?! A mim, uma old fashion que gosta de olhar as pessoas nos olhos?" Enfim, também considero curioso aquela onda "As pombinhas da Catrina que andaram de mão em mão foram ter à quinta nova ao pombal de São João. Uma é minha outra é tua, outra é de quem a apanhar/ pegar"
Sei lá! As redes sociais podem ser uma grande loucura. Uma espécie de cada tiro, cada melro. Uma amiga aqui há uns dias falava no seu mural que uma famosa (Princeless?) dedicou uma música a alguém que nem tinha twiter e que um monte de pessoal se sentiu atingido pela dedicatória. Vai daí que fiquei feliz em pôr a Mafalda a rir com o exemplo das Pombinhas da Catrina, acrescentando que uma coisa é nós confessarmos a paixão que sentimos a alguém e posteriormente dedicar-lhe uma música mesmo sem a identificar publicamente. Outra é confessarmos paixão a uma equipa de futebol ou não confessarmos a ninguém e lançamos o tiro para o ar e depois logo se vê. Eu não sou deste tempo ou então não sou deste mundo. ehehehe Se a pessoa está interessada em alguém foca-se. Não? Ou então... Não sei... Já não sei nada. Acho que vivemos todos num grande bidé, mas com uns pudores muito loucos que é de nos entregarmos realmente. Mas depois dispomos-nos ao lado mais disparatado que há em nós. Descartamos-nos uns dos outros com uma facilidade e preferimos amores mornos para não nos queimarmos. Somos todos uins grandes palhações! eheheh Sei lá! Yo que sei? Yo soy una... Una... Una ave rara como tantas outras.
Bom fim de semana! :) ;)

A piU
Br, 9 de Agosto de 2013