segunda-feira, 5 de agosto de 2013

JURAMENTO DE BANDEIRA

Os prematuros, Botero
Homem- Alô! Sim? (...) Estou muito feliz pela noticia! Para começar o mês que vem? Claro! Claro que posso! (...) Sim, tenho esposa. Tenho sim. E filhos também... Seria melhor não levá-los? Mas são a minha família? (...) Para me entregar por completo ao trabalho? (...) (espera um pouco querida. Enquanto isso procura uma mala que dê para enfiar as crianças lá dentro. O quê? Também conseguiste? Sim, sim. Já falamos! Deixa só concluir aqui...)

Mulher- Alô! Sim! Sim! Aceito a proposta! Acabei de terminar a minha relação, decidi ser celibatária a partir de hoje para poder integrar a vossa empresa! Não, não tenho filhos, pois bem sei que caso tivesse e me separasse seria muito dificil a nível profissional e até mesmo amoroso. Não, não me relaciono com mulheres. Não me relaciono com ninguém a partir de hoje, como lhe disse anteriormente renego toda e qualquer relação para poder dedicar-me a tempo inteiro à vossa empresa.

A piU
Br, 5 de Agosto de 2013

MARIA NINGUÉM

PENSAMENTOS DE FINAL DE SEMANA ou BALANÇO INTROSPECTIVOS DESTA TRAQUITANADA TODA


Descobri! Conclui!Duvidei! Confirmei! Toda e qualquer forma de ostentação de conhecimento para marcar uma diferenciação entre o meu sujeito e os restantes são perpetuações de relações hierárquicas numa lógica terceiro mundista. Essa lógica também ocorre em lugares supostamente desenvolvidos. Aliás! É desses lugares que vem essa classificação: países como desenvolvidos, países em vias de desenvolvimento e terceiro mundo. Desses países supostamente desenvolvidos que surge essa lógica. Esta minha conclusão, que pretende ser humilde porém com a devida consciência da sua inconveniência, ganha volume com o encontro há uns anos atrás com o antropólogo Vitor, indio da aldeia Baikairi no Estado do Matogrosso. " Eu quero estudar para ser um dos porta vozes do meu povo. Quero lutar com as mesmas "armas do branco". Isso mesmo Vítor, para nos defendermos e defender os nossos interesses temos que estar por dentro, nem que seja para transitar entre a distância e a aproximação. Em suma, enquanto a educação e a sua qualidade não estiver ao alcance de todos há que driblar. Enquanto o poder hegemónico criar diferenciações verticais, de cima para baixo, quem "em baixo estiver" tem de aprender a defender-se com as mesmas ferramentas para afirmar as suas ferramentas que são fruto de uma identidade própria.

A piU
Br, 4. Agosto. 2013

LES ILLUMINÉS ou LE RIGOR DE LA TRADUCTION


Je suis dans mon lit/ Bebo um litro de suco/sumo 
Je touche ma tête et je suis fachê/ Toco a minha testa e coloco sobre ela uma faixa
Je doit être moi même/ Doi, moi, mesmo assim
Ma tête est confuse/ a minha testa está confusa
Qu'est que je doit faire?/ O que doí fazer?
Paris est romantique, mais c'est pas pour moi/ Paris é romântico mas moí, desgasta

A piU
Br, 4 de Agosto de 2013

E NÓS, HOJE, AQUI AGORA?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CÂNTICO DOS DESVENTURADOS

Eu sei que vou continuar
Por toda a minha vida eu terei de contiuar
A cada despedida eu vou te amar (mau!! começa a festa)
Desesperadamente (que chatice! não dá para amaciar a coisa?)
Eu sei que eu vou te amar (momento sincero e solene)

E cada verso meu será pra te dizer (idem)
Que eu sei que vou te amar (idem)
Por toda a minha vida (chiça! que sina! com tanta gente  no mundo! Nãããã a minha vida não é isto! Tenho de me focar!)

Eu sei que vou chorar (sim, chorar faz bem à alma)
A cada ausência sua eu vou chorar (mas não é preciso exagerar!)
Mas cada volta sua há de apagar (vai na volta não há volta a dar. bom, estando o céu por cima da cabeça e a terra debaixo dos pés, sendo que a terra é redonda. Nunca se sabe o dia antes de amanhã)
O que essa ausência sua me causou (agora fico calada que isto é sério)

Eu sei que vou sofrer (outra vez?! Não quero ser canonizad, nem santificada! Sou de carne e osso! E o meu coração é bio degradável! Decidi! Vou me tornar budista! decidi!)
A eterna desventura de viver (sim, ser desventurada faz parte do glamour de qualquer palhaço que se preze, neste caso palhaça)
A espera de viver ao lado teu (maaan esperar eternamente deixa a pessoa roxa! Não quero ser uma personagem do Garcia Lorca!)
Por toda a minha vida, eu sei que vou viver, tropeçando aqui e ali. Mas fazer o quê? A vida é assim mesmo! Porque não? Agora vou dar uma volta bilhar grande e acabar com esta canção.

a piu
Br, 2 de Agosto. 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

QUEM AMARROTOU A PRATA DO MEU BOMBOM?

Olhou para o bom bom. Bom bom bonito debaixo da fina prata vermelha. Era aquele que tinha escolhido da caixa de mil bom bons coloridos. Ficaria guardado para um momento especial.

As pratas dos bom bons esticadas cuidadosamente com a ponta do dedo para não se rasgarem. A prata do bom bom guardada entre as folhas do livro. Daquele livro que trazia sempre consigo para se degustar em breves ou longas passagens. Voltar ao mesmo livro. Surpreender-se a cada chegada. Viajar nas palavras já percorridas e degustar lentamente aquele bom bom com recheio de rum.

Quem amarrotou a prata daquele bom bom que tinha escolhido com carinho para degustar lentamente entre breves e longas passagens, daquele livro que a fazia sonhar num mundo mais possivel e respirável?

Um vácuo no peito. Pacientemente, com a ponta do dedo, foi esticando aquela prata, amaciando os vincos, as dobras. Depois guardou perto de uma das suas passagens preferidas, entre as folhas, frenética e cuidadosamente sublinhadas e rabiscadas.

Um fiozinho de rum colou a ponta de um dos dedos a um outra ponta de outro dedo. Saboreou cuidadosamente a ponta dos dedos para que estas não se grudassem à fina prata. Cuidadosmaente, evitando que se voltasse a amarrotar.

Queria que aquele sabor de chocolate e rum se mantivesse entre o céu da boca e o palato e que a memória desse sabor não desaparecesse nunca.

a piu
Br, 1. Agosto. 20013