segunda-feira, 15 de julho de 2013

CONFUZESES

Pablo Picasso
Um dia confundi-me.
De  mim própria fiquei tão confusa que de mim me tornei musa.

Outra vez me encontrei, mas logo me perdi.
Perdida ando por me achar.

Agora ando cansada.
Preciso de dar uma parada.
Retomar energia e de novo sentir alegria.

a piu
Br, 15 de Julho de 2013


ATÉ QUANDO

Egon Schiele
És capaz de esperar?
Sou capaz de esperar.
Até quando esperarás?
Até quando esperarei... Até quando não perder as forças, os laços, os abraços.
Esperas o quê?
Espero-nos.

a piu
Br, 15 de Julho de 2013

FOLHA BRANCA

Pronta para ser inscrita amassada foi, amarrotada ficou
Folha branca com um pequeno traço logo embolada ficou.
Ao vento vai. Ao vento voa. Novas formas, novos arquejares virão até os vincos se amaciarem.

a piu
15 de Julho de 2013

sexta-feira, 12 de julho de 2013

PÉ NA TZÉ TZÉ

As pálpebras insistiam em fechar. Uma sacudidela de queixo e as sobrancelhas abanavam. O queixo baixava e um fio de baba vinha cair no joelho. As articulações moles, dormentes, adormecidas tinham um pequenos esticões durante esse sono que se instalava. De pálpebras semi cerradas a cabeça desenhava círculos e linhas retas. O corpo rendido caiu no chão e no chão ficou. Um ronco ecoou. O mosquedo assutou-se. Aniel aqui, Aniel ali. Mais as Glossinas. Todas juntas picando o pessoal! Uma pouca vergonha!
Picada daqui, picado dacolá veio um pé e espantalhou a mosca tsé tsé. Outro ronco ressonado fez-se ouvir nas redondezas e logo uma vozinha catita grita"Não hesita! Não hesita! Fora com a parasita! Já me tou a passar da marmita com toda esta gente que dormita! Chita daqui pra fora ó parasita! Que esta gente é mais, mas muito mais bonita! Ouvistes" ó parasita!?""

A piU
Br, 12 Julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

LIBERDADE LIBERDADE


AS LENTAS DA JOPLIN

Que óculos usaria hoje a Joplin? Como seria ela? Malucaça ou uma avózinha simpática de cabelo pintado de roxo ou de ruivo como a Rita Lee? Envelheceria como o Mick Jager, o David Bowie, a Rita Lee, sem esquecer o Iggy Pop? Um passar de anos com ginga. Como olharia o mundo? Com as mesmas lentas do Peace and Love ou seria uma devota de Deus e Jesus como a Nina Hagen, que neta de judeus mortos em campo de concentração e filha de ateus se converteu sem perder a sua excentricidade?  Como Joplin enxergaria o mundo com um dos seus olhos estrábicos como a Elis? Que lentes colocaria? Olharia o mundo como o olhava há 45 anos atrás ou andaria de Mercedes Benz? Mover-se-ia de principios alternativos ou seria uma relaxadona que não esconderia de ninguém o que seria ou deixava de ser? Seria fiel aos seus principios? E o que é ser fiel a principios?
Um vez fui numa praia, perto de Salvador da Bahia, que dizem que Joplin passou por lá. Praia de Arambepe.Não a encontrei por lá... Paciência... Mas gostava de saber o que ela hoje pensaria de tudo isto. Ela e outros da sua turma.

a piu
Br, 10 de Julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ERA DO NÉON

Passamos o tempo em fantástica tagarelice. Tagarelamos que tagarelamos. Tagarelamos embutindo o espaço, o vazio de ruído que consideramos pensamentos, informações importantissimas ao bom andamento do viver. Falamos do que comemos ontem, do que não vamos comer hoje, do que vamos comer amanhã. Falamos da vizinha que não é igual a nós, falamos que tudo vai mal, falamos de tudo e de nada. Paroles, paroles. Entontecidos andamos de tantas imagens, de tantas ideias loucas e ocas. Medrosos de escutar o silêncio dizemos banalidades, somos vulgares uns com os outros achando que nessa vulgaridade somos frontais. Esquecemos-nos de nos escutar, de nos tocar. E corremos atrás de uma felicidade, fugindo nós. Não nos permitimos encontrar. Temos medo de nos perder. Não nos permitermos ser, nem estar. Enchemo nos de ruído sonoro, visual para não nos sentirmos sós porque a solidão nos assusta.. Assusta tanto que receamos ir ao encontro do outro, porque prefirimos não desiludir, preferimos não mostrar as nossas faltas de cabimento, preferimos não decepcionar para que as expectativas não se desvaneçam. Com medo da solidão, vivemos sós, cheios de gente, coisas e mais coisa à nossa volta. Daí vai que fala, que diz que conta que... que... que... qu... q..
Inês d'Éspiney
nos cansamos de nós mesmo, mas há que manter a onda. Vivemos na era do neon, do bom e do mau tom e de muito som que umas vezes é bom, outras ruído. Um dia descobrimos que não sabemos respirar. Das duas uma: ou paramos e nos redescobrimos ou continuamos ofegantes e tagarelantes, um tanto impectantes. E?... E então?